Voz de Edith Piaf ainda vibra 100 anos após seu nascimento

As músicas de Piaf seguem vigentes e nas últimas semanas foram ouvidas nas homenagens às vítimas dos atentados de 13 de novembro

A mítica voz de Edith Piaf, que, este ano, teria completado 100 anos, continua maravilhando o mundo, e sua terra natal, a França, lembra a artista em uma série de homenagens, como a publicação de biografias, cartas e novas gravações.

Édith Giovanna Gassion, seu nome verdadeiro, nasceu no número 72 da rua Belleville de Paris, afirma há mais de 50 anos uma placa comemorativa.

“Nas escadas desta casa nasceu, em 19 de dezembro de 1915, em meio à indigência, Edith Piaf, cuja voz comoveu mais tarde o mundo”, afirma a placa.

Robert Belleret, autor do livro “Edith Piaf, viver para cantar”, explica, no entanto, que na realidade ela nasceu no hospital Tenon, perto dali.

“Ao mesmo tempo, é verdade que graças a sua voz quase sobrenatural esta menina de Paris, esta flor do asfalto, conquistou o planeta e ainda vibra em nossas memórias”, afirma o biógrafo.

As músicas de Piaf seguem vigentes e nas últimas semanas foram ouvidas nas homenagens às vítimas dos atentados de 13 de novembro.

Coincidindo com o centenário de seu nascimento, assim como aconteceu há dois anos com os cinquenta anos de sua morte (em 10 de outubro de 1963), foram publicados diversos livros que lembram sua carreira, seus amores e sobretudo as canções da “Môme” Piaf.

O livro de Belleret reproduz documentos oficiais, entre eles a certidão de nascimento, mas também cartazes, cartas e artigos jornalísticos.

Piaf também protagoniza um livro de memórias de sua amiga Ginou Richer (“Piaf, mon amie”), uma biografia escrita por Claude Fléoute (“Édith Piaf, dix minutes de bonheur par jour, c’est déjà pas mal”) e um livro com uma centena de cartas que escreveu ao seu confidente Jacques Bourgeat entre 1936 e 1959 (“Lettres à l’ami de l’ombre”).

Novas gravações

2015 foi o ano de Piaf na França. No início do ano houve uma grande exposição na biblioteca nacional francesa (BNF) de Paris, na qual foi possível ver, entre outros, seu famoso vestido preto.

Também foi inaugurada uma nova estátua no museu de cera da capital e a cantora foi protagonista em julho do festival de música Francofolies, na cidade de Rochelle.

E Charles Aznavour, que foi seu secretário e escreveu letras para suas canções, prestou homenagem a ela em um disco publicado em maio, “De la môme à Edith”.

Mas não há nada melhor para celebrar seu centenário que ouvir novamente suas canções.

A princípio não restam canções inéditas a serem descobertas desde que em 2003 foram publicadas seis.

Ainda assim, o selo Warner aproveitou o centenário para publicar seus arquivos, neste caso canções gravadas por Piaf a partir de 1946.

Trata-se de um conjunto de 350 temas, entre eles os mais conhecidos, que foram remasterizados a partir de discos de vinil novos de 78 rotações e de gravações originais, todas elas reunidas em 20 CDs.

Segundo o diretor artístico da edição, Mathieu Moulin, era um dever atualizar este repertório “sem distorcê-lo”, como aconteceu com as primeiras gravações de Piaf, entre 1936 e 1945.

Esta nova edição, explica Moulin, permitiu corrigir imperfeições que existiam em algumas canções. É o caso de “Le bal dans ma rue” (1949), da qual só se conhecia até agora uma versão muito rápida em relação à original.

O trabalho da discografia também permitiu descobrir que Piaf gravou em algumas ocasiões duas versões da mesma canção, como nos casos de “Jezebel” (1951), “Les Amants de Venise” (1953) ou “Heureuse” (1953).

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