Cooperativismo cresce como ferramenta para a dignidade

No mundo atual, em que tantas pessoas estão sofrendo, seja por fome, guerra ou outras questões, percebemos que aqueles conhecidos capitalismo e comunismo não permitiram que as pessoas pudessem ter uma vida mais digna, com mais humanidade

No mundo atual, em que tantas pessoas estão sofrendo, seja por fome, guerra ou outras questões, percebemos que aqueles conhecidos capitalismo e comunismo não permitiram que as pessoas pudessem ter uma vida mais digna, com mais humanidade.

Nas várias vertentes do budismo, fala-se sobre o caminho do meio, o caminho que levará, não somente a pessoa, mas todos, à plena felicidade e realização. Mas, se o capitalismo e o comunismo não funcionaram, qual seria o possível caminho do meio? Nesse momento entramos com o cooperativismo.

José Luiz Tejon, que dirige o Núcleo de Estudos de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que o cooperativismo é a ferramenta que trará a dignidade humana, pois é “a organização do trabalho, sua valoração e uma filosofia educadora, realista e assentada em valores.”

O cooperativismo nos traz grandes exemplos quando falamos sobre dar dignidade às pessoas. Por exemplo, as cooperativas que têm como finalidade ter em seus quadros egressos do sistema prisional, já que eles não terão oportunidade em nossa sociedade. Essas pessoas aprendem valores que darão um significado na vida de cada um, aprendem valores que antes não foram aprendidos.

Tejon vai mais a fundo ao dizer que as cooperativas não deixam nenhum cooperado para trás. “A cooperativa tem como seu valoroso alicerce procurar não deixar cooperados para trás, ou seja, lutar para que todos possam progredir.

Isso permite propor para a grande maioria a chance do sucesso, e não apenas a tradicional Lei de Pareto, onde apenas os 20% mais vocacionados ou adaptados vencem. E, conforme as circunstâncias, não mais do que 2% ou 5%. Essa luta real para dar dignidade a todos é de fato uma marca espetacular das cooperativas que são bem lideradas”, diz Tejon.

O sistema cooperativista em todo mundo é norteado por sete princípios, entre eles, o da “preocupação pela comunidade”.

Mas, como o cooperativismo pode efetivamente mudar o ambiente onde está inserido? Simples. Onde existe uma boa cooperativa e com bons seres humanos na liderança, a comunidade em seu entorno será muito melhor, como confirma Tejon: “A qualidade de vida será superior. O impacto sobre tudo na cidade e na região ficará favorecido. Esse efeito já ocorre, basta prestar atenção. Creio no modelo cooperativista como uma proposta fundamental de qualquer governo.”

O cooperativismo no Brasil tem muito a crescer e a comunicação é essencial para que possa ser apresentado como a ferramenta que está mudando a sociedade e dando dignidade às pessoas por todo o planeta. Por outro lado, não se deve esquecer das crianças. Elas são o futuro e se, desde cedo, aprenderem sobre o cooperativismo, poderão dar um novo rumo para o país, pois serão difundidos valores como honestidade e integridade.

“Trabalho, educação, visão de longo prazo; expulsar o assistencialismo e o populismo; buscar a ciência, a tecnologia, o conhecimento, o treinamento para fazer dentro das melhores práticas; mostrar como os melhores atuam e buscam imitar os mais vocacionados e bem-sucedidos” – essas são algumas das qualidades das cooperativas apontadas por José Luiz Tejon. Além disso, carregam o poder do diálogo e da participação de todos nas decisões.

Sem dúvida, o cooperativismo é o caminho do meio, é a ferramenta que dará não somente renda e oportunidade de trabalho, mas trará a dignidade humana de forma igualitária.

Entenda o que é o Princípio 80/20, a Lei de Pareto

Também conhecida como Princípio 80/20, essa lei foi criada pelo cientista político, sociólogo e economista Vilfredo Pareto com base na constatação de que 80% das consequências – seja na organização socieconômica, seja em um negócio ou processo empresarial – advêm de 20% das causas. Vilfredo nasceu em 1848, em Paris, e morreu em 1923, em Céligny, na Suíça. Ele desenvolveu sua teoria ao observar que 80% da riqueza da Itália pertenciam a 20% da população, o mesmo ocorrendo na Inglaterra. Obviamente, a relação entre causa e efeito não é exatamente 80/20, mas algo próximo dessa proporção.

O Princípio 80/20 pode ser usado em muitas situações, como na constatação de que 80% da poluição são causados por 20% dos países ou de que 80% do faturamento de um negócio provêm de 20% dos clientes. Para o engenheiro e professor Julio Battisti (www.juliobattisti.com.br), o Princípio 80/20, ao afirmar que “existe um forte desequilíbrio entre causas e efeitos, entre esforços e resultados e entre ações e objetivos alcançados, pode ser um auxiliar valioso para nossa carreira pessoal”. Ou seja: “uma minoria de ações leva à maior parte dos resultados e, em contrapartida, uma maioria de ações leva à menor parte dos resultados”.

Julio Battisti elenca várias outras situações para ilustrar o Princípio 80/20: 80% do total de vendas estão relacionados com 20% dos produtos; 80% dos lucros de uma empresa estão relacionados a 20% dos produtos; 80% dos lucros estão relacionados com 20% dos clientes; 80% dos acidentes de trânsito são causados por 20% dos motoristas; 80% dos usuários de computador usam apenas 20% dos recursos disponíveis; em 80% do tempo usamos 20% de nossas roupas; 80% das pessoas preferem 20% dos sabores ou cores disponíveis; 80% dos resultados são obtidos por 20% dos funcionários.

Tejon, uma vida de sofrimento e superação

O jornalista e publicitário José Luiz Tejon, nascido no Brasil, é descendente de espanhóis. Sua mãe estava grávida quando desembarcou em nosso país. Antes mesmo de nascer, enfrentou dificuldades. A família não teve condições de cuidar dele e José Luiz foi adotado por um casal de imigrantes que não poderiam ter filhos. Isso tudo na cidade de Santos.

Aos quatro anos sofreu uma terrível queimadura, que destruiu sua face. Sobreviveu por um milagre, mas nesse acidente danificou os pulmões numa mistura de cera e gasolina. Até os 15 anos se submeteu a inúmeras cirurgias plásticas. Tejon mostrou desde pequeno como superar as dificuldades e daí pode ter surgido sua apaixonada defesa de oportunidades para todos através do cooperativismo.

Hoje, além de renomado palestrante, dirige o Núcleo de Estudos de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Entre outros títulos, está doutorando em Ciência da Educação pela Universidad de La Empresa, no Uruguai (vai defender sua tese em junho de 2016), e mestre em Arte e Cultura pela Universidade Mackenzie. Ganhou diversos prêmios, como o Top of Mind de RH do Estadão. Em 2015, Tejon passou a integrar o Hall da Fama pela Associação Brasileira de Marketing – ABRAMARK – e foi eleito prêmio Destaque Imprensa pela AEASP (Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo). Entre os seus 32 livros de autoria e coautoria publicados está “O Código da Superação” (Gente Editora), lançado em 2012.

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