Pesquisa demonstra destruição de valor das companhias brasileiras

O Instituto Assaf analisou os balanços de 227 companhias abertas (com ações em Bolsa) não financeiras de 36 setores da economia e constatou que as empresas tiveram prejuízo líquido consolidado de R$ 24,04 bilhões em 2015.

O levantamento envolveu mais de 50 indicadores econômico-financeiros e indicadores calculados de relatórios anuais consolidados.

Destruição de valor – O Prof. Alexandre Assaf Neto, pesquisador do Instituto Assaf, observa que o desempenho das companhias em 2015 foi pior que em 2008 (efeito de crise econômica mundial). A evolução real (descontada a inflação) das vendas foi negativa em 2,86%. O prejuízo líquido das companhias abertas produziu uma margem líquida negativa de 1,0%, sendo esse resultado negativo formado por 42,5% das companhias abertas.

O ano de 2015 foi particularmente difícil para as companhias, produzindo resultados ruins para os acionistas. E o mercado mostrou-se rigoroso com as companhias brasileiras, avaliando seu preço igual a 24,6% do valor contábil.

Direcionamento do valor adicionado: as despesas com pessoal consumiram 26,9% do valor adicionado das companhias em 2015, a remuneração do capital de terceiros (35,7%), a maior fatia foi para o pagamento de impostos, taxas e contribuições (39,3%), ficando a remuneração do capital próprio das empresas negativa em 1,5%.

Despesas financeiras crescem – O comprometimento das receitas de vendas para o pagamento de juros das dívidas cresceu em 2015. As despesas financeiras sobre vendas evoluíram de 5,0% em 2014 para 9,6% em 2015. “A relação despesas financeiras sobre vendas quase dobrou em 2015, indicando que as companhias pagaram mais juros”, diz o Prof. Alexandre Assaf Neto.

Os indicadores demonstram também uma tendência de maior dependência das empresas de ter rentabilidade em aplicações financeiras do que em seus resultados operacionais. Parte da ineficiência operacional é transferida para o preço de venda. “O baixo giro dos ativos devido ao processo recessivo da economia brasileira não permite que as empresas pratiquem preços mais competitivos”, diz o Prof. Alexandre Assaf Neto.

Giro do investimento – Os indicadores operacionais demonstram baixo giro do capital investido. Em 2015, cada R$ 1,00 de investimento produziu somente R$ 0,73 em venda. O retorno foi inferior ao do ano anterior (2014), quando cada real investido resultou em R$ 0,75 em vendas.

Evolução das vendas – As vendas em 2015 das companhias abertas analisadas cresceram 7,5% em relação ao ano anterior. A evolução foi, porém, abaixo da inflação oficial da economia no período (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA – 10,67%), indicando uma retração real (descontada a inflação) das receitas operacionais das empresas brasileiras. A evolução das vendas em 2014 em relação ao ano anterior foi de 7,6%. “Os resultados de vendas apurados em 2015 foram piores que os de 2014, reflexo direto da crise da economia brasileira”, afirma o Prof. Alexandre Assaf Neto.

Vida útil – A pesquisa demonstra, também, elevada vida útil dos ativos das companhias brasileiras. Os ativos em média são depreciados em 17 anos. “Prazos longos de vida dos ativos mostram baixa agregação tecnológica e menor eficiência operacional dos investimentos”, declara o Prof. Alexandre Assaf Neto.

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