Procuram-se mulheres para a Fórmula 1

Os dirigentes desejam que a principal categoria do automobilismo deixe de ser um Clube do Bolinha

Marta García já está na Renault com apenas 17 anos

Marta García já está na Renault com apenas 17 anos (Divulgação/Revista VIP)

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) começou a se mexer para corrigir uma distorção histórica: a ausência quase total de mulheres no Mundial de Fórmula 1.

Numa era com igualdade dos gêneros em diversas áreas, elas tiveram pouquíssimas chances. Desde 1950, mais de 800 pilotos participaram de ao menos um GP – mas só duas mulheres foram para o grid de largada, e outras três não se classificaram.

A última a correr um GP foi a italiana Lella Lombardi, que largou em 12 entre 1975 e 1976.

Também foi a única a marcar ponto – no caso, meio ponto pelo sexto lugar no GP da Espanha de 1975, no Circuito de Montjuïc, em Barcelona (na época, só os seis primeiros pontuavam, e o sexto colocado ganhava um ponto, mas como a corrida foi interrompida no meio, os pontos foram divididos por dois).

Antes dela, sua compatriota Maria Teresa de Filippis correu em três GPs em 1958 com uma Maserati.

Outra italiana foi a última a disputar um treino oficial, há 25 anos. A rica herdeira Giovanna Amati conseguiu vaga na Brabham e fez mais treinos na África do Sul, México e Brasil, no começo de 1992.

Teve o pior tempo nos três, entre oito e dez segundos acima da pole. Foi dispensada e substituída pelo futuro campeão Damon Hill.

DUNEDIN, NEW ZEALAND - MAY 11: Michele Mouton of France drinks Champagne after competing in the 2008 Rally Of Otago on May 11, 2008 in Dunedin, New Zealand. (Photo by Hannah Peters/Getty Images) “Competência é mais importante que gênero” Michèle Mouton, vice-campeã do Mundial de Rali de 1982

“Competência é mais importante que gênero” Michèle Mouton, vice-campeã do Mundial de Rali de 1982 (Hannah Peters/Getty Images)

O que está sendo feito para mudar esse cenário? No último GP de Mônaco, em maio, a VIP presenciou um debate promovido pela FIA sobre os avanços de sua comissão Mulheres no Automobilismo, criada há oito anos e liderada pela icônica francesa Michèle Mouton, vice-campeã do Mundial de Rali em 1982.

“A base ainda é pequena, mas conseguimos o aumento do número de mulheres trabalhando em diversas áreas do automobilismo, como chefe de equipe, engenheiras, comissárias, no marketing, design etc. A competência é mais importante que o gênero”, disse Mouton.

De fato, no kart, categoria de base para a F1, o número de meninos praticantes é muito maior. Como entrar na F1 é algo muito difícil (são apenas 20 vagas por ano e só uma ou duas são abertas para novatos em cada temporada), o acesso das mulheres fica ainda mais complicado.

Vale lembrar que o automobilismo, assim como o hipismo, é um dos poucos esportes em que as mulheres competem de igual para igual com os homens. A força física é importante, mas o grande diferencial é o mental.

Tatiana Calderón está integrada à equipe Sauber

Tatiana Calderón está integrada à equipe Sauber (Divulgação/Revista VIP)

“A presença das mulheres tem crescido no esporte a motor e elas vão lutar por seus sonhos, inspirando também as jovens engenheiras e, claro, as futuras pilotas”, diz Jean Todt, presidente da FIA.

VIP conversou em Mônaco com duas jovens que almejam alcançar um lugar na F1 e se destacar, como fez a americana Danica Patrick na Fórmula Indy e na Nascar – ou, em âmbito brasileiro, Bia Figueiredo na Stock Car e Débora Rodrigues na Truck.

Bem promissora é a espanhola Marta García, 17 anos. Após ganhar o importante torneio de kart da FIA Academy em 2015, estreou na F4 e, em 2017, assinou contrato para o programa de jovens talentos da Renault.

“As mulheres podem competir de igual para igual com os homens. Só precisamos ter apoio para chegar à F1”, disse Marta à VIP.

Susie Wolff foi pilota de testes da Williams

Susie Wolff foi pilota de testes da Williams (Divulgação/Revista VIP)

Essa também é a meta da colombiana Tatiana Calderón, 24 anos, que já é do programa de desenvolvimento da Sauber e compete na GP3, dois degraus abaixo da F1.

“É uma questão de tempo. As mulheres já chegaram a posições importantes na F1 e será assim também como pilotas”, completa Tatiana.

Muitas das mulheres da F1 apontam como inspiração o jovem e atrevido Max Verstappen.

Ao ser questionado sobre isso, o holandês brincou: “Elas falaram isso pela minha beleza ou pela minha pilotagem?”. Depois, corrigiu-se e emendou a sério: “É ótimo que a gente tenha mais diversidade no grid, mas elas precisam ser competitivas”.

A escocesa Susie Wolff, última mulher a ir para a pista num fim de semana de GP (correu com uma Williams nos treinos livres do GP da Inglaterra de 2014, mas não esteve nos classificatórios), é esposa de um dos dirigentes da categoria: Toto Wolff, que comanda a Mercedes, campeã dos últimos três Mundiais com Lewis Hamilton e Nico Rosberg.

Susie Wolff durante treino livre da Fórmula 1

Susie Wolff durante treino livre da Fórmula 1 (Divulgação/Revista VIP)

Apesar de Toto também ter sido piloto, em casa a britânica se impõe. “Quem fica com as chaves do carro? A gente disputa um pouco. Amo pilotar, mas deixo-o dirigir às vezes”, contou Susie.

Pensando que, com a troca de donos, a categoria vive uma fase inédita de democratização e aproximação com os fãs, o aumento do papel das mulheres parece mais palpável.

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