“Lennon resistiu em dissolução dos Beatles”, diz assistente

Segundo ex-assistente pessoal de John Lennon, o cantor hesitou antes de assinar o contrato que determinou o fim oficial do grupo

Liverpool – Fundador dos Beatles, John Lennon hesitou antes de assinar o contrato de dissolução que determinou o fim oficial do grupo musical mais bem-sucedido da história, afirma May Pang, ex-assistente pessoal do lendário músico.

“John não queria assinar. No dia marcado para a reunião, ele enrolou até o último minuto e acabou decidindo não comparecer. Ele repetia ‘não consigo assinar, eu simplesmente não consigo assinar”, contou May Pang, que está em Liverpool (Inglaterra), cidade natal dos Beatles, por ocasião do festival International Beatleweek.

Apesar de o grupo ter se separado em 1970, a dissolução oficial só veio a acontecer em 1974, devido a uma série de questões legais que ainda mantinham John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr atados uns aos outros.

A reunião que deveria selar o divórcio oficial dos Beatles foi marcada para Nova York. Harrison e McCartney viajaram da Inglaterra para os Estados Unidos, enquanto Starr assinou os papéis previamente e participou do encontro por telefone.

Mas Lennon, que morava a poucos quarteirões do local escolhido para a reunião, acabou por não aparecer, o que enfureceu os antigos companheiros de banda.

“George estava possesso, porque ele tinha feito uma longa viagem para resolver a situação, e John preferiu não ir. Recebemos a ligação de um dos presentes ao encontro e ele disse que George repetia sem parar que nunca perdoaria John por não ter ido. Quando John nos perguntou a respeito do telefonema, dissemos a ele que George tinha sido compreensivo e até o tinha convidado para uma festa”, lembrou a ex-assistente do beatle.

O contrato acabou por ser assinado somente no fim dezembro daquele ano, quando Lennon estava com May Pang e o filho, Julian, na Disney.

“Viajamos para as férias de fim de ano e um advogado nos levou os papéis. Foi uma situação surreal. Nós, na Disney, com aquela pilha de papéis com termos legais para ler e assinar”, disse.

Além de assistente pessoal de John Lennon, May Pang teve um relacionamento amoroso de 18 meses com o astro, um período que ficou conhecido como o “Fim de semana perdido” do músico, em que ele se mudou de Nova York para Los Angeles. Segundo Pang, a relação foi proposta pela própria Yoko Ono.

“Yoko entrou no meu escritório num dia pela manhã e disse que precisávamos conversar. Nós, os funcionários do casal, sabíamos que o relacionamento deles não estava bom, mas nunca falávamos sobre o assunto. Ela então me disse que eles não estavam mais se entendendo e que John começaria a ver outras pessoas. Foi nesse momento que ela sugeriu que ficássemos juntos, pois eu era solteira e seria uma boa companhia para ele”, contou May Pang, que no começo resistiu à ideia.

“Eu trabalhava para eles há quatro anos, não queria de maneira nenhuma fazer isso. E John também se assustou quando ficou sabendo da ideia. A gente passou a se evitar, porque não sabia como lidar com essa situação. Mas depois acabou acontecendo”, confessou.

Ainda de acordo com Pang, Lennon só voltou a morar com Yoko Ono porque ajudaria no seu processo para conseguir o ‘green card’ americano.

“Nós estávamos para comprar uma casa juntos, mas Yoko ligou e disse que ele estava pronto para voltar para casa. Perguntei a John como ficaríamos e ele disse que nada mudaria, que seria apenas para ajudar no seu processo de imigração. Mesmo depois que ele e Yoko voltaram a morar juntos, nós continuamos a nos encontrar. Nos encontramos por vários anos, até 1980 (ano em que o músico foi assassinado)”, afirmou ela.

A International Beatleweek sempre promove encontros e palestras com pessoas que fizeram parte da história da banda.

Na atual edição, além de May Pang, foram palestrantes os músicos Donovan e Peter Asher e a modelo Pattie Boyd, protagonista de um dos maiores casos de bastidores do rock ao se divorciar de George Harrison para se casar com Eric Clapton.

O festival, que acontece até a próxima terça-feira, reúne em Liverpool bandas de 20 países – sete delas do Brasil – e milhares de fãs dos Beatles de cerca de 70 nacionalidades. 

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