Mesmo dispensado, Cairo Santos é peça-chave para a NFL no Brasil

O paulista é a referência para uma nova geração de brasileiros que sonham com uma carreira no futebol americano

CHARLOTTE, NC - NOVEMBER 13: Cairo Santos #5 celebrates after kicking a game winning field goal to defeat the Carolina Panthers 20-17 during their game at Bank of America Stadium on November 13, 2016 in Charlotte, North Carolina. (Photo by Streeter Lecka/Getty Images)

 (Streeter Lecka/Getty Images)

O quarto ano de NFL de Cairo Santos, o primeiro brasileiro na principal liga de futebol americano do mundo, tinha tudo para transformá-lo como um dos principais kickers da competição.

Porém, em uma liga tão competitiva, qualquer deslize pode custar a posição e até a carreira.

No último sábado (30), foi constada uma piora na lesão na virilha que Cairo sustentava desde a pré-temporada, agravada após uma pancada de um jogador do Los Angeles Chargers durante a partida válida pela semana 3 da NFL.

O kicker do Kansas City Chiefs foi colocado na lista de machucados, mas acabou sendo dispensado da equipe. A previsão de retorno aos campos era de seis semanas.

O contrato de Cairo acabaria no final desta temporada. Com isso em mente, os Chiefs já se movimentaram para liberar espaço no elenco, que é limitado a 53 jogadores.

DENVER, CO - NOVEMBER 27: Kicker Cairo Santos #5 of the Kansas City Chiefs celebrates after making the game-winning field goal in overtime against the Denver Broncos at Sports Authority Field at Mile High on November 27, 2016 in Denver, Colorado. (Photo by Justin Edmonds/Getty Images)

 (Justin Edmonds/Getty Images)

Em posições mais flexíveis — e kicker é uma delas — a rotatividade é enorme. Cairo pode voltar para seu antigo time ou jogar em outra equipe ainda este ano.

Em comunicado via Instagram, o jogador agradeceu aos técnicos pela oportunidade de atuar na NFL, e frisou que seu objetivo é retornar à liga.

Ainda ressaltou seu recorde de chutador com melhor aproveitamento em field goals da história da equipe.

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Farewell, Kansas City! First and foremost I would like to thank Clark Hunt, Andy Reid, John Dorsey, and Brett Veach for the incredible opportunity to play for such a great organization like the Chiefs. I would also like to thank Coach Toub, Brock Olivo, and Rod Wilson for helping me develop into the player I am today. I am also immensely grateful to have been a part of the Chiefs Kingdom. We shared some great memories that I will remember forever. To Dustin Colquitt, James Winchester, and Thomas Gafford, and the rest of my teammates, I learned a great deal of character hanging around you guys. You guys will always be my brothers. It feels strange to leave this way. But leaving on top of the list of the Chiefs Record Book in career field goal percentage is a huge honor. It is important to trust the process and most importantly to trust God's plan. As far as my injury, it is only something minor that will only take a few weeks to recover fully. And I am looking forward to getting healthy and to come back stronger than I have ever been. God Bless Kansas City, and thank you for the last 3 and a half years!

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Desbravador

O momento atual de Cairo em nada tira seus méritos. Em três anos como kicker dos Chiefs, se tornou um dos mais confiáveis chutadores da liga.

Mais que isso: de olho em sua expansão global, a NFL viu no kicker um embaixador do esporte no Brasil, país em que ela começa traçar planos para receber jogos em um futuro próximo.

“Há fãs brasileiros de outras equipes que torcem pelos meus chutes, mesmo quando estou jogando contra o time deles”, diz o atleta de 25 anos, nascido em Limeira (SP) e criado em Brasília. “Por isso, sinto a necessidade de retribuir esse prestígio quando estou no Brasil.”

Por retribuir, Cairo se refere às clínicas de futebol americano que vem organizando. Para a primeira edição desse training camp, realizada em junho de 2016 no Estádio do Canindé, em São Paulo, Cairo abriu 150 vagas.

Segundo ele, seria apenas “um termômetro para testar a popularidade do evento”. Em menos de uma semana, já havia 1 500 inscritos, dos quais foram selecionados 180.

Em julho último, Cairo repetiu a dose no Estádio do Nacional, também na capital paulista, para 200 pessoas.

Enquanto o primeiro camp abordou todas as posições de jogo, neste ano o foco ficou apenas no chamado special team, do qual o kicker brasileiro faz parte no Chiefs.

Essa formação é considerada especial justamente por entrar em campo em situações específicas. Como no momento da tentativa do field goal (chute que vale três pontos) ou no extra point (tiro de bonificação que, se convertido, rende um ponto a mais ao time que marca um touchdown).

Pode parecer um clichê, mas os brasileiros têm maior facilidade quando o assunto é dar um chute forte na bola, seja ela redonda ou oval.

Entre os participantes que se destacaram no segundo training camp estava o paulistano Luis Felipe Guarita, 18 anos.

Ele venceu o desafio de chutes a distância ao acertar um field goal de 50 jardas (45,7 metros) – o chute mais longo da carreira de Cairo foi de 54 jardas (49,3 metros).

“A chegada do Cairo ao nível profissional foi fundamental para me motivar”, garante o aspirante a kicker. Luis Felipe mora nos Estados Unidos desde os 12 anos, mas se interessou pelo football há apenas dois.

Assim como o “pupilo”, Cairo começou sua trajetória na modalidade numa high school. Destacou-se e conseguiu uma bolsa integral para estudar administração em Tulane, faculdade em Nova Orleans.

Em 2012, no terceiro ano da graduação, Cairo foi eleito o melhor kicker do campeonato universitário. Pelos dados do Education USA, órgão do governo americano que orienta candidatos às vagas nas universidades, atualmente 19 mil brasileiros estão matriculados em faculdades do país.

Desses, pouco menos de 10% participam das equipes esportivas dessas instituições de ensino.

Hoje, o brasileiro mais próximo de repetir o feito de Cairo e chegar à NFL é o paulistano Rafael Gaglianone, que disputa a concorridíssima conferência Big Ten pela Universidade de Wisconsin.

Gaglianone admite que ter Cairo na liga facilita seus planos. “Ele ajuda a quebrar a resistência a jogadores não americanos”, diz o camisa 27 de Wisconsin, que ainda tem mais dois anos na equipe universitária antes de tentar a transição para a NFL.

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