Malbec ganha o mundo

Uva típica da Argentina conquistou até os americanos

Malbec era uma uva irrelevante até o fim do século passado. Na França, seu país de origem, seu uso se restringia a uma parcela irrisória de alguns blends de Bordeaux, além de um punhado de vinhos rústicos da região de Cahors. Mesmo na Argentina, onde produz vinhos bem melhores que os da terra natal, a casta recebia pouca atenção: nossos vizinhos se preocupavam mais em fazer bebidas grosseiras de uvas pouco nobres, feitos para se tomar aos litros em copos de vidro grosso.

Duas coisas mudaram a sorte da malbec: a obstinação do vinicultor argentino Nicolás Catena, que em meados dos anos 1990 decidiu dar tratamento VIP à uva esquecida, e a dura crise econômica que se abateu sobre o  país no início dos anos 2000.

Catena atraiu para Mendoza o enólogo americano Paul Hobbs (hoje dono da Viña Cobos). Ambos mudaram as práticas da viticultura local e fizeram os primeiros malbecs premiados mundialmente. A depressão econômica fez desabar o preço dos terrenos argentinos e trouxe uma avalanche de investimentos estrangeiros.

Os mercados da Argentina e do Brasil foram conquistados imediatamente pelos vinhos escuros, densos e frutados, de ótima relação custo-benefício. O público americano está capitulando agora: outra crise, a de 2008, fez com que os gringos buscassem vinhos mais baratos, sem abrir mão da qualidade. Encontraram, obviamente, o malbec argentino.

De Mendoza, a malbec foi transplantada com sucesso para outras áreas da Argentina, como a Patagônia (sul) e Salta (norte). Avançou para o Chile e navegou para a Califórnia e a África do Sul. Em Cahors, onde é prata da casa, recuperou a atenção dos vinicultores graças à reputação que conquistou lá fora.

Difícil achar um vinho que traga mais prazer por real investido que o malbec argentino. Sugiro abaixo alguns rótulos para você abrir em 17 de  abril, o dia mundial do malbec. Ou na data que preferir.

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