Ricardo Guimarães comenta o retrocesso do faturamento de MPES Paulistas em abril

As micro e pequenas empresas são as que mais sofrem os efeitos da crise: setor registra queda de 12,4% em relação a abril de 2015

Ricardo Guimarães comenta o retrocesso do faturamento de MPES Paulistas em abril

As micro e pequenas empresas são as que mais sofrem os efeitos da crise: setor registra queda de 12,4% em relação a abril de 2015

Que a crise na economia estende seus braços sobre todos os setores, é fato consumado. Entretanto, as micro e pequenas empresas sofrem a força da recessão econômica diretamente. Segundo Ricardo Guimarães, presidente do Banco BMG, o faturamento registrado em abril de 2016 retrocedeu ao patamar observado em 2009. É a 16ª queda consecutiva nas comparações com períodos anteriores.

Os prejuízos para as MPEs Paulistas

Conforme cita o presidente do Banco BMG, o SEBRAE-SP apontou em sua Pesquisa de Conjuntura uma receita total de R$ 45,3 bilhões nas MPEs em abril último. Esse valor representa uma queda de 12,4% em relação ao mesmo período de 2015.

Esse dado é válido para toda a conjuntura das MPEs paulistas: Na avaliação regional, a região metropolitana foi quem mais sofreu, com queda de 18,8% enquanto o recuo registrado no interior foi de 4,8%.

O resultado menos drástico para a região do interior se deve principalmente em função do início de safras muito importantes para a economia, com a cana-de-açúcar, que impulsiona as vendas para as pequenas empresas locais.

No total, esclarece o presidente do Banco BMG, são R$ 6,4 bilhões a menos deixando de circular na economia nacional e no caixa das MPEs, visto que elas representam cerca de 20% do PIB do país.

2009 e 2016: O cenário se repete

Ricardo Guimarães lembra que o cenário de 2009 também era de crise econômica, em um cenário de implicações mundiais: O problema surgiu como um reflexo do desequilíbrio da maior economia mundial, os EUA, que sofreram com gastos excessivos em guerras no Afeganistão e Iraque, além da bolha imobiliária que resultou da política de abertura de crédito e consequente desvalorização dos imóveis.

A crise de proporções globais afetou as MPEs brasileiras e, novamente, a história se repete.

Os números das MPEs Paulistas em 2016

Os danos maiores foram sobre o setor de serviços, que sofreu uma queda de 16,2% em seu faturamento real, já se descontando a inflação. A seguir, informa Ricardo Guimarães, vieram as MPEs do setor industrial que registrou um faturamento 14,8% menor e, por último, o setor de comércio, marcando 12,8% a menos. Esse último, diretamente afetado pela queda no nível de consumo doméstico.

Essa visão, esclarece o presidente do Banco BMG, também se confirma na análise do período completo de 2016. Até abril, houve perda de 14,4% na receita real, comparando-se ao mesmo período de 2015.

Os fatores que contribuem para a queda de faturamento das MPEs

A crise econômica gera um cenário totalmente desfavorável ao mercado em diversos aspectos, enumerados por Ricardo Guimarães:

Com a queda do poder de compra, a população se retrai e o consumo é refreado, diminuindo diretamente a receita;
O desemprego implica diretamente na diminuição de consumo e pior: provoca aumento dos índices de inadimplência;
A inadimplência aumenta, as empresas perdem e as pessoas vão perdendo também opções de crédito;
Com a queda no faturamento, os postos de trabalho somem, aumentando ainda mais o desemprego, num ciclo vicioso, piorando o quadro de forma geral.

Essa queda nos postos de trabalho também está registrada quando se analisa o cenário das MPEs, comenta o diretor do Banco BMG. Houve diminuição de 4,2% na folha de pagamento, contra apenas 0,2% de variação positiva no rendimento dos empregados. A queda total registrada foi de 2,7% do pessoal ocupado.

O diretor do SEBRAE-SP, Bruno Caetano, conta que o mercado de trabalho costuma ser o último a conseguir se reerguer nos cenários de crise. Primeiro, as empresas precisam retomar o crescimento de faturamento e somente depois de estabilizadas recomeçam a abrir e reabrir postos de trabalho, informação que é corroborada pelo presidente do Banco BMG.

Ricardo Guimarães lembra ainda que, além das MPEs, ainda há o forte impacto sobre os MEIs, microempreendedores individuais, que registraram também uma forte queda no faturamento em abril: 19,9% já descontada a inflação do período, comparando-se a abril de 2015. No cenário acumulado de 2016, a situação não é melhor: foram registrados 24% de queda no faturamento real, sobre o ano anterior.

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