Ilhas Maurício: muito mais que um destino romântico

Destinos de casais em lua de mel, elas oferecem muito para quem está atrás de esporte, aventura, ótimo rum e muita diversão

Dinarobin Spa

 (reprodução/Divulgação)

Em minha lista de “cinco ilhas paradisíacas do mundo para conhecer”, confesso que nunca pensei em incluir a minúscula Maurício, vizinha das mais famosas Madagascar e Seychelles, no Oceano Índico. Talvez ela não estivesse nem em meu top 10.

Mas, conforme o avião sobrevoava aquele país de 45 quilômetros de largura por 65 quilômetros de comprimento e águas transparentes, me perguntei por que ele ainda é tão pouco popular no Brasil – e por que diabos minha lista era tão malfeita.

Ilhas Maurício é a principal ilha do arquipélago composto ainda por Rodrigues, Reunião e outras pequenas ilhotas desabitadas. Os árabes foram os primeiros a registrar sua existência e a batizaram de Dina Robin (ou “ilha de prata”).

Depois, ela foi visitada pelos portugueses e colonizada por holandeses (que deixaram como legado seu nome, homenagem ao príncipe Maurício de Nassau, a cultura da cana-de-açúcar e a extinção do pássaro local, o dodô), franceses e ingleses, dos quais obteve independência apenas em 1968. Acabou como destino de imigrantes especialmente indianos (60% da população), mas também africanos, chineses e franceses.

Royal Palm, nas Ilhas Maurício

 (reprodução/Divulgação)

A influência dessa mistura é vista em tudo. Desde as três línguas faladas na ilha (inglês é a oficial, francês é a usada no dia a dia e crioulo, a que moradores usam entre eles) até os diversos templos hindus, islâmicos e budistas que pipocam aqui e ali, e a mão de direção oposta das ruas e rodovias.

Mas essa espécie de Caribe africano tem nas praias, claro, o maior atrativo. Com a vantagem de ter muito menos turistas (e muito menos farofa). São 320 quilômetros de costa, quase totalmente rodeada por uma imensa barreira de corais, a terceira maior do mundo, responsável pela transparência da água e pela rica vida marinha.

Justamente pelo visual deslumbrante, as Ilhas Maurício tornaram-se um local procurado por casais em lua de mel. Há resorts e hotéis luxuosíssimos para garantir a total tranquilidade de quem vai lá para esse fim.

Acontece que eu não estava lá para isso, e o país me revelou um outro lado, bem menos explorado, mas nem por isso menos divertido: o de destino de esportes e aventura – e de degustação de um delicioso rum (é só não misturar as coisas que tudo dá certo).

Sem jiboiar

Dois dos locais mais bacanas para explorar o que Maurício tem são a península de Le Morne Brabant, no sudoeste da ilha, e a região de Grand Baie, no noroeste. As opções de esportes são tantas que até os sujeitos mais preguiçosos, aqueles que curtem fazer fotossíntese na areia, sentem necessidade de aproveitar o local. Nem que seja para um tranquilo snorkeling.

O mergulho de superfície, aliás, é quase obrigatório em Le Morne. Se você estiver hospedado em um bom hotel, como, por exemplo, o Dinarobin e o Paradis (conheci ambos), terá à disposição máscaras, nadadeiras e transporte de barco até o local mais propício para conhecer a rica vida marinha, bem perto das barreiras de corais. Basta enfiar a cara na água para ver dezenas de espécies de peixes, moreias, enguias e ostras.

Dinarobin Hotel Golf & Spa Os chalés do Dinarobin Hotel & Spa

Os chalés do Dinarobin Hotel & Spa (reprodução/Divulgação)

O stand-up paddle, esporte já muito popular em águas brasileiras, também faz sucesso. As águas calmas e protegidas de Le Morne são um paraíso para a prática do SUP. A experiência de remar na baía formada pelos corais e rodeada de montanhas é uma das mais bonitas da vida, eu garanto.

Le Morne, a propósito, é o nome da montanha ícone do local, um monólito com quase 600 metros de altura e onde moravam cerca de 200 escravos fugidos em uma comunidade isolada quando, em 1835, soldados entraram para avisar da abolição – achando que seriam recapturados e sem perspectiva de reação, os escravos cometeram suicídio coletivo, jogando-se montanha abaixo. Hoje, a montanha é patrimônio da humanidade da Unesco.

Dinarobin Hotel Golf & Spa Aos pés da montanha Le Morne, você pode optar por fazer fotossíntese à beira da piscina

Aos pés da montanha Le Morne, você pode optar por fazer fotossíntese à beira da piscina (reprodução/Divulgação)

Voltando aos esportes, outro muito praticado é o esqui aquático e suas variações, como wakeboard. Eles também costumam ser gratuitos nos hotéis, a não ser que você precise de aulas dos instrutores.

No entanto, mesmo quem nunca ficou em pé em um par de esquis na vida consegue se divertir se tiver um pouco de equilíbrio. No hotel Paradis, uma lancha levava até uma plataforma um pouco mais afastada da costa. Depois de ser humilhada por criancinhas alemãs (que pareciam ter nascido com esquis nos pés) e de levar tombos risíveis (e doloridos) nas duas primeiras tentativas, consegui ficar em pé na terceira. Aproveite, os pilotos das lanchas costumam ser pacientes.

Tem muito mais coisas para se fazer naquele mar estupidamente azul. Nadar com golfinhos, mergulho profundo, canoagem. Ou o seakart – sim, é o que o nome sugere: pilotar uma embarcação pequena como um kart de corrida. Ou ainda o undersea, uma mistura de mergulho com caminhada no fundo do mar, usando um treco de vidro na cabeça que parece um aquário (é um tanto ridículo, mas a visão deslumbrante compensa).

Paradis Hotel and Golf Club

 (reprodução/Divulgação)

Também há passeios de lancha e pesca em águas abertas (lá é habitat do grande marlim azul, o peixe do livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway) . E dois tipos de “safáris marinhos”: com uma scooter, um tipo de moto fechada que desce até 3 metros de profundidade, e o com um submarino mesmo, que afunda até 35 metros.

Além disso, alguns resorts agendam aulas de windsurf e kitesurf. E surfistas encontram na região de Le Morne e Tamarim ondas perfeitas, límpidas e tubulares. Mas, embora até seja possível contratar professores para iniciantes, as ondas de Maurício são indicadas para os experientes, porque são grandes (até 3 metros) e fortes, e quebram sobre um fundo raso e afiado de coral.

Há ainda opções para aproveitar a natureza. No La Vanille Réserve des Mascareignes, no sul da ilha, vivem 800 tartarugas gigantes. Elas existiam na ilha até o século 18, mas foram exterminadas pelos franceses que comiam sua carne e levaram para a ilha animais predadores, como porcos. Porém, seguindo uma recomendação feita por Charles Darwin (o próprio), nos anos 1880, tartarugas trazidas de Seychelles foram reintroduzidas lá.

O parque tem ainda crocodilos do Rio Nilo, trazidos de Madagascar, que podem ser vistos vivos – e também nos pratos do restaurante Le Crocodile Affamé (ou “Crocodilo Faminto”), em iguarias como curry de crocodilo e bife de crocodilo com legumes.

Paradis Hotel and Golf Club O mar mauriciano vai te chamar. Nem que seja para curar a ressaca do rum

O mar mauriciano vai te chamar. Nem que seja para curar a ressaca do rum (Reprodução/Divulgação)

Jiboiando um pouco

Ainda no sudoeste da ilha fica a região de Chamarel. O local é conhecido pela Terra de Sete Cores, que ocorre graças a uma formação geológica bem particular: os minerais da lava vulcânica que deu origem à ilha, expostos ao clima quente e úmido da região, oxidaram-se e formaram uma pequena montanha com (adivinhe!) sete cores.

A roxa, por exemplo, vem do alumínio. A vermelha, do ferro. Parece interessante? Hummm, não é tanto, sejamos sinceros. Mas não risque a área de seu caderno. Porque a visita vale mesmo a pena por um motivo etílico: a Rhumerie de Chamarel.

Antes de ir para a degustação de rum, uma visita à fábrica mostra todo o processo de produção da bebida, feita com dois tipos de cana-de-açúcar  plantadas na ilha. Anualmente, saem das linhas da indústria 250 mil garrafas – 100 mil destinadas ao mercado estrangeiro.

O suco de cana filtrado é fermentado com uma levedura específica, que garante seu aroma. O líquido é depois destilado em colunas de cobre para a obtenção do rum branco ou em duas panelas de cobre para a bebida bidestilada. O rum destilado é depois estocado em cubas de inox por pelo menos seis meses, para eliminação de componentes voláteis.

Por fim, parte da bebida vai para barris de carvalho envelhecer por 18 meses (para a produção do Gold Rum) ou por cinco anos (para o Rum VSOP).

Depois da lição, vamos ao que interessa: a degustação da bebida. Ela começa com um delicioso drinque feito à base do destilado misturado com mel e limão (anote aí: 60 ml de rum, 15 ml de mel e suco de um limão. Bata tudo em uma coqueteleira com gelo que vai ficar parecido).

Depois, são apresentadas as versões blend do rum: Vanilla, Coffee, Coconut e Mandarin Liqueur. Todos, aliás, são bem gostosos – e uma boa forma de introduzir sua garota no mundo do destilado, caso ela ache o sabor da bebida muito forte.

A Rhumerie de Chamarel não é a única fábrica de rum do país, mas é a mais famosa. Todo o interior da ilha é ocupado por plantações de cana, chá, café, baunilha, tabaco e cacau: 60% da economia local é agrícola. As demais são a indústria têxtil, o turismo e as atividades financeiras (lembre-se que Seychelles fica logo ali).

Dinarobin Resort Aérien Hôtel

 (reprodução/Divulgação)

Maurício tem 2.040 quilômetros quadrados, pouco mais que a cidade de São Paulo. Mas a população de lá é de 1,2 milhão de pessoas, meros 10% dos 12 milhões da maior cidade brasileira. E, no ano passado inteiro, a ilha recebeu pouco menos de 1 milhão de turistas, a maioria vinda da Europa, de países como França e Reino Unido.

Com cuidado para não dirigir depois de beber na Rhumerie (especialmente porque dirigir na mão contrária já é quase como estar bêbado), siga para o noroeste da ilha, em Grand Baie.

Se no sudoeste os vilarejos são menores e você fica basicamente restrito à vida dentro de seu hotel (por isso no Dinarobin e no Paradis há oito restaurantes e uma boate), mais para cima a vida é mais badalada. As comunidades são maiores, há opções de lugares para comer e mercados que vendem produtos locais (e também muita muamba falsificada). O passeio vale porque é nas ruas que se percebe a pluralidade da simpática população mauriciana e os cheiros típicos da região, de chá e curry.

Quando cheguei ao hotel Royal Palm e fui recebida com uma toalhinha úmida e gelada para me refrescar, pensei que havia zerado a vida. Aquilo certamente é o máximo de luxo que vou ser capaz de ver nesta encarnação.

Reaberto em outubro do ano passado depois de uma reforma enorme, em que o número de quartos foi reduzido para 69, o hotel de 30 anos tem agora a média de 4,5 funcionários por quarto. Enormes e decorados com extremo bom gosto, todos têm vista deslumbrante para o mar. O que eu fiquei tinha 120 metros quadrados, quase o dobro do tamanho do meu apartamento em São Paulo.

Os dois restaurantes têm atendimento primoroso e servem peixes deliciosos (comi até ouriço do mar e achei saborosíssimo). Um deles conta com uma área reservada para apenas 30 pessoas, para as quais o chef italiano Alessandro Morino faz pratos exclusivos mediante reserva prévia.

Piscinas aquecidas em frente ao mar azul, um pedaço de praia  de areias brancas e finas só seu com oferta de vários esportes aquáticos (lá, o barco já puxa você para fazer esqui ou wakeboard direto da areia), seis quadras de tênis e uma de squash, academia e um gigantesco spa com saunas, piscinas e aulas de ioga e pilates são as demais atrações.

No penúltimo dia por lá, fiz uma sauna a vapor, seguida de sauna seca e massagem relaxante com produtos da marca francesa Clarins. Afinal, organizar e contemplar uma agenda tão cheia de afazeres cansa.

A África do Sul é logo ali

A viagem de avião a partir do Brasil tem conexão na África do Sul. Portanto, por que não aproveitar uns dias na incrível Cidade do Cabo?

A mais cosmopolita cidade sul-africana parece uma mistura de tudo o que o Rio de Janeiro e a californiana São Francisco têm de mais charmosos. Quer praia? Lá tem. Uma antiga área portuária reformada com várias lojas e restaurantes? Tem também. Procura aventura, como mergulho com tubarões brancos, ou apenas apreciar uma imensa colônia de pinguins em seu habitat? Está no lugar certo.

africa-sul-viagem-turismo-boa-vida-vip O cenário de Wild Coast, na região do Cabo Oriental

O cenário de Wild Coast, na região do Cabo Oriental (Andrew Honey/Divulgação)

Agora, se sua intenção é provar vinhos deliciosos, ah, meu amigo, desloque-se alguns minutos para a região de Stellenbosh e pronto: chegou ao paraíso.

A Cidade do Cabo, ou Cape Town, é uma das cidades que mais recebem turistas do mundo. E não é à toa. Sua geografia é bem surpreendente: ela rodeia a Table Mountain, que tem esse nome porque tem o topo reto, como se fosse uma mesa. Tem de um lado o mar aberto do Oceano Atlântico e, do outro, uma baía. A seus pés, o Cabo da Boa Esperança, que já foi chamado de Cabo das Tormentas na época das grandes navegações.

Há vários museus, como o Robben Island, localizado na ilha em que Nelson Mandela ficou preso por 18 anos. A cidade tem ainda restaurantes ótimos, como o The Pot Luck Club, um local descolado e cheio de gente bonita, que serve tapas deliciosas e inventivas. Ou vida noturna agitada – vá para The House of Machines para ouvir boa música local ao vivo.

Para se hospedar bem, não há local mais charmoso do que o Belmond Mount Nelson Hotel, situado no coração da cidade com a vista da Table Mountain (as tarifas saem a partir de R$ 850). Lá dentro, o bar Planet é agitado e serve drinques deliciosos.

A “mauricinha”

Se no Brasil o drinque típico é a caipirinha, nas Ilhas Maurício o mais consumido é chamado ti punch, que apelidei de “mauricinha”. Veja sua receita, passada pelo barman do Paradis Hotel & Golf Club, onde provei uma deliciosa.

Ingredientes

  • 2 doses de rum
  • 1/2 dose de suco de cana (ou uma colher de açúcar mascavo)
  • suco de meio limão

Modo de preparo

Misture tudo num copo como os que servimos caipirinha e adicione gelo. Corte uma fatia de limão e coloque dentro do copo. Pronto!

Veja também
  • query_builder
  • query_builder
  • query_builder
  • query_builder

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s