Era Itamar: 17 provas de que éramos felizes e não sabíamos

Foram só dois anos que valeram por um mandato completo

 (DEDOC/Revista VIP)

Em 29 de setembro de 1992, começou o processo de impeachment de Fernando Collor e Itamar Franco virou presidente.

Seu mandato foi um período de bons momentos. Em pouco mais de dois anos, fomos campeões da Copa do Mundo, campeões da Fórmula 1, resolvemos um problema econômico que nos assolava desde a época do império e ainda revivemos um ícone da nossa indústria automobilística. 

Ah, isso sem falar do maravilhoso dólar 1 por 1. Quase tão bom quantos os tempos atuais, não?

Folclores

  • O topete platinado (e fora de moda) de Itamar Franco era a alegria dos cartunistas políticos.
  • Itamar tinha apreço pelo passado de um jeito meio provinciano. A ponto de sugerir que a Volkswagen voltasse a fabricar o Fusca sete anos depois de tirá-lo de linha. Segundo ele, o país precisava de um carro popular como o “besouro”. A montadora foi na onda e fabricou Fusquinhas de 1993 a 1996. Sem Itamar no poder, a empresa voltou a cancelar a produção.

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  • Os noticiários de fofocas (até mesmo nas publicações mais sóbrias) se esbaldaram no Carnaval de 1994. No camarote do Sambódromo do Rio, Itamar ficou ao lado da modelo Lilian Ramos, que estava sem calcinha sob o vestido. Ele nem percebeu.
  • Em 1993, houve um insólito plebiscito para o país escolher entre presidencialismo, parlamentarismo ou a volta da… monarquia! Desnecessário dizer qual sistema venceu.

Mundo real

 (DEDOC/Revista VIP)

  • A grande marca de um governo que só existiu porque o antecessor sofreu impeachment foi o Plano Real, que criou a moeda que temos até hoje e, na época, demoliu a roleta inflacionária e o caos econômico vigentes. O processo foi iniciado em 1993 pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e concluído em julho de 1994 com a entrada em circulação do real. FHC se elegeu presidente em outubro graças ao sucesso do plano.
  • Nos seis meses restantes do governo Itamar, a cotação do câmbio do real em relação ao dólar ficou em um por um. Quem viveu nesse período sabe como foi bom.
  • O gabinete de Itamar foi o primeiro a ter ministro caindo por causa da tecnologia. No caso, antenas parabólicas. Em setembro de 1994, Rubens Ricupero, sucessor de FHC no Ministério da Fazenda, esperava para entrar ao vivo no Jornal da Globo quando comentou informalmente com o jornalista Carlos Monforte: “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. As parabólicas levaram essa imagem a alguns telespectadores e o escândalo levou Ricupero à renúncia.
  • Houve até ministro que deu nome a dicionário: o filólogo Antônio Houaiss esteve com a pasta da Cultura por 11 meses.

Pop e pagode

Grupo Katinguelê

Grupo Katinguelê (DEDOC/Revista VIP)

  • Se houve uma trilha sonora principal na Era Itamar, foi de pagode. O governo dele coincidiu com o boom de grupos como Exaltasamba, Katinguelê, Só Pra Contrariar, Negritude Júnior e Sem Compromisso.
  • O pop rock internacional também estava por cima. O Brasil recebeu grandes shows em rápida sequência entre dezembro de 1992 e novembro de 1993: Guns N’ Roses, Nirvana, Michael Jackson e Madonna em novembro.
Da Lama aos Caos: disco de estreia de Chico Science & Nação Zumbi

Da Lama aos Caos: disco de estreia de Chico Science & Nação Zumbi (Divulgação/Reprodução)

Com o pé, com a mão…

 (DEDOC/)

  • Em 1994, nos Estados Unidos, a seleção brasileira voltou a ser campeã da Copa do Mundo de futebol depois de 24 anos de derrotas amargas.
  • Falando em derrotas amargas, Telê Santana, técnico do Brasil em 1982 e 1986, enterrou a pecha de pé-frio que tinha ao levar o São Paulo ao bi da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1992 e 1993.
  • A equipe de Hortência e Paula fez o Brasil ser campeão mundial de basquete feminino pela primeira vez na história, na Austrália em 1994.
  • A Copa de 1994 teve o hilário vazamento via parabólica de Galvão Bueno criticando o comentarista Pelé para a central da Globo

     (DEDOC/Revista VIP)

  • Em 1993, Ayrton Senna ganhou pela segunda e última vez o GP Brasil de F1 em Interlagos, num clima de Davi x Golias, já que o supercarro da época era a Williams de Alain Prost. Também em 1993, Emerson Fittipaldi venceu pela segunda e última vez as 500 Milhas de Indianápolis. E Rubens Barrichello estreou na F1, chegando a sua primeira pole position em 1994, no GP da Bélgica.
  • No último dia do governo Itamar, em 31 de dezembro de 1994, o mineiro Ronaldo da Costa venceu a Corrida de São Silvestre nas ruas de São Paulo.

Mas nem tudo foi dourado…

itamar-franco

 (/)

1992 (4º trimestre)

  • Massacre do Carandiru, em São Paulo
  • Assassinato da atriz Daniela Perez, estrela da novela das 8 da Globo na época, por Guilherme de Pádua

1993

  • Chacinas na Candelária e em Vigário Geral, no Rio
  • Fundação da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital)
  • Morte do ator Grande Otelo
Dener, jogador do Vasco.

Dener, jogador do Vasco. (Rodolpho Machado/arquivo Abril)

1994

  • Morte do promissor jogador Dener, do Vasco, em acidente de carro
  • Morte de Ayrton Senna no GP de San Marino, em Ímola.
  • Morte de Mussum
  • Morte de Tom Jobim
Veja também

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  1. Francisco Luiz

    Bobagem. ficam endeusando certos politicos e autoridades como se tivessem sido grandes estadistas etc. No fundo mesmo, eles tiveram sorte porque naquele tempo ainda nao tinha celular com microfone, microcameras, gravadores com micro processadores, etc….. Ou seja, simplesmente nao foram pegos, logo foram honestos.

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  2. Gilberto Mendes

    Itamar Franco foi o melhor PRESIDENTE que o Brasil já teve, e junto com ele FHC, o resto, é resto.

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