XI Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos reuniu renomados especialistas em Belo Horizonte

Os temas das palestras foram centralizados no “Triângulo do Conhecimento do PMI ”, formado por três habilidades: técnicas, de liderança e de gerenciamento estratégico

De 13 a 15 de junho, o Instituto de Gerenciamento de Projetos (Project Management Institute – PMI-MG) em Belo Horizonte o XI Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos. Considerado o maior evento do setor na América Latina, o encontro reuniu renomados palestrantes nacionais e internacionais que participaram de debates, apresentaram cases, ferramentas e novas tecnologias utilizadas no gerenciamento de projetos. Aproximadamente 800 congressistas participaram do evento.

Os temas foram centralizados no “Triângulo do Conhecimento do PMI “, formado por três habilidades: técnicas, de liderança e de gerenciamento estratégico. No primeiro dia de evento, o diretor do centro de excelência em gerenciamento de projetos da IBM e um dos diretores do PMI , Steve Del Grosso, falou sobre como agregar valor à Gestão de Projetos, as perspectivas da profissão e desafios. “Deve-se estabelecer uma conexão entre estratégia e negócios, gestão de projetos e liderança dentro de uma empresa. Neste sentido, é preciso entender que um bom líder, para garantir o sucesso do seu negócio, deverá saber ouvir, manter o foco e ter intimidade com seus funcionários para entender suas necessidades e conhecê-lo o melhor possível”, conta.

O produtor executivo de mega shows e eventos internacionais, Sylvain Gauthier, que trabalhou na divisão de conteúdo criativo do Cirque du Soleil, dos Jogos Olímpicos de Pequim e na Fórmula 1 da China, falou sobre a gestão de projetos no mundo do conteúdo criativo. “Nessa área é imprescindível lapidar as ideias, saber lidar com o lado técnico e criativo, cuidar da comunicação, reunir e liderar um elenco de grandes talentos, gerir riscos, lidar com a mudança constante e com a diversidade, criar uma boa história e encontrar os investidores certos para fazer acontecer”, expõe.

O fundador da Samba Tech, um dos 50 empresários mais inovadores do Brasil pelo Meio&Mensagem e um dos 10 jovens mais inovadores do país pelo MIT, Gustavo Caetano, falou sobre inovação. Ele contou sobre sua trajetória, expôs cases e algumas estratégias dos novos modelos de empresas inovadoras. “Grandes companhias estão perdendo lugar no mercado, pois esqueceram de se reinventar. Dessa forma, as novas empresas ficam em vantagem, pois conseguem se inovar mais do que as grandes, além de estarem focadas em resolver um problema de cada vez. Desenvolvemos o que chamamos de “Estratégia Pinos de Boliche”, que foca num determinado problema e quando ele for resolvido, partimos para o próximo. Dessa forma, ele será solucionado com excelência e a partir disso novas ideias podem acabar surgindo. Além disso, essas empresas inovadoras estão, cada vez mais, se preocupam em oferecer serviços simplificados e que atendem às novas necessidades do consumidor atual”, conta.

Caetano também ressaltou a importância de ser flexível na gestão de projetos. “O futuro é imprevisível e as coisas estão mudando muito, então não fixe no planejamento e esteja disposto a mudá-lo de acordo com as novas situações que forem surgindo”, recomenda.

Outra palestra de destaque ficou por conta do economista mais influente do Brasil (Forbes e Klout), único brasileiro na lista dos mais importantes palestrantes mundiais do Speaker’s Corner, Ricardo Amorim. Ele falou “porque a economia deve melhorar e surpreender positivamente em breve com o melhor gerenciamento deste grande projeto chamado Brasil”.

Amorim falou sobre o cenário político atual brasileiro e abordou temas como o impeachment, delação premiada e o Petrolão. O economista também fez importantes comparativos entre política, economia e gestão de projetos. “Um bom governo e um bom gerente de projetos precisam manter um equilíbrio entre saber ouvir o que o outro tem a dizer e a não ceder sempre às pressões. Uma boa liderança é primordial para o sucesso”, avalia. Ao final, ele deixou uma mensagem positiva aos congressistas. “As grandes oportunidades surgem das grandes crises, pois elas nos tiram da zona de conforto e nos fazem tomar iniciativas. Se não fosse pela crise vivida no país, o brasileiro não teria saído às ruas exigindo que os corruptos fossem presos, por exemplo. A impunidade ainda reinaria. Como gestor de projetos, pense nisso como uma oportunidade de melhorar os seus serviços, seu atendimento e se tornar um profissional de destaque”, conclui.

Já o consultor em gerenciamento de projetos e membro do PMI PgMP Panel Review Committee, André Toso Arrivabene, abordou o tema: “Estratégia de Negócios no Mundo Real: sua estratégia pode estar errada?”. “Muito mais que definir uma visão e fazer análise SWOT, é importante superar forças estruturais que tendem a reduzir sua rentabilidade. Dessa forma, é preciso ir atrás de vantagens competitivas sustentáveis, que são atributos que fazem uma empresa ter um desempenho comparativamente melhor que seus concorrentes”, recomenda.

O sócio diretor da empresa Caldeira Marketing – Consultoria em Marketing e Vendas, e vice-presidente de Marketing da Assespro MG, Wilson Caldeira, falou sobre o conceito de Lean Startup para gerar inovação. “O maior inimigo da inovação é o sucesso. Quem deu errado não tem medo de inovar, já quem deu certo, tem. O momento atual exige saber testar e interagir com o cliente”, ressalta.

Outras palestras que também fizeram parte do Congresso são a do consultor, instrutor e professor em gestão de projetos e portfólios, Paulo Mei, que falou sobre “A Gestão Descomplicada de Stakeholders utilizando o modelo PM Mind Map®”. O diretor da Impariamo Cursos e Consultoria, pós-doutor em Educação pela UNESP, Armando Terribili Filho, palestrou sobre “Lições aprendidas: um instrumento de planejamento para tomada de decisão”; a especialista em programas acadêmicos, Ashley Forsyth, falou sobre o avanço do ensino de gestão de projetos; e o professor e engenheiro civil, Angelo Valle, falou sobre o futuro do Gerente de Projetos e a importância de saber gerenciar o conhecimento e o aprendizado.

As palestrantes Sandra Lage e Fabiana Bigão apresentaram seu artigo: “Gamification em Gerenciamento de Projetos: estudo de caso de uma grande construtora”. Lage realçou a importância da gamificação dentro das empresas. “A gamificação deve ser usada para motivar equipes a executarem suas atividades de forma a terem uma experiência de trabalho gratificante e divertida, com recompensas visíveis em função dos resultados alcançados”, ressalta.

O General de Brigada, Guido Amim Naves, ministrou a palestra “A gestão de portfólio de projetos do Exército Brasileiro”. “A cultura organizacional do exército é algo muito forte. Somos uma instituição com muitos valores e que preza pela disciplina e hierarquia, por exemplo. Isso acaba influenciando muito na nossa forma de gerenciar projetos dentro do exército, pois possuímos nossa própria sistemática de planejamento e nosso mapa estratégico”, diz.

O professor e Consultor na Fumsoft nos projetos SebraeTec, na área de inovação tecnológica, Fernando Zaidan, falou sobre “Gestão de Projetos de Games: uma estratégia de gestão e negócios em um mercado inovador”. Durante a conversa ele explicou como funciona o processo de criação de games, deu dicas e comentou sobre os desafios desse universo. “No mundo dos jogos tem que se dedicar muito e ter uma estratégia forte. Além de participar de vários projetos para ganhar expertise na área, é preciso também aflorar na equipe de produção de games a paixão pelo desenvolvimento”, conta.

Marcelo Szuster, MBA em Finanças pelo IBMEC, que ministrou palestra sobre “As forças por trás da transformação digital”; o coordenador acadêmico de MBA em Gerenciamento de Projetos e em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação, André B. do Valle que falou sobre “O gerente de projetos como fator estratégico para sucesso do projeto”; a Facilitadora de Desenvolvimento para a Vale, Hanna Meirelles, que ministrou palestra sobre como empoderar a verdadeira liderança; e o mestre em administração e gestão de projetos, pesquisador e professor em várias escolas de negócios e universidades brasileiras, Farhad Abdollahyan, falou sobre metas de desenvolvimento sustentável até 2030 e o papel dos gerentes de projetos.

O último dia do evento, quarta-feira (15) iniciou com um painel de discussão que teve como tema: “O impacto da crise na área de Gerenciamento de Projetos em diferentes regiões do país”. Grandes nomes fizeram parte dessa discussão, como o CEO da Excellence Gestão Empresarial e consultor, Adilson Pize; o diretor executivo da CAF Facilities Management e consultor, Carlos Augusto Freitas; o fundador do PMI Mato Grosso, Clebiano Nogueira; o IT Sr. Delivery Manager de uma multinacional americana no Brasil e professor em diversos cursos de MBA pelo país, Juliano Reis; a gerente de produtos e serviços na equipe projetos do Banco do Nordeste e voluntária do PMI , Raquel Ximenes e o presidente do PMI-PR e Coordenador Geral da Integração Nacional dos capítulos ou sedes do PMI no Brasil, Sergio Marangoni.

Os especialistas responderam perguntas feitas pelo diretor do PMI-MG , Leandro Siqueira, que mediou o debate. Cada participante, representando uma região do Brasil, deu um breve panorama da gestão de projetos em diversos setores da economia, contou suas perspectivas de mercado e os desafios enfrentados. Segundo Sérgio Marangoni, na região Norte existe uma escassez de profissionais da área de gerenciamento de projetos, pois a maioria dos gestores ainda insiste em construir carreira nas cidades da região Sudeste como Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “Precisamos de pessoas. As oportunidades de trabalho existem, basta se adaptar ao mercado”, diz.

O IT Sr. Delivery Manager, Juliano Reis, deixou uma mensagem aos congressistas. “O gerenciamento de projetos nunca foi tão necessário quanto agora. Antes as organizações tinham chance de errar, agora, com o erro, ela pode estar fadada ao fracasso. Por isso é tão importante que o profissional comece a investir nele mesmo, corra atrás de certificações e planeje sua carreira, pois dessa forma, quando o cenário melhorar, ele já estará pronto para o mercado e estará à frente dos concorrentes”, finaliza.

Uma das palestras finais contou com um fator surpresa. O consultor e professor nas áreas de governança, gestão e projetos, Thiago Ayres, que ministrou a palestra: “MotoRide Latin America: lições de um projeto de aventura em duas rodas”, entrou, juntamente com dois amigos, montado em suas motos.

Ayres, que atravessou seis países pela América Latina, falou sobre a importância do planejamento para se realizar uma viagem. “A viagem deve ser encarada como um verdadeiro projeto e diversos fatores precisam ser levados em consideração para garantir que a jornada seja bem sucedida. É necessário organizar, por exemplo, os horários, objetivos, determinar custos e definir roteiros”, diz. Segundo Ayres é preciso levar em consideração também os possíveis riscos de uma viagem. “Nem tudo, claro, pode ser planejado. Em uma das viagens, por exemplo, sofri um acidente com a moto que deu perda total, mas como fizemos um planejamento, garantimos mais de seis seguros, o que facilitou e muito a nossa vida”, finaliza.

A 12ª edição do Congresso será realizada em 2017 em Curitiba, no Paraná.

Website: http://www.pmimg.org.br/

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