Iene deve ficar mais forte que dólar em 2016, dizem bancos

Após a sequência mais aguda de perdas na história, o iene deverá tirar do dólar a coroa de melhor desempenho entre as principais moedas em 2016, segundo bancos

Após a sequência mais aguda de perdas na história, o iene deverá tirar do dólar a coroa de melhor desempenho entre as principais moedas em 2016, segundo dois dos maiores bancos de investimento dos EUA.

O JPMorgan Chase e o Morgan Stanley projetaram que a moeda do Japão irá superar todos os seus pares no ano que vem, interrompendo uma queda de quase 40 por cento nos últimos quatro anos em relação à moeda americana.

O crescente superávit em conta corrente do país está diminuindo a capacidade do Banco do Japão de enfraquecer a taxa de câmbio por meio de estímulos monetários e em vez disso o governo dependerá cada vez mais de investimentos e reformas para impulsionar a economia, disseram eles.

“Nós achamos que o iene ficará mais forte do que o dólar”, disse Calvin Tse, codiretor de estratégia de moeda americana do Morgan Stanley em Nova York.

“Estamos relativamente fora do consenso em que não esperamos que o Banco do Japão anuncie alguma medida nova de expansão do balanço e flexibilização no decorrer do ano que vem”.

Na comparação com setembro, mais que o dobro dos analistas agora esperam que o iene suba para 120 por dólar ou para um nível mais forte até o fim de 2016, mostram projeções compiladas pela Bloomberg. Mesmo assim, a visão de consenso é de que a moeda permanecerá próxima do nível mais baixo em 13 anos, de 125,86 por dólar, atingido em junho, com uma estimativa média de 125, contra um nível de 123,16 registrado às 10h35 de terça- feira, pelo horário de Londres.

O Morgan Stanley prevê que o iene subirá para 115 por dólar até o fim de 2016, enquanto a projeção de 110 do JPMorgan é a mais otimista entre as mais de 50 compiladas pela Bloomberg.

As estimativas variam de 110 a 135 ienes por dólar, ressaltando a divisão entre os analistas. É um contraste em relação à faixa de negociação de 10 ienes da moeda neste ano, a mais estreita em termos de porcentagem desde 1976.

Após cair em relação aos seus 16 principais pares no período de três anos até 2014, o iene se estabilizou neste ano em meio aos sinais de que o Banco do Japão pode ter concluído a expansão de seu inédito programa de estímulos monetários. Sua queda de menos de 3 por cento em relação ao dólar desde dezembro passado é uma fração do declínio de 36 por cento registrado entre o fim de 2011 e 2014.

“No ano que vem o iene se transformará na moeda mais forte do Grupo dos 10”, disse Tohru Sasaki, chefe de pesquisa de mercados do JPMorgan para o Japão, de Tóquio. “É meio difícil esperar uma depreciação contínua do iene apenas com base na flexibilização da política monetária”.

As projeções da equipe de Sasaki no JPMorgan e do Morgan Stanley mostraram ser visionárias antes. No fim de 2014 os dois bancos previram que o iene seria negociado a 123 no segundo trimestre, período em que a moeda terminou em 122,5 por dólar. Em meados de 2015, eles estimaram um movimento para 121 até 31 de dezembro, menos de três ienes em relação ao nível atual.

Efeitos corporativos

Um iene mais forte poderia dificultar os esforços do banco central para aumentar a inflação e ameaçaria a sequência de lucros corporativos recorde que estimulou quatro anos de aumentos nas ações domésticas. Em maio, o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, transferiu o foco do impulso à inflação e ao crescimento para o governo, dizendo que os estímulos “podem ajudar que as reformas estruturais sejam implementadas com determinação”.

Embora as expectativas mais baixas para a flexibilização pelo Banco do Japão elevem os riscos de quedas agudas e bruscas do iene, elas também ressaltam como a perspectiva de longo prazo é de uma taxa de câmbio mais forte, segundo o Commonwealth Bank of Australia.

Com muitos traders despreparados, um aumento surpresa nos esforços de estímulos do Banco do Japão neste mês ou em janeiro poderá enfraquecer a moeda em até seis ienes, disse o estrategista Joseph Capurso, de Sidney.

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