O triunfo dos vinhos de garagem

As microvinícolas de Bordeaux mudaram a cara da região produtora mais tradicional da França

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Os míticos solos calcários da região de Saint Émilion, em Bordeaux, sentiram, nos anos 90, o chacoalhar de um terremoto chamado Jean Luc Thunevin. Ex-DJ e ex-lenhador que não vem de família ligada ao tradicional universo do vinho bordalês, ele causou furor ao produzir uma bebida de sucesso monumental em uma parte do mundo marcada por uma hierarquia aristocrática centenária, que normalmente não acolhe forasteiros rebeldes com os braços abertos.

Com seu Château Valandraud, Thunevin inseriu em Bordeaux o conceito de vinho de garagem: minúsculas produções (15 mil garrafas por ano, contra 300 mil de um Château Mouton-Rothschild, por exemplo), de vinhedos não tão famosos, onde um trabalho árduo de seleção de uvas e de técnicas de vinificação resulta em vinhos de sabor intenso e preços astronômicos. Com predominância de uvas Merlot, são perfeitos para serem degustados puros ou com carnes gordurosas.

Mas foi apenas em novembro passado que esse movimento foi aceito na elite da enologia mundial, com a subida do Château Valandraud ao alto da classificação dos vinhos de St. Émilion, o classement – o sistema só inclui os mais importantes vinhos da região em sua lista de Premiers Grands Crus Classés. Com todo o sucesso, os vinhos sofreram críticas. Muitos dizem que são concentrados demais, de teor alcoólico muito elevado, com excessivo sabor de carvalho. A influente crítica inglesa Jancis Robinson os acusa de não apresentarem as características do terroir de onde vêm. O mais importante crítico da bebida de nossa era, o americano Robert Parker, rebate, perguntando-se por que esses críticos têm medo do novo. Ele considera que os garagistes representam o que há de mais alegre no vinho: diversidade e energia criativa.

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