Fábricas de cultura destacam literatura da periferia de SP

As fábricas de cultura do Jardim São Luiz receberam a segunda edição do Congresso de Escritores da Periferia de São Paulo

As fábricas de cultura do Jardim São Luiz, na zona sul da capital paulista, receberam hoje (7) a segunda edição do Congresso de Escritores da Periferia de São Paulo – evento criado pelo coletivo de comunicação Desenrola e não me Enrola, apoiado pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) da prefeitura municipal. Neste ano, o evento procura discutir principalmente os novos rumos da cultura periférica.

Além de saraus e músicas, o evento promoveu uma feira de livros e quatro mesas de debate para discutir o empreendedorismo cultural, o rap e a literatura, as políticas públicas para a literatura, a identidade cultural e a literatura feminista.

A ideia do programa é revelar que a periferia é organizada e quer mostrar o que produz de cultura e informação, disse Ronaldo Matos, diretor de conteúdo do Desenrola e não me Enrola. “O objetivo central do Congresso é fazer a formação de público. As pessoas que moram em locais com saraus e bibliotecas comunitárias têm que se apropriar daquilo”, ressaltou.

Segundo Matos, os artistas das periferias geralmente encontram dificuldades para mostrar seus trabalhos para o mercado. Mas, em um sarau, ele encontra a oportunidade de mostrar o trabalho para a comunidade. Ainda que não tenha lançado seu livro, mas tenha um rascunho ou sua poesia, esse escritor tem a oportunidade de se tornar conhecido na comunidade, que é seu primeiro mercado. “A dificuldade é ele conseguir se estruturar e viver por meio da arte”, ressaltou, mas lembrou que artistas e escritores podem se encontrar no congresso para se articular, formar parcerias, mostrar trabalho e ampliar a rede de atuação.

O poeta e artista plástico Cazulo, que faz esculturas com sucatas de automóveis, participou de uma das mesas de debates, discutindo a questão das políticas públicas para a literatura da periferia. A gente não sabe a importância da política pública para a literatura periférica, porque ela ainda não chegou, disse ele. Mas todos acreditam que ela terá grande importância para disseminar os produtos locais, “fazendo com que os livros cheguem a mais pessoas e não dependam das nossas pernas, que os levam de mão em mão. Que o governo pegue esses trabalhos e os coloque nas bibliotecas, principalmente das periferias, onde o artista pode ir pessoalmente falar do livro dele, recitar uma poesia”, explicou ele à Agência Brasil.

Cazulo acrescentou que existem poucos projetos voltados para a literatura periférica, e em geral são projetos com poucas verbas ou que exigem editais. “Brigamos muito por mais fomento nas periferias”, disse ele.

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