Taxas de juros estão no nível mais baixo em 5 mil anos

Com um Federal Reserve hesitante e juros negativos no Japão e em partes da Europa, investidores têm que navegar em um cenário não visto há muito, muito tempo

São Paulo – Os investidores estão tendo que lidar com um cenário excepcional – e não estamos falando apenas do crescimento chinês mais fraco em 25 anos ou das maiores perdas nas commodities desde 1933.

A questão são as taxas de juros no patamar mais baixo em mais de 5 mil anos, diz uma nota recente do Bank of America Merrill Lynch assinada por Michael Hartnett.

Com os juros reais mais altos do mundo, o Brasil é uma exceção

No Estados Unidos, o Federal Reserve finalmente aumentou os juros em dezembro depois de quase uma década no patamar zero. 

Foi o período mais longo sem mudanças na taxa desde 1913. Nessa semana, o Fed sinalizou duas altas ainda para 2016 mas revisou para baixo as taxas de longo prazo. 

Há preocupação com sinais de fraqueza no mercado de trabalho e turbulências caso o Reino Unido decida sair da União Europeia no referendo da próxima quinta-feira.

Presos no baixo crescimento e sem inflação no horizonte, o Japão e alguns países europeus como Suécia e Dinamarca vêm tentando algo que até pouco tempo atrás era impensável: levar os juros para abaixo de zero.

A estratégia é defendida por gente como Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e rejeitada pelos bancos, que estão sendo efetivamente cobrados por deixar dinheiro parado e podem ter sua lucratividade erodida.

Larry Fink, presidente-executivo da BlackRock, maior empresa de gestão de ativos do mundo, disse em sua carta anual que os juros negativos impedem a habilidade de planejar para o futuro e estão comendo a rentabilidade de coisas como pensões.

Mas o grande problema é que mesmo taxas tão baixas não têm sido capazes de gerar crescimento vigoroso e um mínimo de inflação.

“O estimulo monetário sem precedentes nos anos recentes falhou na entrega da recuperação e a ‘guerra à deflação’ global foi retardada por dívida excessiva, demografia em envelhecimento, disrupção tecnológica e porque o ciclo de aumentos do Fed pode ter sido ‘um e acabou'”, diz a nota do Bank of America Merrill Lynch.

Veja no gráfico das taxas de juros dos últimos 5 mil anos (em azul estão as taxas de curto prazo e em vermelho estão as de longo prazo):

Taxas de juros nos últimos 5 mil anos (Bank of America Merril Lynch)

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