Seminário Internacional de Perdas, da ABES: experiências de São Paulo, Califórnia e Barcelona em destaque no encontro

De 5 a 7 de julho, a ABES está reunindo em São Paulo especialistas da Europa, Estados Unidos, África e América Latina para discutir os temas relacionados às perdas de água, com um público de mais de 500 profissionais do setor de saneamento.

As experiências no enfrentamento de crise hídrica de São Paulo, do estado americano da Califórnia e de Barcelona (Espanha) abriram as discussões desta quarta-feira, 6 de julho, primeiro dia de debates do I Seminário Internacional de Perdas e o Enfrentamento da Escassez Hídrica, realizado pela ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental em São Paulo, por meio de sua Câmara Temática Gestão de Perdas.

Em sua apresentação Paulo Massatto, diretor Metropolitano da Sabesp, destacou a evolução da companhia nos últimos 30 anos com relação às estratégias adotadas para redução de perdas nos municípios operados pela empresa.

Massato elogiou a iniciativa do seminário: “”A ABES é um agente importante para o setor de saneamento. Organizou este evento com especialistas de várias partes do mundo que trazem a profundidade de uma boa troca de informações. Os consultores internacionais estão aprendendo também sobre a prática brasileira. O evento é de muito sucesso, um ponto de partida para novas iniciativas da ABES, o fortalecimento do sistema de saneamento para benefício da população, manter a regularidade do abastecimento e trazer um custo acessível. A iniciativa fortalece o tema, pois nem sempre as organizações estão de olho na boa gestão de recursos de água. Há uma competição pelos recursos, implantação de novos sistemas e nem sempre o tema é priorizado nas empresas. O evento faz com que os gestores olhem com carinho e cuidado para o tema e na criação de recursos para cuidar das operações.””

A americana Sue Mosburg discorreu sobre a experiência da Califórnia em relação às perdas no contexto de uma crise hídrica, as ações implementadas antes, durante e depois, consequências e resultados.

Abordou os desafios para contornar a crise hídrica e as iniciativas do poder público, que criou leis para coibir o desperdício de água e reduzir o consumo, além de programas educacionais para treinar os funcionários das concessionárias, contratação de peritos e verificação dos medidores, entre outras.

Para a especialista, a discussão é importante porque toda área urbana luta contra a escassez de água, e cada uma dessas áreas faz algo bom, experiências com as quais outros podem aprender. “Em especial para mim, essa discussão é importante hoje porque há algumas coisas que nós fazemos nos Estados Unidos, em geral, e na Califórnia, que aprendemos com nosso passado. A seca que o Brasil vem enfrentando pode ser bastante útil para vocês do ponto de vista do aprendizado. E ainda há outros aspectos positivos, como as medidas de redução de pressão com que vocês trabalharam, nós nunca experimentamos algo desse tipo. Então ver que vocês são capazes de fazer isso e ver como a população lidou com isso, é bastante útil para nós. Temos grandes preocupações, como o que aconteceria se nos ficássemos sem água? O Brasil quase ficou, então isso não parece mais tão assustador.”

Enric Castellvi, da Aigues de Barcelona, relatou as medidas adotadas na experiência espanhola, antes, durante e depois da crise. O convidado afirmou estar impressionado com o evento promovido pela ABES. “500 pessoas em uma sala! Há muito tempo eu não via isso. Acredito que é um grande acerto da ABES em organizar esse encontro. E ainda que esteja relacionado com problemas de crises, acho que é um bom momento para falar de perdas de água. Pelo que conheço, o nível de perdas na América do Sul é mais alto do que o que ocorre em países europeus e norte-americanos. Mas acredito que o mais importante não é se comparar com outros países e outras cidades, mas trabalhar diretamente com o valor que cada um tem. Ver a continuidade e a evolução. Se todas as cidades americanas melhoram seu rendimento, ainda que seja baixo, é fantástico! Mas o importante é seguir passo a passo, ir comparando e melhorando tudo que se está fazendo a respeito do tema.”

Para o escocês radicado na África do Sul Ronnie Mckenzie, que falou sobre análises econômicas e técnicas de perdas nas redes de distribuição de água em situações de escassez hídrica, o evento é altamente profissional e organizado. E o grande número de participantes também o impressionou. “A qualidade do público e dos palestrantes é altíssima”, disse. Sobre a experiência brasileira, destacou o trabalho da Sabesp, que afirmou conhecer bem. “É uma excelente companhia. Eu não estou aqui para dizer a vocês como fazer, mas para ouvir e aprender com a experiência dos brasileiros.”

O painel foi coordenado pelo presidente da ABES-SP, Alceu Guérios Bittencourt, e o debate teve mediação do presidente nacional da ABES, Dante Ragazzi Pauli.

Alceu destacou a grandiosidade do encontro. “Há anos não havia algo essa dimensão no Brasil – de participação de especialistas internacionais e de comparações de situações. Vimos hoje, no primeiro painel, situações diferentes em quatro países do mundo sobre crise hídrica relacionada ao controle de perdas e uso racional da água. Foi muito interessante. Acho que, como vimos aqui, a cada crise, cada localidade, procuramos aprender com outras que já enfrentaram essa situação. A troca de informações é fundamental.”

Para Dante, o seminário, já em sua primeira manhã, cumpriu sua missão. “Foi muito abrangente porque é o objetivo do seminário saber o que os países fizeram para enfrentar as crises que tiveram. Muita coisa nos mostra que estamos no caminho certo. Em outras, estamos aquém. Os governos em outros países, como os citados aqui pela manhã, têm uma participação forte, seja com financiamento, seja implementando leis. Aqui, a situação fica mais por conta do operador. A Espanha e os Estados Unidos, por exemplo, têm mais dinheiro, tecnologia”, destacou. “Esse exercício de comparação e trocas de experiências é fantástico. Missão cumprida na primeira parte do evento.”

Na parte da tarde, os debates aconteceram em três salas distintas.
Leia mais em http://abes-dn.org.br/?p=3155

Com coordenação geral de Roberval Tavares de Souza, o Seminário acontece até esta quinta-feira, dia 7 de julho, no Hotel Holliday Inn Parque Anhembi, em São Paulo.

Leia também sobre a abertura do Seminário: http://abes-dn.org.br/?p=3141

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