[Ideias VIP] Maturidade nos faz vibrar pelo prazer individual do parceiro

A psicóloga e sexóloga Ana Canosa revela como a passagem do tempo ajuda um casal a apreciar seus prazeres individuais

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 (Pixabay/Reprodução)

Assim, de modo radical, um amigo brasileiro que também tem domicílio em Paris convidou meu marido e mais um par de amigos para uma temporada de estádios, torcidas, cerveja e piadas, no melhor estilo masculino de ser, na Eurocopa de 2016.

Não que futebol seja uma prerrogativa dos homens, mas é um prazer que eles gostam de ter juntos.

E eu? Bom, alguém tinha que ficar com a criança, que não podia faltar na escola por 15 dias.

Na verdade, não me lembro de ter sido convidada — afinal, era uma viagem de amigos. E eu disse: vai que eu seguro as pontas por aqui.

Ele foi, feliz da vida. Curtiu os marmanjos, os jogos, a França e eu fiquei em São Paulo, administrando a minha e a nossa vida em comum.

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 (Pixabay/Reprodução)

Ficou mais pesado do que o habitual, mas ok.

Meu único dia ruim foi quando ele viu um show da Adele, em Paris, combinação fodástica no meu imaginário e me enviou um áudio com ela cantando Love Song, com a mensagem: “Você gostaria de estar aqui”.

Tá certo, ele poderia melhorar com um “eu gostaria que você estivesse aqui”, mas liguei meu tradutor simultâneo interno.

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 (Getty Images/Reprodução)

Sempre fomos assim e tem melhorado a cada ano.

No início, a negociação baseava-se nas cervejinhas, festas e encontros com amigos nos quais o parceiro não estava a fim de ir ou não podia.

Depois vieram as curtas viagens com amigos e, mais tarde, uma longa viagem a trabalho, para a qual ele bravamente me apoiou.

Em algumas situações o bicho pegou, quando um de nós chegava meio alcoolizado ou quando alguém aparecia sozinho em eventos meio tradicionais, repleto de casaizinhos felizes.

Aliás, essa condição social é engraçada: o permitido, o proibido, o estranho. Pode fazer happy hour, mas não ir a casamento sem o par. Pode fazer viagem de trabalho, não viagem de lazer.

O que nos incomoda realmente? Qual a diferença entre chegar às 11h da noite ou às 2h da manhã?

A quantidade de bebida, o receio de que o outro seja infiel ou aquela facada no peito, ao constatar que ele(a) está se divertindo sem você e que em muitas situações a sua companhia não é a mais desejada?

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 (Pixabay/Reprodução)

Eu tenho CERTEZA de que meu marido precisa de seus amigos — às vezes eles me roubam, às vezes me salvam. E eu também me deleito com os meus, para me alimentar com o que ele é simplesmente incapaz de me dar.

E ele vai para a Rússia, em pleno mês do meu aniversário.

Se tenho medo de que ele se encante com uma loira com 1 metro de pernas e olhos azuis? Claro. Mas isso faz parte da vida — aqui, na Rússia ou em Carapicuíba, para nós dois.

A gente espera que o Brasil ganhe e que ele volte cheio de saudades, feliz, e um tantinho preocupado com como eu poderei ter passado meus dias, torcendo por aqui.

Com quem? Que horas? Onde? No fim das contas, um certo frisson precisa existir.

Segue esta coluna como minha parte no jogo: uma declaração aberta de amor, para que ele se lembre de nós.

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 (Pixabay/Reprodução)

*Ana Canosa é psicóloga, sexóloga e uma apaixonada pelas relações humanas.

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