Inflação de março cai para 0,43% e acumula 9,39% em 12 meses

Inflação desacelera mas continua acima da meta do governo, que é de 4,5% com dois pontos porcentuais de tolerância para cima ou para baixo

São Paulo – A inflação no Brasil, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 0,43% em março, informou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa caiu pela metade em relação a fevereiro (0,90%), não era tão baixa desde julho de 2015 (0,22%) e ficou bem abaixo também de março do ano passado (1,32%).

Com isso, o acumulado em 12 meses está em 9,39%, uma desaceleração em relação aos 10,36% nos 12 meses imediatamente anteriores.

A taxa anualizada não ficava abaixo dos dois dígitos desde outubro, mas segue bem acima da meta do governo, que é de 4,5% com dois pontos porcentuais de tolerância para cima ou para baixo.

Razões

Em evento do Itaú realizado ontem, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu algumas razões pelas quais acredita em uma trajetória de queda para a inflação.

Entre elas estão a profundidade da recessão, que contém a demanda, e a estabilização dos reajustes de preços administrados, que foram uma das maiores presões em 2015.

A estabilização do câmbio também ajuda. A última previsão do Boletim Focus, divulgada na segunda, reviu sua projeção para o IPCA de 7,31% para 7,28% no final de 2016.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, disse ontem que o banco esperava uma alta de 0,45% em março com 6,9% no acumulado do ano.

Ele diz que a inflação “pode surpreender e cair ainda mais”, abrindo espaço até para um possível corte da Selic mais para o final do ano. O risco de pressões para cima vem do descontrole do gasto público.

Grupos

Só dois grupos aceleraram em março, entre eles Vestuário. Alimentação e Bebidas, com 25% de peso do índice, acelerou de 1,06% em fevereiro para 1,24% em março e dominou o IPCA do mês, com impacto de 0,32 ponto percentual no número final.

Alguns itens se destacaram, como cenoura e manteiga, com altas de 14% cada. As frutas subiram 8,91% no mês e tiveram sozinhas um impacto de 0,10 no IPCA.

Habitação, pelo contrário, aprofundou sua influência na queda do índice: passou de -0,15% em fevereiro para -0,64% em março e comeu 0,10 ponto percentual do número final.

Isso foi resultado da diminuição das contas de energia elétrica em todas as regiões devido a menores alíquotas de PIS/COFINS e redução na cobrança extra da bandeira tarifária.

Educação, que havia experimentado uma alta forte de 5,9% em fevereiro com os reajustes de mensalidade, teve uma alta bem mais modesta: 0,63%.

Comunicação passou de alta em fevereiro (0,66%) para queda em março (-1,65%) graças a reduções de 2,71% no celular e de 2,89% no fixo.

Grupo Variação Fevereiro Variação Março
Índice Geral 0,90% 0,43%
Alimentação e Bebidas 1,06% 1,24%
Habitação -0,15% -0,64%
Artigos de Residência 1,01% 0,70%
Vestuário 0,24% 0,69%
Transportes 0,62% 0,16%
Saúde e cuidados pessoais 0,94% 0,78%
Despesas pessoais 0,77% 0,60%
Educação 5,90% 0,63%
Comunicação 0,66% -1,65%

.

Grupo Impacto Fevereiro (p.p.) Impacto Março (p.p.)
Índice Geral 0,90 0,43
Alimentação e Bebidas 0,27 0,32
Habitação -0,02 -0,10
Artigos de Residência 0,04 0,03
Vestuário 0,01 0,04
Transportes 0,11 0,03
Saúde e cuidados pessoais 0,11 0,08
Despesas pessoais 0,08 0,06
Educação 0,27 0,03
Comunicação 0,03 -0,06

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