Brasileiros na crise: aumento das dívidas demanda mais controle financeiro

Pesquisas apontam que os brasileiros estão mais endividados em 2016. A boa notícia é que o controle do orçamento familiar e novas modalidades de investimentos vêm ganhando cada vez mais adeptos para escapar da crise.

Em tempos de crise, controlar os gastos e se manter no orçamento não é algo fácil. Com as taxas de desemprego em alta e a economia em marcha lenta, os brasileiros estão precisando economizar mais que o usual.

Entretanto, nem sempre a conta fecha no fim do mês. Muitas pessoas não têm um planejamento financeiro bem definido e acabam deixando de pagar as contas. Tanto é que a taxa de inadimplência bateu recordes em 2016.

Segundo pesquisa da Serasa Experian , em março foram 60 milhões de brasileiros inadimplentes. Isso representa 41% da população com mais de 18 anos no Brasil e as dívidas somam mais de 250 bilhões de reais. Esses dados são os maiores registrados desde 2012, quando o monitoramento da empresa teve início .

Só no primeiro trimestre de 2016, foram mais de 2 milhões de brasileiros figurando na lista de inadimplência. Os números têm fundamento, já que o início do ano é sempre um desafio no orçamento pois é quando surgem gastos importantes como material escolar, IPTU e IPVA.

Famílias no vermelho

Os dados sobre a condição econômica das famílias brasileiras em 2016 também são alarmantes. Ainda de acordo com a Serasa, as dívidas relacionadas às contas de água e luz chegaram a 17,9% do volume total de inadimplência. O índice aumentou em comparação a 2015. Ano passado o segmento registrou 15,1% do montante.

Isso fez com que o fornecimento de água, luz e gás alcançasse o segundo lugar no ranking de débitos em atraso, perdendo apenas para bancos e empresas de cartão de crédito. O segmento de serviços também apresentou alta significativa, somando 11,4% do total.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou dados que comprovam o endividamento familiar no país. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) indicou que no mês de junho 58,1% das famílias brasileiras estão endividadas. Isto é, mais da metade dos núcleos familiares em todo o país estão com as contas atrasadas.

Contudo, os resultados vêm demonstrando uma leve melhora. Em comparação a junho do ano passado, houve recuo de 3,9% no volume de famílias com dívidas. De maio para junho de 2016 também foi possível perceber essa queda, já que de um mês para o outro houve diminuição de 0,2%.

Mudança de atitude

A quantidade de pessoas com dívidas é expressiva, mas os brasileiros já estão começando a se adequar à conjuntura econômica desafiadora. Uma das primeiras iniciativas que se busca fazer nesse contexto é cortar gastos supérfluos. O controle financeiro também fica mais rigoroso quando as taxas da inflação e os juros elevados acabam pesando bastante no bolso.

Outra forma que os brasileiros encontraram de burlar a crise são os investimentos. Com a inflação nas alturas, a poupança já não se mostra uma alternativa interessante para investir. Por outro lado, os brasileiros estão migrando para novas modalidades de investimento mais rentáveis. A própria Bolsa de Valores, que era bastante estigmatizada como algo exclusivo das elites, vem ganhando cada vez mais adeptos.

A BM&F Bovespa publicou em maio deste ano dados impressionantes. No Brasil, a quantidade de pessoa física em atividade na bolsa cresceu mais de seis vezes entre 2002 e 2016. Os números subiram de 85 mil para 560 mil pessoas cadastradas nesse período. A presença feminina também teve aumento exponencial. De 2002 até 2016, a quantidade de mulheres na bolsa de valores cresceu mais de oito vezes.

Para Márcio Placedino, a mudança de comportamento dos investidores brasileiros é fruto de uma melhora na consciência financeira. “Com o país nessa situação, priorizar o controle financeiro se tornou uma atividade cotidiana. E os investidores querem encontrar alternativas que sejam mais interessantes para fazer o dinheiro render”, explica Márcio Placedino, analista e planejador financeiro com certificado CFP®.
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