Por que estalar o corpo não é tão ruim quanto parece

Se você é viciado em se torcer em busca dos sonidos relaxantes, já pode respirar aliviado.

Estalando a Coluna

 (Pixabay/Reprodução)

Dedos das mãos, joelhos, cotovelos, pescoço, coluna, punhos. Enquanto houver coisas a se esticar, haverá a mania.

Se você não é amaldiçoado por esse hábito incontrolável de tirar a ferrugem das juntas, com certeza conhece alguém que vive isso todo os dias.

Outra certeza é de que, alguma vez na vida, você já ouviu seus avós falando: “Para de fazer isso, vai dar problema na velhice!”. Pois é.

Talvez as broncas de infância sejam mais tabu do que verdade.

Primeiro, entenda o que significa aquele estouro ardido por entre suas articulações.

Segundo Alon Garay, cirurgião ortopédico especializado em mãos na cidade de San Diego, Estados Unidos, quando damos a esticada em um dos membros, um espaço se forma entre os ossos.

Ao se fazer um movimento brusco – aquela forcinha a mais – cria-se uma forte pressão e os novos buracos (até então vazios) praticamente “sugam” uma substância chamada de líquido sinovial.

O ruído popular acontece justamente por fazermos esse fluido passar de um lugar para o outro, também por conta da pressão que as novas lacunas criam.

Como esses pequenos vãos precisam de um preenchimento, eis que… POP. Habemus estralum.

Massagem no ombro

 (Pixabay/Reprodução)

Na contramão das críticas, um experimento desse fenômeno em tempo real, publicado em 2015, chega para desmistificar a coisa.

Dados do estudo mostraram que pessoas com uma rotina estralante têm as mesmas chances de sofrerem com inchaços, enfraquecimento e perda dos ligamentos quanto pessoas avessas à religiosa prática de apertar as junções do corpo em busca do alívio.

As vitórias do time do estralo não param por aí.

Outra pesquisa, desta vez submetida em 2017, descarta as correlações feitas entre o vício e a formação de sintomas futuros de artrite — também usados nas duras que recebíamos quando crianças.

Garay explica ainda que o “esticão” não é tão diferente nas outras partes do corpo.

Nas costas, por exemplo, temos um terreno ainda maior para desbravar, mesmo que exija uma carga de força um pouco maior do que a usada nos mãos.

O único alerta dado pelo médico vai para o pescoço.

Segundo o especialista, o dano não ocorre tanto pelo “crack” em si, mas sim pela possível lesões nos tendões que são torcidos no ato.

A recomendação, então, é não meter as mãos em regiões próximas à cabeça por contra própria.

Os viciados nos pequeninos estrondos podem ficar bem tranquilos. Não é preciso recorrer a uma sessão nos Estralantes Anônimos.

Optar pela quiropraxia já é um bom começo.

Mesmo sendo considerada uma medicina alternativa, os especialistas são verdadeiros peritos em esticar seu corpo da maneira correta.

Por isso, na dúvida, procure pessoas especializadas para estraladas mais específicas.

Quanto aos dedos, joelhos e ombros, fique tranquilo: estalos sem estragos andam juntos.

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