Mercados emergentes recuam do abismo com Goldman otimista

É possível que finalmente haja algum alívio para quem investe nos mercados emergentes

É possível que finalmente haja algum alívio para quem investe nos mercados emergentes.

Estrategistas de bancos como o Goldman Sachs e o Bank of America dizem que os ativos dos países em desenvolvimento estão atingindo um piso após três anos de perdas das moedas e das ações.

Isso não quer dizer que eles estejam propensos a embarcar em um aumento. Em vez disso, pelo fato de o sentimento entre os investidores ter se deprimido tanto, até mesmo uma melhora marginal na perspectiva econômica será suficiente para mudar o sentimento e elevar ativos como peso mexicano, rublo russo e ações indianas, dizem os analistas.

“Estamos um pouco mais otimistas para o ano que vem”, disse Geoffrey Dennis, chefe de estratégia global para mercados emergentes do UBS Securities em Boston, que dá preferência às ações chinesas, indianas e russas.

“Haverá uma história ligeiramente melhor de ganhos e, de uma forma geral, uma pequena recuperação do crescimento econômico nos mercados emergentes no ano que vem. Este ano foi terrível”.

Após cinco anos em retração, os países em desenvolvimento, do México à Polônia, estão mostrando sinais de recuperação em meio à aceleração das economias dos EUA e da Europa.

Apesar de o declínio de quase 30 por cento das moedas de mercados emergentes desde 2012 ter sobrecarregado os investidores com prejuízos, também ajudou alguns países como Brasil, Turquia e Índia a atacarem suas vulnerabilidades econômicas, reduzindo déficits em conta-corrente e aumentando a competitividade.

Os mercados em desenvolvimento parecem baratos segundo os padrões históricos.

O índice MSCI Emerging Markets caiu 30 por cento desde a maior alta, em 2011, e atualmente é negociado em cerca de 12 vezes os lucros estimados, ou quase um terço menos que a avaliação do Standard & Poor’s 500, índice de referência das ações dos EUA.

Na média, as moedas dos mercados emergentes estão 16 por cento abaixo de seus valores justos em relação ao dólar depois que o real e a lira turca atingiram baixas recordes neste ano, segundo o modelo do Bank of America.

Os preços permanecerão voláteis em um momento em que o Federal Reserve se prepara para elevar as taxas de juros pela primeira vez em quase uma década, mas os estrategistas do Bank of America dizem que estão “construtivos” em relação às moedas dos mercados emergentes no “médio prazo”.

Crescimento acelera

Elas estão “altamente subavaliadas” e as “exportações e o investimento direto têm espaço para recuperação”, escreveram analistas liderados por Alberto Ades, em Nova York, em uma nota de uma pesquisa em 19 de novembro. Eles recomendam que os clientes comprem peso mexicano e zloty polonês contra o euro e dão preferência a bonds em moeda local da Hungria e da Índia.

Embora reconheça que a expansão permanecerá abaixo da tendência de longo prazo, o Goldman Sachs projeta que as economias em desenvolvimento crescerão 4,9 por cento no ano que vem, mais que os 4,4 por cento estimados para 2015, o que seria a primeira aceleração desde 2010.

“O ano de 2016 poderia ser aquele no qual os ativos dos mercados emergentes atingem o piso e começam a ganhar força”, escreveram estrategistas liderados por Kamakshya Trivedi, de Londres, em um relatório em 19 de novembro.

“Existe uma perspectiva de crescimento e de retornos melhores, mesmo que não seja uma reprise dos estrondosos anos 2000”.

O Goldman Sachs está aconselhando seus clientes a comprarem peso mexicano e rublo russo contra o rand sul-africano e o peso chileno, segundo a empresa um dos melhores negócios globais para 2016.

O banco também projeta que os bonds domésticos da Rússia subirão com a desaceleração da inflação.

Não faltam perigos para desafiar essas visões mais otimistas sobre os mercados emergentes.

Aumentos agressivos das taxas de juros nos EUA poderiam dificultar mais a vida das empresas dos países em desenvolvimento na hora de pagarem seus US$ 1,4 trilhão em dívidas em dólares.

O Barclays estima que a taxa de calote entre as empresas de mercados emergentes com classificação de grau especulativo deverá subir para até 7 por cento no ano que vem, contra 3,8 por cento em 2015 e uma média de 20 anos de cerca de 4 por cento.

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