O segredo para viver uma vida mais saudável e feliz com base em seus relacionamentos

Substitua o Facebook por uma "saideira" e aproveite o guia com quatro dicas fáceis para melhorar suas amizades e sua saúde

Todos querem ter uma vida longa, saudável e feliz. Isto é um fato. Acontece que uma enorme quantidade de pesquisas científicas apontam para uma só questão: relacionamentos. Por quê? Porque, aparentemente, estamos fazendo muita coisa errada no meio do caminho. Pelo menos é o que explica Susan Pinker em seu livro The Village Effect (ou “Como o Contato Tête-à-tête Consegue Nos Deixar Mais Saudáveis e Felizes”, em tradução livre). Conheça abaixo quatro passos importantes que você deve seguir se quiser começar a viver uma vida melhor:

Relacionamentos = Saúde

  (Créditos: Wikimedia)

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Ir à academia é tão importante quanto dar atenção a “sua gata” — chega, inclusive, a ser cerca de três vezes melhor. De acordo com um trecho retirado diretamente do livro, “um estudo norte-americano feito com quase três mil indivíduos mostra que pessoas com amizades próximas tendem a morrer mais velhas e, em 2004, uma epidemiologista sueca descobriu que a taxa mais baixa de demência é encontrada em pessoas com extensos círculos sociais.”

Sim, ser solitário pode te matar. Como a própria autora explica, “negar-se a ficar próximo de pessoas que são importantes para você é menos perigoso que o hábito de fumar um cigarro por dia, hipertensão ou até obesidade”.

Mas aí você pensa que tem centenas de amigos no Facebook e utiliza o Whatsapp todos os dias, certo? Mas…

Relacionamentos online não contam

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Você pode ter zilhões de amigos no Facebook e mesmo assim se sentir sozinho. A proximidade emocional com alguém diminui 15% a cada ano que vocês não se encontram pessoalmente.

O livro conta: “em um estudo sobre o efeito do uso da internet em relacionamentos sociais feito com adultos de 18 a 63 anos de idade, o psicólogo holandês Thomas Pollet descobriu que o tempo que você gasta utilizando redes sociais resulta em mais contatos online, mas isso não é o mesmo que conexões offline ou o sentimento de estar próximo de alguém.”

Quanto mais tempo você passa online, menos tempo você gasta com seus amigos. A pesquisa também mostra que para cada e-mail que você envia ou recebe, pode-se subtrair um minuto gasto (pessoalmente) com aqueles que você ama. Na verdade, utilizar a internet para procurar por conexões sociais aumenta a sensação de isolamento. Assim, quando você utiliza o tempo que você passa na frente do celular/computador para organizar reuniões cara-a-cara, sua felicidade aumenta. Quando você utiliza-a como um substituto, gera a infelicidade.

Então ok, encontros e conversas cara-a-cara realmente são importantes. Mas qual tipo de relacionamento você procura?

Você precisa de uma comunidade

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“Ter contatos” espalhados por aí te ajuda a arranjar um emprego, mas não te ajuda em tempos mais complicados. Ser feliz e viver mais requer a formação de uma comunidade composta por pessoas que tenham pensamentos similares aos seus (mesmos gostos culturais, opiniões sobre assuntos político-sociais, que frequente lugares que você curta, etc.). E eis uma má notícia: morremos antes das mulheres. Temos que aceitar isso como um fato em nossas vidas, já que acontece ao redor do mundo todo. Exceto na Sardenha.

Lá, a quantidade de laços sociais fortemente construídos é absurda. “Em qualquer outro lugar, homens não chegam aos 80, mas uma vez que os homens da Sardenha viveram a fase mais nova de sua vida adulta, cheia de riscos e aventuras adolescentes, eles tendem a viver mais que suas mulheres e irmãs — além dos 90 anos de idade”, conforme é contado na obra.

Antes que você pense que é um fator genético, estudos revelam que a genética conta só 25% para a longevidade. E a explicação também não está na “vida limpa”. A população de Loma Linda, na Califórnia, por exemplo, não consume água em excelente estado nem respira um bom ar mas vive, em média, seis anos a mais que a média mundial, através da socialização e a realização de reuniões com base em crenças religiosas. Pessoas religiosas vivem mais, porém, não é a religião em si a explicação para isso, já que fiéis aumentam interações sociais com a comunidade. E, por conta disso, a religião conta muito mais que diversos remédios. E há um exemplo no livro: “frequentar serviços religiosos aumenta a felicidade e diminui o risco de doenças cardiovasculares e de morte […] Epidemiologistas sugerem que ir à igreja é mais eficaz que Lipitor [droga estatina, utilizada para abaixar os níveis de colesterol no sangue], adicionando uma média de dois a três anos para a vida de uma pessoa”.

Então conhecer seus vizinhos pode salvar sua vida. Logo, todos aqueles problemas pessoais realmente importam. Mas e no trabalho?

Amizades no trabalho também importam

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Encontros cara-a-cara trazem mais confiança do que a troca e-mails ou que um telefonema, e isso aumenta sua produtividade. Do livro: “grupos menores que se comunicam pessoalmente são mais coesivos. Há mais confiança dentro do próprio grupo, o que facilita pedidos de ajuda de quem precisa. Como resultado disso, estes grupos são mais produtivos, especialmente quando o problema é mais complexo.”

Um estudo da Universidade de Harvard mostra que quanto maior a distância de cientistas que colaboravam entre si, menos influente era o resultado de seu trabalho. Isaac Kohane explica que a distância geográfica dos cientistas de um mesmo grupo tornava a pesquisa feita por eles menos influente na sociedade. Quer ser mais feliz e mais produtivo? Tire seu intervalo de almoço na mesma hora que seus companheiros de trabalho. Isso melhorou a performance, aumentou a quantidade de sorrisos e fez com que a empresa participante de tal estudo ganhasse U$ 15 milhões a mais.

Portanto, cumprimente seus colegas com um aperto de mão, abraço ou um high-five. Estes toques pequenos fazem com que nosso corpo libere oxitocina, o que reduz o stress e aumenta a confiança.

Resumo

  • Relacionamentos = saúde. Três vezes mais poderoso do que um exercício.
  • Relacionamentos online não contam. Não substitua o Facebook por um café ou uma “saideira”. Utilize a tecnologia para organizar encontros, não substituí-los.
  • Faça parte de uma comunidade. Seja engajado com grupos daqueles que tem pensamentos similares aos seus.
  • Os relacionamentos no trabalho importam: vá aos intervalos com seus colegas e dê-nos um high-five.

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