Juros ficam parados em 14,25% na primeira reunião com Ilan

É a 8ª vez seguida que os juros ficam parados no patamar, onde estão há quase um ano; foi a primeira reunião liderada por Ilan Goldfajn, novo presidente do BC

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu hoje manter a taxa Selic em 14,25%, sem corte nem alta.

É a 8ª vez consecutiva que os juros ficam nesse patamar, onde estão há quase um ano.

A decisão já era esperada pelo mercado mas veio acompanhada de um texto longo, rompendo com a tradição anterior de comunicados lacônicos (veja no final da matéria).

Foi a primeira reunião sob o comando de Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central, aprovado pelo Senado Federal no dia 07 de junho.

Desde então, ele defendeu “o tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante” e disse que vai buscar o centro da meta de inflação já no ano que vem

O último Boletim Focus projeta inflação de 7,26% em 2016 e 5,3% em 2017. A meta do governo é de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Em relação aos juros, a expectativa do Focus é que eles terminem esse ano em 13,25% (corte de um ponto começando em outubro) e o ano que vem em 11%.

“São os economistas que estão dizendo que o juro vai cair. Presidente vê com bons olhos, mas palavra final é do BC”, disse hoje mais cedo o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Temer disse que o BC tem “plena autonomia”.

Quando o Copom aumenta os juros, encarece o crédito e estimula a poupança, o que faz com que a demanda seja contida e faça menos pressão sobre a atividade e os preços. Cortar os juros causa o efeito contrário.

Mudanças

A decisão de hoje foi por unanimidade e sem viés. A ata será divulgada na próxima terça-feira, 26 de junho.

Tanto o horário do comunicado quanto o calendário para a ata são novidades. A Selic costumava ser divulgada entre 19h30 e 21h com publicação da ata na quinta-feira seguinte, não na terça.

A próxima reunião está marcada para os dias 30 e 31 de agosto. Veja a íntegra do comunicado:

O cenário básico com que o Comitê trabalha pode ser resumido pelas seguintes observações:

O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom mostra perspectiva de estabilização da atividade econômica no curto prazo. Entretanto, as evidências sugerem que a economia segue operando com alto nível de ociosidade;

No âmbito externo, o cenário permanece desafiador. No curto prazo, o ambiente encontra-se relativamente benigno para as economias emergentes. No entanto, a dinâmica da recuperação da economia global permanece frágil, com incertezas quanto ao seu crescimento;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2017 recuaram, mas seguem acima da meta para a inflação, de 4,5%; e

As projeções condicionais do Copom para a inflação permaneceram relativamente estáveis nos horizontes relevantes para a condução da política monetária desde sua última reunião, mas recuaram em relação às projeções divulgadas no último Relatório de Inflação. No cenário de referência, a projeção para a inflação de 2017 encontra-se em torno da meta de 4,5%. No entanto, no cenário de mercado, a projeção para 2017 está em torno de 5,3%.

O Comitê identifica os seguintes riscos domésticos para o cenário básico para a inflação:

Por um lado, (i) a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente; (ii) incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia permanecem; e (iii) um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação;

Por outro lado, (iv) os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação; e (v) o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom.

Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária.

Trajetória da taxa Selic até julho (Rodrigo Sanches/EXAME.com)

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