Renegociação de crédito é natural em tempos de crise, diz BB

A inadimplência da carteira renegociada da instituição, considerando atrasos acima de 90 dias, porém, recuou, de 14,2% em março para 12,8% em junho

São Paulo – O crescimento do volume de crédito renegociado é natural diante de um cenário desafiador, de acordo com Bernardo de Azevedo Silva Rothe, gerente Geral da Unidade Relações com Investidores do Banco do Brasil.

“Neste trimestre, realmente, tivemos um crescimento maior, mas nosso índice de carteira renegociada ainda é menor que o dos demais pares, o que acontece também com a inadimplência desta carteira, que é mais arriscada”, explicou ele, em teleconferência com analistas e investidores, nesta sexta-feira, 14.

De abril a junho, o saldo final de créditos renegociados por atraso subiu 58%, para R$ 13,7 bilhões em um ano. Esse montante representa 1,9% da carteira total do BB, abaixo da média de 3,5% dos pares privados, conforme o banco.

A inadimplência da carteira renegociada da instituição, considerando atrasos acima de 90 dias, porém, recuou, de 14,2% em março para 12,8% em junho. O indicador médio dos pares privados, conforme o BB, passou de 25,0% para 22,4%, na mesma base de comparação.

“O objetivo do banco é recuperar os créditos que têm emprestado. É um trabalho contínuo, de bastante esforço”, destacou Rothe.

Segundo ele, não fosse esse esforço o índice de inadimplência da carteira de crédito total poderia ter sido pior. O indicador de calotes, que considera atrasos acima de 90 dias, foi a 2,04% ao final de junho contra 2,05% em março. Em um ano, quando estava em 1,99%, entretanto, foi vista piora de 0,06 p.p.

O BB encerrou ontem a temporada de balanços dos grandes bancos de capital aberto do País no segundo trimestre, ao anunciar lucro líquido ajustado de R$ 3,040 bilhões no período, expansão de 1,3% em 12 meses, quando ficou em R$ 3,002 bilhões. No semestre, foi a R$ 6,065 bilhões, aumento de 11,5% em um ano.

Depósitos judiciais

O valor que pode ser atingido pela lei complementar dos depósitos judiciais é de apenas 2,1% da captação total do Banco do Brasil, de acordo com José Maurício Pereira Coelho, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores da instituição.

“Essa medida não é nova. É uma discussão que já vem há bastante tempo. Já estamos nos preparando sob o ponto de vista de liquidez para quando isso acontecer”, explicou ele em teleconferência.

Segundo o executivo, a saída desses recursos – a lei permite a Estados e municípios utilizarem recursos dos depósitos judiciais e uma parte viria do montante administrado pelo BB – não ocorre de uma só vez. “É um procedimento operacional pesado que está envolvido nisso e que leva um tempo até ser materializado”, acrescentou ele.

Coelho explicou ainda que a principal destinação dos recursos de depósitos judiciais que Estados e municípios podem dispor é para o pagamento de precatórios. De acordo com ele, neste caso, o banco também pode fazer um trabalho de captação em cima dos beneficiários, a exemplo do que já foi feito em alguns Estados que tiveram essa possibilidade.

“É uma medida que acompanhamos há bastante tempo. Iniciamos nossos preparativos com tempo suficiente, então, a mensagem que trazemos em relação a isso é de bastante tranquilidade”, destacou Coelho.

Sobre o possível aumento da Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Bernardo Rothe disse que o que existe hoje é apenas um relatório que tem de passar por todas as comissões ainda. Por isso, ele considerou ser difícil avaliar o que vai acontecer com a alíquota a ser paga pelos bancos.

“Não temos feito nenhuma divulgação de impactos no BB porque vamos esperar, como foi no caso de depósito judicial, antes de ter especulação sobre o fato. É difícil falar se vai ser 20%, 23% de CSLL, se o benefício do juros sobre capital próprio (JCP) será tirado. Não sabemos ainda. Depende das discussões no Congresso”, disse o gerente Geral da Unidade Relações com Investidores do BB.

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