Arie Halpern: a revolução na tecnologia das próteses

Arie Halpern é economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas e diretor da Gauzy Technologies.

Mais qualidade de vida a quem necessita usar próteses – esse é um dos mais importantes feitos dos avanços da tecnologia nos campos da medicina e da robótica. Hoje, elas são feitas de materiais mais leves, capazes de “executar” movimentos quase naturais — sobem escadas, correm e pegam objetos com muito mais eficiência. As próteses de hoje são dotadas de tecnologia que permite simular o movimento de juntas, como joelhos e tornozelos. A chegada da impressora 3D fez com que o acesso ao equipamento alcançasse um número maior de pessoas. Além disso, a criatividade passou a ocupar espaço na criação das peças de hoje: elas podem ser artísticas ou até mesmo substituir seu braço por tentáculos.

A função da prótese é aumentar a capacidade motora de uma pessoa que nasceu ou perdeu um membro durante a vida, mas é possível que, em algumas décadas, consiga melhorar a capacidade motora mesmo de quem possua todos os membros biológicos. Tome-se o exemplo do engenheiro e biofísico norte-americano Hugh Herr. Durante pesquisa para desenvolver um novo modelo de próteses, Herr e os outros pesquisadores do MIT estudaram a forma de caminhar e correr de diversas pessoas com membro biológicos e criaram uma estrutura de exoesqueleto usando os mesmos princípios do membro biológico. Os exoesqueletos agem nos músculos como força de rotação, fazendo com que o usuário não precise gastar energia ao caminhar. Segundo Herr, uma pessoa com fisiologia normal pode utilizá-lo por 40 minutos e, ao retirá-lo, se sentir incomodado ao andar com as próprias pernas. As implicações disso para a humanidade são enormes. Podemos pensar em seu uso em situações militares ou em fábricas, onde os trabalhadores precisam carregar peso com frequência, ou até mesmo no caso de pessoas idosas ou que possuam algum tipo de doença, como a artrite.

Hugh Herr, responsável pelo exoesqueleto, é coordenador de um centro de pesquisa no MIT que desenvolveu a prótese BiOM. Com mais de 900 usuários no mundo, a BiOM funciona simulando perfeitamente o movimento de um tornozelo. O modelo é tão inovador que uma ex-dançarina que perdeu uma perna no atentado de Boston, em 2013, conseguiu voltar a dançar.
O sistema de propulsão biônico do BiOM funciona por meio de uma bateria, dois microprocessadores e seis sensores que ajustam a rigidez do tornozelo, assim como sua energia, posição e amortecimento milhares de vezes por segundo. Primeiro, no calcanhar, o sistema controla a rigidez do tornozelo para absorver o choque e empurrar a tíbia para a frente. Então, algoritmos geram flutuações de energia, dependendo do terreno, para impulsionar o usuário para cima e para frente.

Um entrave para a popularização das próteses de alta tecnologia são os preços. O tornozelo biônico de Herr custa US$ 50 mil. Segundo o portal TechCrunch, próteses nos Estados Unidos custam entre US$ 5 mil e US$ 50 mil, o que pode ser prejudicial principalmente para crianças. Enquanto um adulto precisa trocar de prótese a cada cinco anos, em média, uma criança precisa trocá-la com muito mais frequência, devido ao crescimento típico da idade e às maiores chances de que o membro sintético quebre devido ao uso descuidado.

Pensando nas dificuldades financeiras das pessoas que necessitam de próteses, empresas começaram a investir na fabricação de membros sintéticos a partir da tecnologia 3D. Além de mais barato, a prótese por impressão 3D é muito mais rápida para ser produzida. Uma das empresas que se dedicou à fabricação de próteses 3D é a Enable Community Foundation. Utilizando a ajuda de voluntários em uma rede global, a Enable fabrica próteses personalizadas, que podem chegar ao consumidor a um custo de US$ 50. Assim, crianças e adultos podem receber membros sintéticos projetados especialmente para suas necessidades sem ter de se preocupar com o valor gasto.

À medida em que avançam as tecnologias das próteses e dos exoesqueletos e os preços se tornam mais acessíveis, o que é possível vislumbrar num futuro próximo é que os membros biônicos mudarão a forma como todos nós lidamos com o nosso corpo.

Website: http://ariehalpern.com.br/

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