Panamá pode mediar crise entre Venezuela e Colômbia

O governo do Panamá defende o diálogo para encontrar uma solução pacífica que ponha termo às diferenças entre a Colômbia e a Venezuela, informou em nota

O Panamá mostrou-se disposto a contribuir para que a Venezuela e a Colômbia cheguem a uma solução pacífica para a crise na fronteira entre os dois países, fechada há dez dias por determinação do presidente Nicolás Maduro.

“O Governo da República do Panamá defende o diálogo para encontrar uma solução pacífica que ponha termo às diferenças entre a Colômbia e a Venezuela em matéria fronteiriça”, destacou o comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Panamá ao qual a Agência Lusa teve acesso.

Segundo o documento, a vontade de contribuir para uma solução negociada foi “manifestada pela vice-presidente e ministra de Relações Exteriores [panamenha], Isabel de Saint Malo de Alvarado, em conversações com as suas homólogas em Colômbia, Maria Ángela Holguín, e na Venezuela, Delcy Rodríguez, pondo-se o Panamá à disposição para continuar nessa via”.

“É um tema muito sério e que preocupa o Panamá, principalmente pelo bem-estar das pessoas afetadas. O governo do Panamá deseja o melhor para ambos os países, em benefício dos seus cidadãos e da região latino-americana”, concluiu o texto.

No último dia 24, o governo venezuelano publicou um decreto em que oficializou o estado de emergência em seis municípios fronteiriços com a Colômbia. O fechamento da fronteira foi justificado com base no combate aos grupos paramilitares, ao narcotráfico e ao contrabando.

O decreto presidencial suspendeu por 60 dias, prorrogáveis, garantias constitucionais nos municípios de Bolívar, Pedro María Ureña, Junín, Capacho Nuevo, Capacho Viejo e Rafael Urdaneta, do estado de Táchira.

O texto do decreto citou, entre os motivos, “a presença de circunstâncias criminosas e violentas vinculadas a fenômenos como grupos paramilitares, o narcotráfico e o contrabando”, ações “que rompem o equilíbrio do direito internacional, a convivência pública cotidiana e a paz”, provocando “violência contra cidadãos e funcionários venezuelanos no exercício das suas funções públicas”.

Ontem , a Venezuela também fechou as fronteiras dos municípios Lobatera, Ayacucho, García de Hevia e Panamericano, em Táchira, ao mesmo tempo em que reforçou a presença de militares na zona.

Desde a interdição da fronteira, mais de 1 mil colombianos foram repatriados e cerca de 7 mil abandonaram a Venezuela voluntariamente.

A decisão do governo venezuelano tem provocado preocupação em organismos internacionais como a União de Nações da América do Sul (Unasul) e a União Europeia.

Por outro lado, a Venezuela exigiu neste domingo (30) aos Estados Unidos que deixem de interferir nos assuntos bilaterais com a Colômbia, dez dias depois de Caracas decretar o estado de emergência nas localidades fronteiriças.

“Exigimos ao governo dos Estados Unidos que não se intrometa nos assuntos de índole estritamente bilateral entre a Venezuela e a Colômbia. A República Bolivariana da Venezuela condena as declarações do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, por revelarem uma ingerência nos assuntos internos”, escreveu, no Twitter, a ministra venezuelana de Relações Exteriores.

Segundo Delcy Rodríguez, a situação fronteiriça entre a Venezuela e a Colômbia obedece ao “desdobramento” do Estado colombiano no combate ao paramilitarismo e ao narcotráfico e promove a instabilidade da economia venezuelana por meio do ataque à moeda e do contrabando de combustível e de diversos tipos de produtos.

Na sexta-feira, John Kirby divulgou um comunicado em que manifestava a preocupação do governo norte-americano pela crise fronteiriça entre ambos países da América do Sul.

Ele destacou que as necessidades imediatas dos deportados ou deslocados devem ser atendidas.

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