Como o cérebro explica por que comemos além da fome

Pensar com o estômago tem tudo a ver com a cabeça – e pode ser mais perigoso e comum do que pensamos. A ciência explica os porquês do exagero

 (Pixabay/Reprodução)

Afogar as mágoas em um balde de sorvete ou destroçar uma pizza inteira são cenas clássicas do cinema, mas podem ter um quê de realidade.

Venha de uma desilusão amorosa ou seja o estereótipo de alguém que já passou dos 40 e ainda mora com os pais, comer em excesso e com a expressão perdida é um sinal de que as coisas não vão muito bem.

Para piorar, via de regra, descontar o desalento da vida em pratos gordurosos e coloridos se torna uma verdadeira tentação. Quando a fossa bate, em especial, medir o teor de sódio ou as calorias de uma bandeja de fast food vira a menor das preocupações.

Mesmo assim, não deixa de ser perigoso – principalmente se a prática virar um hábito. Para entender a compulsão é preciso, primeiro, olhar para o que há por trás dos roncos no estômago.

Sentimentos à mesa 

A chamada fome emocional não é um bicho de sete cabeças, mas pode chegar sorrateira e fazer um grande mal à saúde se não for controlada.

Podendo ser facilmente confundida com uma vontade exagerada de comer, essa disfunção alimentar aparece, principalmente, em momentos de tédio, estresse, solidão, e em fases iniciais de depressão.

Mais do que falir uma dieta, ingerir mais alimentos do que pede a fome pode elevar os níveis de colesterol, levando, em últimos casos, à obesidade, diabetes, e hipertensão.

Segundo Irani Santos, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, a fome em caráter emocional não está associada à necessidade fisiológica. “A fome emocional é mais comum do que parece. Você transfere uma necessidade emotiva para o alimento”, diz a professora.

“É mais associada ao consumo de doces, mas acontece com outros alimentos também e vira uma válvula de escape”, completa.

Ainda que não seja categorizado como um transtorno alimentar, o exagero requer tratamento multiprofissional, comenta a especialista.

O que diz a ciência

Noz

 (Pixabay/Reprodução)

Para Thalles Zaccarelli, médico do Instituto Neurológico de São Paulo e palestrante do Centro de Estudos em Neurociências Prof. Dr. Raul Marino Jr, muitos estudos já relacionam as diversas substâncias neuroquímicas à regulação da fome e da saciedade.

O comportamento humano se relaciona com três elementos: produção, concentração e autorregulação de determinados hormônios e neurotransmissores. A esses detalhes estão associados os controles de peso a apetite ­– que, quando desregulados, levam àquela fome desenfreada.

Já na raiz da questão, segundo o expert em neurologia, boa parte das resposta positivas e negativas de nossas reações vem do chamado Sistema Límbico, conhecido como Centro das Emoções.

Nesse lugar circula boa parte dos neurônios e neurotransmissores determinantes para o humor, como serotonina, dopamina, ácido Gama Amino Butírico (GABA), adrenalina e noradrenalina.

“Como as estruturas ali presentes se relacionam intimamente, os efeitos reguladores do apetite são diversos. Combinações de alguns aminoácidos podem estimular a ingestão alimentar”, comenta Zaccarelli.

Durante estados de depressão, euforia e distúrbios psiquiátricos – principais motivadores da fome emocional ­– vale ligar a luz de alerta quando, entre outros sintomas, o comportamento alimentar mudar de forma radical.

“Condições psicológicas e psiquiátricas, bem como nutricionais, neurológicas e endócrinas, necessitam de acompanhamento e, se necessário, tratamento com profissionais adequados”, reforça.

Alimentação e vida saudável caminham lado a lado. Em harmonia, a relação entre corpo e mente forma uma proveitosa parceria em prol do seu bem estar.

Atenção aos sinais e com o que (e quanto) se põe no prato é fundamental para não entrar em um ciclo vicioso de exageros.

Em questão de saúde, vale pecar pelo excesso.

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