Pesquisa revela detalhe intrigante nas animações da Disney

Duas linguistas descobriram que as princesas nas novas animações da Disney não falam tanto quanto seus personagens demandam

São Paulo – Duas pesquisadoras descobriram que, apesar de as novas princesas da Disney, em animações a partir de 1989 até 2013, serem retratadas como heroínas que lutam por seus direitos, elas falam menos do que os homens em seus filmes

No filme A Pequena Sereia (1989), por exemplo, as mulheres falam apenas 32% de todos os diálogos do roteiro. Em Mulan (1998), em que uma jovem salva a China, as personagens femininas têm 23% das falas. 

O blockbuster Frozen, que tem duas princesas como protagonistas, separa 41% dos seus diálogos para as mulheres. Os únicos filmes recentes que possuem mais falas para personagens femininos são Valente (2012) e Enrolados (2011) com 74% e 52% respectivamente.

Além disso, segundo o estudo das linguistas Carmen Fought e Karen Eisenhauer, mesmo quando elas estão no papel de protagonistas, as mulheres têm falas muito menores atualmente se comparadas com os diálogos das princesas dos anos de 1930 e 1950. 

As personagens femininas falam de 50% a 70% dos diálogos nos filmes Cinderela (1950), A Bela Adormecida (1959) e Branca de Neve e os Sete Anões (1938), enquanto as novas princesas da Disney têm menos que um terço das falas.

Os dados são preocupantes, pois revelam que os clássicos da Disney, que mostravam as princesas como donzelas em perigo à espera do príncipe encantado, davam mais espaço para as mulheres falarem do que as animações atuais. 

Os resultados até agora são preliminares, pois as duas pesquisadoras ainda estão analisando cada linha dos diálogos de 12 animações da Disney com princesas no papel de protagonista entre os anos de 1937 e 2013. 

Em Hollywood

Não é só nas animações da Disney que a escassez de falas para mulheres existe. Nos filmes de Hollywood isso também acontece com frequência, de acordo com o crítico de cinema Kevin B. Lee.

Ele analisou os dados dos filmes que foram nomeados ao Oscar em 2014 para o New York Times e descobriu que os indicados ao prêmio de melhor ator apareceram, em média, 85 minutos na tela de seus filmes. Já as indicadas a melhor atriz passaram apenas 57 minutos na frente da câmera.

No ano anterior, esse número foi ainda maior. Enquanto os homens ficaram 100 minutos, em média, na tela de um longa, as mulheres ficaram 49 minutos.

Nem tudo está perdido

Apesar desse retrocesso encontrado pelas pesquisadoras, elas também descobriram algo interessante: nas novas animações com princesas, 40% dos elogios dirigidos a mulheres envolvem suas habilidades e realizações, enquanto apenas 22% envolvem suas aparências físicas.

Nos longas clássicos, 55% dos elogios que as mulheres recebiam tinham alguma relação com a aparência e apenas 11% tinham a ver com suas habilidades ou realizações.

Fought e Eisenhauer contaram ao jornal Washington Post que acreditam que o seu estudo ajuda a entender como o entretenimento está ensinando meninas e meninos sobre os papéis de gênero.

“Nós não acreditamos que as meninas agem de uma certa maneira ou falam de uma determinada maneira naturalmente”, diz Fought. “Elas não nascem gostando de um vestido rosa. Em algum ponto nós as ensinamos. Assim, uma grande questão é onde as meninas obtêm suas ideias sobre ser meninas”, explica.

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