O 1% mais rico da Europa bate com o estereótipo. Ou quase

Se ativistas descrevessem o 1% mais rico, provavelmente diriam que são homens, de meia idade, instruídos e com empregos de alto nível. Eles estariam certos

Se alguém pedisse para os ativistas que gritam “nós somos os 99 por cento” que descrevessem os integrantes do 1 por cento que eles insultam, provavelmente diriam que são homens, de meia idade, instruídos e com empregos de alto nível.

De forma geral, eles estariam certos.

Um estudo recente publicado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), um clube dos países ricos, analisou um banco de dados de cerca de 10 milhões de funcionários para pintar um retrato desse 1 por cento que detém os maiores ganhos na Europa.

A OCDE diz que esta é a primeira vez que se tem um quadro tão abrangente sobre a composição desse grupo.

Em toda a região, o padrão é claro: “aqueles que estão nesse 1 por cento tendem a ter entre 40 e 50 anos; ser homens; ter ensino superior; trabalhar nos setores de finanças, indústria ou atacado e varejo; e estar empregados como diretores-executivos ou em outros cargos seniores de gestão”, escreveu o autor do relatório, Oliver Denk, no estudo.

Até aqui, nenhuma surpresa. Mas, ao aprofundar-se nos dados, chega-se a padrões menos óbvios.

Embora a camada superior de 1 por cento esteja acima dos 40, em média, eles são mais jovens nos países do Leste Europeu, mais provavelmente por consequência da mobilidade social e das mudanças econômicas após a queda da Cortina de Ferro, diz Denk. Por outro lado, a Itália é o país com o 1 por cento mais velho, seguido da França.

Mulheres

Em média, as mulheres respondem por apenas um de cada seis membros do grupo dos trabalhadores mais bem pagos da Europa. Mas esse número esconde grandes variações entre os países: elas somam 7,2 por cento na Alemanha, por exemplo, mas quase 25 por cento em países como Hungria e Polônia.

Isto é, em grande parte, consequência da fatia maior de mulheres trabalhadoras nesses países. De fato, os países do sul da Europa estão se saindo relativamente bem. Na Espanha e em Portugal, as mulheres respondem por 22 por cento e 24 por cento, respectivamente, dos funcionários mais bem pagos.

Proteções trabalhistas

Os dados analisados por Denk também sugerem uma relação entre as proteções trabalhistas e a igualdade de renda.

Em países onde menos empregos são cobertos por convenções coletivas de trabalho, o 1 por cento superior tende a conseguir uma fatia maior da renda salarial.

Por exemplo, na Bélgica, onde 96 por cento dos trabalhadores estão em empregos negociados coletivamente, os trabalhadores mais bem pagos recebem apenas 3,8 por cento dos salários totais.

No Reino Unido, onde menos de 1 em cada 3 empregos entra nas convenções coletivas, o 1 por cento superior recebe cerca de 9 por cento da renda salarial.

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