Por que sair da zona de conforto melhora (para valer) sua vida

Há quanto tempo você não perde o fôlego? Qual foi a última vez que sentiu a mão suar? Se você não se lembra, precisa agir

Paraquedas

 (hdwallsource/Reprodução)

O dia a dia mata a gente, todo mundo sabe. O cansaço, o estresse, as pressões da crise…

Não raro, afundamos na preguiça e, com o passar do tempo, perdemos o papel de protagonistas para nos tornarmos meros espectadores da própria vida.

Para combater isso e inspirá-lo a sair da mesmice, conversamos com três grandes aventureiros brasileiros.

Eles garantem que os benefícios de se atirar no desconhecido vão além dos ganhos com a saúde — chegam a afetar carreira e relacionamentos!

 

Elabore um plano de ação, por Carlos Burle (surfista)

 Crédito: Fernando Lemos

Crédito: Fernando Lemos (/)

Louco, não: louco por adrenalina. Carlos Burle deixa claro que só se joga num desafio quando de fato se sente preparado.

“Planejamento é uma das coisas mais importantes para mim.

Minha alimentação, meus exercícios, meu estilo de vida é todo estruturado para que em momentos como aquele eu esteja em condições de enfrentar a situação da melhor forma possível.”

Desafiar esses monstros do mar requer muito preparo – e a habilidade de planejar é apenas um dos benefícios que a aventura oferece para a vida indoor de quem a pratica.

Montar uma apresentação antes de tentar fechar um grande negócio, por exemplo, requer preparação. O tempo que você passa escolhendo, pensando e organizando as ideias fazem parte desse processo de planejamento.

E, acredite, a prática de aventuras melhora essa capacidade. “Todo o planejamento que você teve para enfrentar o desafio se reflete em outras áreas da vida.

O esforço, a disciplina, muitas vezes o trabalho em equipe, a determinação e até mesmo o preparo físico podem ser replicados na carreira e nos relacionamentos”, explica o médico Renato Anghinah, coordenador do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo.

Isso não quer dizer que você precise surfar uma onda de 30 metros para aprender a se planejar melhor (ainda bem).

Aventurar-se vai além das descargas de adrenalina na corrente sanguínea – representa uma autodescoberta e entendimento sobre quais são seus limites e medos.

Você pode testá-los em uma viagem, em uma corrida de kart, em uma maratona com os amigos…

E, independentemente do que você decidir fazer, o mais importante é não desistir logo de cara.  A palavra-chave é persistência.

 

Saia da sua zona de conforto, por David Schurmann (cineasta e navegador)

 Crédito: Giullia Paulinelli

Crédito: Giullia Paulinelli (/)

“Acredito muito mais no esforço do que no talento. Nem todos têm talento, mas perseverança todo mundo tem.

O problema é que as pessoas desistem muito rápido”, observa David Schurmann, cineasta, velejador e integrante da primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro.

Daí a importância de se tentar mais e mais vezes, criar oportunidades e se mexer para alcançar seus objetivos.

“Isso estimula o cérebro a raciocinar fora da zona de conforto e, além de elevar aautoestima, traz satisfação pessoal”, diz o médico Renato Anghinah.

David Schurmann sabe bem o que é isso.

Com apenas 10 anos ele já embarcava na primeira aventura com a família, a Expedição 10 Anos no Mar, que começou em abril de 1984 e foi até maio de 1994.

“Passar tanto tempo no mar me ensinou sobre automotivação, tomada de decisões, organização e planejamento. Tudo isso me faz encarara vida de um jeito diferente do da maioria das pessoas, até nas pequenas coisas.

Por exemplo, quando meus amigos chegam em casa para um churrasco, eu já vou distribuindo as funções: um assa a carne, outro pega a cerveja, outro coloca a mesa. Isso tem a ver com o hábito de sempre planejar, de se organizar.”

Traçar uma estratégia para alcançar seu objetivo é pré-requisito para a aventura (qualquer que seja) dar certo.

Mas tenha em mente que nem sempre as coisas seguem à risca aquilo que foi planejado. “Seu rumo não é um trilho de trem, pode mudar a qualquer momento, e saber lidar com essas mudanças requer perseverança e teimosia”, diz Schurmann.

Teimosia no sentido de persistência – não desistir por causa de uma alteração nos planos.

 

Mantenha os pés no chão e tenha medo, por Rodrigo Raineri (montanhista)

 Crédito: divulgacão

Crédito: divulgacão (/)

Tão importante quanto o planejamento, o medo é essencial para colocar seus pés no chão. Sem ele você se torna um ser imprudente, sem nada a perder.

Imagine o carão que você passaria na apresentação de um novo projeto caso não tivesse sentido aquele friozinho na barriga antes e, por isso, não tivesse se preparado?

Ter medo não é sinal de fraqueza: está mais para um sinal de alerta que faz você repensar muitas vezes antes de decidir fazer algo (geralmente estúpido e que você se arrependeria depois).

“O medo é saudável, nos mantêm vivos”, conta o alpinista Rodrigo Raineri, único brasileiro a conquistar o cume do Monte Everest três vezes e líder de 11 missões ao Monte Aconcágua.

Só para pontuar: o Monte Everest, na Cordilheira do Himalaia, é a maior montanha do mundo, com 8 848 metros de altura.

Já o Aconcágua fica na Argentina, nos Andes, e é a maior montanha da Terra fora da Ásia, com 6 961 metros.

Em um mundo ideal, todos venceriam seus medos sem problema algum e depois sairiam correndo para o abraço.

Mas a gente sabe que na vida real não é bem assim. “Em minha primeira expedição ao Everest, tive que voltar quando estava a menos de 50 metros do cume”, diz Rodrigo.

O problema é que, se ele chegasse ao topo, poderia ficar tarde demais para descer – o que, quando se trata da montanha mais alta do planeta, pode custar a vida.

A decisão é extremamente difícil: envolvia todo o esforço para chegar tão pertinho, todo o frio que passara, todo o tempo de planejamento, o dinheiro que investira.

Acha que isso o traumatizou? Pelo contrário: só serviu para motivá-lo a desbravar o gigante e, nos anos seguintes, consagrar-se três vezes vitorioso.

“Não estou ali para atingir um objetivo a qualquer custo. Estou em um aprendizado, em uma autossuperação. Tem coisas mais importantes que atingir o cume – voltar para casa, por exemplo.”

Os sete cumes escalados por Rodrigo

Os sete cumes escalados por Rodrigo (Rodrigo Raineri/Divulgação)

As tentativas, os acertos, os erros – seu cérebro não desperdiça nenhuma experiência.

Conforme você se aperfeiçoa em algo e pratica com frequência até atingir o tão sonhado ideal, é possível replicar o método utilizado nessa conquista em outras áreas da vida.

A psicóloga Patrícia Bader, do Hospital São Luiz, em São Paulo, explica: “Quando o homem consegue superar um desafio, ele experimenta uma sensação intensa de bem-estar, e tudo que é vivido com excesso de afeto deixa uma marca psíquica.

Essa marca é uma memória que pode ser reativada em outras situações que não tenham semelhança direta com o que de fato gerou aquela memória”.

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