Investimento e inovação esconderão queda da economia latina

Segundo a Cepal, a América Latina e Caribe registrarão um crescimento econômico baixo, mas que pode ser contido com o investimento e a inovação tecnológica

México – América Latina e Caribe registrarão neste ano um crescimento econômico próximo a 0,5%, um baixo desempenho que pode ser contido mediante o investimento e a inovação tecnológica, conforme informou nesta quarta-feira a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

“Esta região vai crescer pouco, não mais que 0,5%, por fatores externos e internos. É essencial apontar o investimento tanto público como privado, e especialmente o associado à inovação”, enfatizou na inauguração da 5ª Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe.

No início do evento, que reúne ministros da região na Cidade do México do dia 5 ao 7 de agosto, a representante da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) ressaltou que o mundo vive “uma revolução digital de grandes proporções”, caracterizada pelo “dinamismo tecnológico” e pela “convergência de novas tecnologias”.

“Mas nos incomoda vivê-lo em um cenário muito difícil, com desacelerações e maiores desafios”, apontou.

No dia 29 de julho, a Cepal apresentou seu “Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2015”, no qual se prevê uma desaceleração generalizada, mas heterogênea, e mostra uma forte revisão em baixa em relação aos 2,2% de crescimento para 2015 estimado no final do ano passado.

Segundo as projeções, América Central e México terão um crescimento médio de 2,8%, o Caribe registrará uma expansão de 1,7% e a América do Sul se contrairá 0,4%.

“Isso exigirá, sem dúvidas, que caminhemos em direção a uma maior inovação e novas associações entre Estados, mercado e sociedade”, ressaltou Bárcena.

Para enfrentar essa contração da economia e poder competir em um novo cenário econômico global é necessária uma mudança estrutural na matriz produtiva” baseada “no conhecimento e nas tecnologias digitais”, comentou.

“A transição requer desenvolver o ecossistema digital, melhorar a conexão intrarregional e propiciar que as empresas promovam investimentos e redes de conhecimento”, comentou.

Segundo Bárcena, nos países desenvolvidos, a internet e a economia digital representam de 7% a 21% do produto interno bruto (PIB).

No evento inaugurado nesta quarta-feira se pretende dar continuidade ao Plano de Ação sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe (eLAC), estipulado em 2005 e implementado até 2007, que teve mais duas fases (2008-2010 e 2011-2015).

É aguardada a renovação do plano para uma quarta etapa, que irá durar até 2018, e a Cepal apresentará um relatório que “busca contribuir para o debate dos representantes nacionais”.

O encontro conta com a participação de ministros e delegados dos Estados-membros e associados da Cepal, assim como funcionários da Comissão e do sistema das Nações Unidas, membros do corpo diplomático, acadêmicos e representantes de organizações não governamentais. 

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