A era pós-Facebook

O Facebook é um produto medíocre que deu certo. Um dia, como os tiranossauros, o Orkut e a TV Manchete, o Face também vai acabar.

Facebook

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Mais de 1,8 bilhão de pessoas são usuárias do Facebook. Isso é quase um quarto da população mundial. Mas os 60 bilhões de dólares de patrimônio da empresa de Mark Zuckerberg não podem esconder o fato de que o Facebook é um produto medíocre que deu certo. Um dia, como os tiranossauros, o Orkut e a TV Manchete, o Face também vai acabar.

Ao contrário do complexo Google, o Facebook não foi concebido para durar e se tornar indispensável. Seu grande objetivo é aproveitar a onda e manter as pessoas dentro do site gerando dinheiro. Cutuque! Jogue! Compre! Compartilhe! Curta! Comente! Comente o comentário! Discuta! Bloqueie! Tá legal, o Face já ajudou a reunir amigos e familiares. Mas esse ambiente tóxico hoje provoca mais rompimentos que uniões, especialmente por motivos políticos/ideológicos.

Como será o mundo pós-Facebook? Minha bola de cristal neste momento encontra-se sem conexão, mas existem algumas pistas lógicas. Uma delas é que a overdose de tarefas e recursos do Face será substituída por redes mais enxutas, específicas e confortáveis.

Um dos exemplos disso é o sucesso do Instagram, com sua limpeza, o destaque para a imagem e o desprezo à verborragia. O Instagram em si é paupérrimo de recursos. Mas nos serve como refresco. E lá ninguém chama você de “fascista”. Clones melhorados do Insta (como o Ello) deverão fazer parte desse futuro pós-Facebook, sem polêmicas histéricas tampouco julgamentos.

Outra tendência forte são redes profissionais. Temos o LinkedIn, mas ele não se atualizou. É movido a empregos, cargos e planos de carreira. Não percebeu ainda que vivemos numa economia cada vez mais horizontalizada e voltada à prestação autônoma de serviços. Um exemplo de inovação é o Slack – uma rede profissional que interliga associados num mesmo trabalho, oferece comunicação entre eles, troca de arquivos, agenda comum etc. Ou seja, ajuda as pessoas a trabalhar. Redes úteis de verdade serão parte de um mundo pós-Facebook. Não podemos conviver para sempre com essa sensação de tempo perdido numa rede social.

Outra tendência cada vez mais forte é a transmissão ao vivo, que pode gerar consequências culturais muito interessantes. O Facebook já permite isso, assim como o Instagram muito recentemente, mas outras redes se dedicam especificamente a transmissões em streaming – e elas estão crescendo. São os casos do Periscope (hoje anexado ao Twitter) e o mais recente YouNow. Essa transmissão da vida como ela é pode se tornar a próxima mania. E ainda incentivar uma fase revolucionária na história do jornalismo.

Teremos também futuras redes de realidade aumentada, de mundos virtuais, de imersão integral etc. Tudo isso é território ainda desconhecido e precisa de melhores conexões, o que é um problema sério no Brasil.

Por enquanto me parece que o caminho é este: desintoxicar, descentralizar e conectar quem realmente interessa. Precisamos recuperar o tempo pioneiro em que as redes sociais reuniam “tribos” e serviam efetivamente para ampliar nossos conhecimentos e nossa teia de interesses em comum.

Nesse dia – espero – deixaremos para trás os tempos sombrios em que a gente brigava para sempre com amigos e parentes através de uma página azul-bebê.


Dagomir Marquezi é jornalista e já escreveu novelas, biografias, quadrinhos, peças de teatro. Mas ainda não plantou nenhuma árvore

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