Temer vai, a bomba fica

O presidente Michel Temer embarcou para a 71a Assembleia Geral da ONU deixando um problemão para trás. Estados do Norte e do Nordeste ameaçam declarar situação de calamidade pública durante a semana. Eles alegam que a crise fiscal e a diminuição da arrecadação podem fazer com que as contas não fechem no final do ano, levando ao parcelamento de salários dos funcionários. Com a calamidade decretada, tentam se proteger contra consequências da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os governadores se sentiram prejudicados com o projeto da renegociação da dívida aprovado na Câmara e tentam colocar pressão para que ele seja modificado no Senado. Dos 55 bilhões de “relaxamento de dívida” concedidos pelo governo federal, mais de 50 bi foram destinados a estados e do Sul e Sudeste, que têm maiores débitos. A dívida de São Paulo com o Tesouro Nacional é de mais de 30 bilhões de reais. Com a renegociação, o estado vai deixar de pagar 500 milhões por mês no período de carência, que vai até dezembro. A Bahia, por exemplo, tem uma dívida de pouco menos de cinco bilhões, e deixará de pagar 40 milhões.

Os estados querem a liberação de 14 bilhões de reais – sete em dinheiro e sete como possibilidade de financiamento. “Se tantos estados declararem calamidade, piora muito o ambiente econômico do país, o que vai trazer insegurança e prejudicar a vinda de investidores”, diz Wellington Dias, governador do Piauí, um dos estados mais interessados.

O governo já afirmou que não vai negociar novamente, mas alguns senadores da própria base aliada têm feito jogo dúbio de olho em suas bases eleitorais. Na semana passada, um grupo de senadores se reuniu com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que alegou problemas de alçada para alguns pontos. Temer disse que não poderia encontrá-los naquele dia. A bomba, portanto, continua acionada.

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