Bolsas da Ásia recuam após medidas do BCE

Ontem, o BCE voltou a cortar sua taxa de depósitos e ampliou a duração de seu programa de compra de ativos

São Paulo – As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada nesta sexta-feira, seguindo o movimento visto ontem na Europa e nos EUA, em meio à decepção com as novas medidas de estímulo monetário anunciadas pelo Banco Central Europeu (BCE).

Na China, pesou também nos negócios de hoje uma autorização para o lançamento de dez novas ofertas públicas iniciais (IPOs) de ações.

Ontem, o BCE voltou a cortar sua taxa de depósitos e ampliou a duração de seu programa de compra de ativos.

Muitos investidores, no entanto, esperavam que o BCE fosse ainda mais agressivo e aumentasse, por exemplo, o volume mensal de compras de ativos, atualmente em 60 bilhões de euros.

Para Kay Van-Petersen, estrategista para a Ásia da Saxo Capital Markets, em Cingapura, as medidas do presidente do BCE, Mario Draghi, foram uma “enorme decepção”.

Em reação ao BCE, as bolsas europeias e de Nova York registraram fortes perdas no pregão de ontem.

Nos mercados asiáticos, o índice sul-coreano Kospi caiu 0,99% hoje em Seul, a 1.974,40 pontos, enquanto em Taiwan, o Taiex recuou 0,7%, a 8.398,60 pontos. Na Bolsa de Hong Kong, o Hang Seng operava em baixa de 0,81%, a 22.235,89 pontos, perto do horário de fechamento.

As ações chinesas, por sua vez, também foram pressionadas pela decisão de Pequim de autorizar ontem dez novos IPOs, o que levou os investidores a reduzir posições à espera das futuras listagens.

A China retomou o processo de IPOs há cerca de duas semanas e a expectativa é que um total de 28 ofertas cheguem ao mercado antes do fim do ano.

“O anúncio de dez novos IPOs veio antes do que os participantes do mercado esperavam”, comentou Xiao Shijun, analista da Guodu Securities.

O Xangai Composto, principal índice acionário da China, encerrou o pregão desta sexta com queda de 1,7%, a 3.524,99 pontos, enquanto o Shenzhen Composto, de menor abrangência, recuou 0,5%, a 2.233,26 pontos.

Outro fator que inspirou cautela na Ásia foi o relatório de emprego dos EUA referente a novembro, que será publicado no fim da manhã.

Números do mercado de trabalho são cruciais para o futuro da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que vem sinalizando ter planos de começar a elevar juros na reunião dos próximos dias 15 e 16.

Os futuros dos Fed funds sugerem probabilidade de 79,1% de o BC dos EUA aumentar juros neste mês, segundo o CME Group.

Na Oceania, a bolsa da Austrália também foi influenciada pelo descontentamento geral com o BCE.

O S&P/ASX 200, que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, caiu 1,5%, a 5.151,60 pontos, em sua maior queda porcentual desde 9 de novembro.

Na semana, o índice australiano teve desvalorização de 1%.

O setor minerador continuou sob pressão em Sydney, diante da fraqueza dos preços das commodities.

Os papéis da BHP Billiton – que também enfrenta as consequências do rompimento de uma barragem da Samarco no Brasil, ocorrido no começo do mês passado – recuaram 1,4% e atingiram nova mínima em dez anos. A BHP é sócia da Vale na Samarco. Com informações da Dow Jones Newswires.

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