Controladora de Louis-Dreyfus quer vender parte da empresa

A bilionária que controla a Louis Dreyfus está considerando vender uma participação minoritária na trading company para investidores externos

A bilionária que controla a Louis Dreyfus Commodities BV está considerando vender uma participação minoritária na trading company para investidores externos enquanto avalia opções para financiar a compra das ações restantes da família.

O fundo fiduciário familiar de Margarita Louis-Dreyfus, que detém 81 por cento da matriz da empresa, disse na quarta-feira em um comunicado que a empresa está aberta a “uma potencial parceria minoritária com investidores externos”.

O fundo fiduciário estava “totalmente preparado para aumentar ainda mais sua participação” na holding já que outros acionistas da família estão vendendo, disse.

Louis-Dreyfus está procurando levantar dinheiro depois que outros membros da família demonstraram sua intenção de ofertar ações, de acordo com fontes próximas à empresa, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é privado.

Ela está obrigada a comprar as ações por causa de um acordo antigo.

A venda potencial significaria uma aceleração em fusões e aquisições na indústria de comércio de commodities agrícolas, incluindo a compra, pela Mitsubishi Corp. de uma participação de 20 por cento na Olam International Ltd. no valor de cerca de US$ 1 bilhão em agosto.

A Glencore Plc está tentando vender uma participação minoritária em sua empresa de comércio de grãos.

A bilionária de 53 anos, com um patrimônio de US$ 4,4 bilhões, de acordo com estimativas da Bloomberg, comprou ações de parentes no passado utilizando recursos arrecadados com a venda de ativos e assumindo dívidas através de fundo fiduciário familiar chamado Akira BV.

Criado em nome de Louis-Dreyfus e seus três filhos, Akira possui empréstimos com Credit Suisse Group AG, totalizando US$ 575 milhões, aos quais foram adicionados US$ 475 milhões em junho, de acordo com documentos da empresa na Holanda.

Quatro grandes

Nascida na Rússia, Louis-Dreyfus aumentou sua participação na empresa de 50 por cento em 2008 para 81 por cento, de acordo com documentos da empresa. Ela é a acionista majoritária desde a morte de seu marido Robert em 2009.

Trazer investidores externos “poderia apresentar novas oportunidades de desenvolvimento de negócios” para a trading company, afirmou ela em um comunicado na quarta-feira.

Louis Dreyfus Commodities afirmou que controla cerca de 10 por cento dos envios globais de commodities agrícolas. Trabalha com matérias-primas que vão de algodão e grãos a suco de laranja e faz parte da liga maior de comerciantes do setor conhecidos coletivamente como “ABCD”.

O apelido vem das iniciais das empresas Archer-Daniels-Midland Co., Bunge Ltd., Cargill Inc. e a própria Dreyfus.

A busca por dinheiro segue um acordo que permite que outro membro da família, que não seja Margarita Louis-Dreyfus, venda no máximo 20 por cento das ações a cada ano até 2031, revelado pela primeira vez nos documentos da empresa em 2008.

O preço de compra é o “maior da participação de acordo com a última demonstração financeira consolidada disponível do Louis Dreyfus Holding Group BV e o valor justo de mercado”, de acordo com um documento da empresa.

Louis Dreyfus Holding BV detém cerca de 90 por cento da trading company, o restante pertence a funcionários da Louis Dreyfus Commodities, de acordo com seu website. A matriz tinha um valor patrimonial de US$ 6,2 bilhões em 2014.

Fundo de investimento soberano

Uma das possibilidades consideradas é a venda de uma participação minoritária em um fundo soberano de investimento, disseram as mesmas fontes.

No passado, ela se reuniu com Temasek Holdings Pte de Cingapura. A Temasek não quis comentar.

Louis-Dreyfus poderia estar considerando outras maneiras de levantar dinheiro.

No passado, Louis-Dreyfus conseguiu dinheiro com a venda de ações da Biosev SA, a produtora brasileira de açúcar e etanol controlada pela matriz, mas a empresa tem lutado com um fraco mercado de açúcar e suas ações caíram cerca de 31 por cento este ano.

A trading company, fundada em 1851 pelo comerciante de grãos Leopold Louis-Dreyfus, está enfrentando uma queda que afeta o setor da agricultura em geral.

A empresa, que tem operações em Genebra, Cingapura e EUA, declarou em 29 de setembro que o lucro do primeiro semestre caiu 50 por cento.

A empresa nomeou Gonzalo Ramirez como CEO em setembro, enquanto Louis-Dreyfus assumiu como presidente não executiva.

A empresa estava procurando um CEO permanente desde abril de 2014.

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