EUA têm mais petróleo do que Arábia Saudita, diz consultoria

Mas metade dessas reservas são em petróleo não convencional, também chamado de xisto, que pode não ser viável se o preço do petróleo continuar tão baixo

São Paulo – Pensou em petróleo, pensou em Oriente Médio, certo? Errado.

De acordo com uma estimativa independente da consultoria Rystad Energy, os Estados Unidos têm mais reservas de petróleo do que a Arábia Saudita.

A questão é que metade dessas reservas são em petróleo não convencional, também chamado de xisto (shale oil, em inglês), que precisa ser extraído de rochas sedimentares.

O processo para isso se chama fraturamento hidráulico (fracking, em inglês) e insere água, areia e químicos para quebrar a rocha e retirar o petróleo.

O problema é que toda a água utilizada no processo retorna à superfície e os riscos ambientais são grandes.

Estudos associam a técnica à contaminação da água, tremores de terra, mortandade animal e emissões de metano.

O óleo de xisto foi uma verdadeira revolução energética nos Estados Unidos, mas como seu processo é mais caro do que a extração convencional, sua viabilidade depende de preços do petróleo altos.

E o país acabou sendo vítima do próprio sucesso: o aumento na sua oferta encontrou um cenário global de demanda fraca e ajudou a fazer o preço do petróleo despencar.

Bob Duley, presidente da British Petroleum, disse em uma conferência do setor em fevereiro que em breve as pessoas estariam enchendo suas piscinas com petróleo.

Grandes produtores convencionais, como a própria Arábia Saudita, poderiam coordenar a produção para que o preço voltasse a subir, mas preferem jogar o jogo de longo prazo e tirar de uma vez do mercado os novos produtores americanos.

Não sem consequências. O preço baixo do barril por tanto tempo erode as finanças de países como Venezuela e no Oriente Médio, que agora correm atrás de diversificação, corte de custos e novas fontes de recursos.

Os 6 países do Conselho de Cooperação do Golfo (entre eles Arábia Saudita e Catar) anunciaram recentemente que vão passar a taxar diretamente os seus cidadãos pela primeira vez.

Resumo da ópera: os Estados Unidos devem ter mesmo uma mina de ouro negro para explorar nas suas rochas, mas a lógica econômica e o bom senso ambiental talvez façam com que ela nunca saia de lá.

Vale lembrar que a estimativa da Rystad tem uma metodologia própria. Segundo outros cálculos que só consideram reservas provadas e declaradas, o país está no 9º lugar mundial. Veja:

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