Argentino quer “unir o mundo” nadando entre os 5 continentes

O atleta, de 30 anos, cruzou cinco trechos situados entre dois continentes, concluindo a façanha no Egito, após dois anos e muitos quilômetros percorridos

Cairo – O nadador argentino Matías Ola realizou nesta semana o sonho de ligar a nado os cinco continentes do planeta, após atravessar o golfo de Aqaba da Jordânia ao Egito, sempre com uma mensagem de paz e união durante as travessias.

Com o projeto “Unir o mundo“, o atleta, de 30 anos, cruzou cinco trechos situados entre dois continentes, concluindo a façanha no Egito, após dois anos e muitos quilômetros percorridos.

Em entrevista à Agência Efe, o nadador disse que até então é o único a completar as cinco travessias sem traje de neopreno, como por exemplo a do estreito de Bering, entre América e Eurásia, que cruzou a 3 graus de temperatura e acompanhado de 55 nadadores de 18 países diferentes.

Ola também relatou com emoção como conseguiu que as autoridades turcas interrompessem o tráfego marítimo no estreito do Bósforo durante uma hora para permitir sua passagem entre Europa e Ásia.

Além do desafio físico e logístico do projeto, para Ola a verdadeira conquista é ter levado uma “mensagem de paz” que pôde “atravessar fronteiras, idiomas e ideologias através do esporte”.

A ideia de ligar os continentes nasceu da própria experiência de Ola com a natação, que começou a praticar aos 21 anos, quando já tinha idade suficiente para ser nadador profissional. Por isso, buscou uma opção que oferecesse outras possibilidades além da competição.

A decisão foi nadar em águas abertas e promover a inclusão social dos jovens através do esporte, além de levar uma mensagem global de paz.

“Pensei: o que um argentino de uma província como Tucumán poderia compartilhar com o mundo? Que mensagem eu poderia transmitir?”, lembrou Ola, que superou a asma que sofria desde criança graças à prática da natação.

De início, o jovem nadador não tinha certeza se conseguiria cumprir o desafio, e realizou a preparação na Patagônia argentina para se acostumar a nadar em águas polares, treinando durante dois anos com a ajuda do treinador, Pablo Testa.

“Fazer essas travessias não é nada fácil, não é só uma questão de treino físico, mas também mental, para nadar a baixas temperaturas sem neopreno”, explicou Testa.

O treinador que acompanhou Ola em cada etapa da viagem explicou que a última travessia, a do Mar Vermelho, não foi tão fácil como esperavam, já que o vento era forte e a corrente em direção contrária.

Além disso, o percurso foi mais longo que o previsto por questões burocráticas: o nadador recebeu as permissões de Jordânia e Egito para atravessar o golfo de Aqaba, mas não atravessou as águas territoriais de Israel, entre os dois países árabes.

As embaixadas da Argentina no mundo ajudaram Ola a realizar seu sonho, contribuindo na organização das viagens e com a negociação das permissões para nadar nas águas de cada país visitado.

“Sempre fomos bem recebidos em todos os países, muito mais do que esperávamos, as pessoas te recebem amavelmente quando você chega a nado a algum lugar, como se tivesse feito algo enorme”, destacou o atleta.

Na jornada ao redor do mundo, o nadador também quis promover atividades esportivas para os jovens, como fez nesta semana no Cairo, longe do litoral do Mar Vermelho.

Após concluir o primeiro projeto, Ola já tem outro sonho em mente: “SOS Mundo”, que o levará a nadar em sete oceanos através de sete estreitos, feito que apenas seis nadadores do mundo conseguiram.

“Percebi a importância do cuidado com o planeta”, afirmou Ola, que também pretende continuar a levar a diferentes cantos do mundo a mensagem de “compartilhar e unir”.

O projeto “SOS Mundo” está previsto para começar em 2016 e deve durar cerca de dois anos, da mesma forma que “Unir o mundo”, e Ola junto à equipe que sempre o acompanha.

“É muito emocionante o que vivemos como atletas, como jovens, como pessoas”, comentou ao término da primeira missão, orgulhoso de ter conseguido “algo histórico para a natação argentina”.

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