Dólar sobe e encosta em R$3,30 com exterior e ação do BC

Às 10:31, o dólar avançava 0,51 por cento, a 3,2815 reais na venda, após atingir 3,2980 reais na máxima do dia, com alta de 1 por cento

São Paulo – O dólar avançava para perto de 3,30 reais nesta terça-feira, em nova onda de mau humor nos mercados globais com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) e após o Banco Central atuar pela terceira sessão seguida para sustentar as cotações.

Às 10:31, o dólar avançava 0,51 por cento, a 3,2815 reais na venda, após atingir 3,2980 reais na máxima do dia, com alta de 1 por cento.

A moeda norte-americana havia subido 0,99 por cento na sessão anterior, marcada por baixo volume de negócios devido ao feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos.

O dólar futuro ganhava por volta de 0,3 por cento nesta manhã.

“A semana efetivamente começa hoje e o ambiente é negativo para o real. A preocupação com (a saída britânica da UE) voltou e a atuação do BC não dá espaço para o dólar cair mais”, disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Corrêa.

O referendo britânico do mês passado gerou forte volatilidade nos mercados financeiros globais, com a perspectiva de estímulos econômicos parcialmente compensando as turbulências financeiras.

A apreensão voltava a prevalecer nesta sessão, mesmo após o presidente do banco central britânico, Mark Carney, afirmar que a autoridade monetária provavelmente precisará oferecer mais estímulos econômicos.

No Brasil, o efeito do mau humor externo era potencializado pela atuação do BC, que vendeu pela terceira sessão consecutiva 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, retomando o instrumento após deixá-lo de lado por mais de um mês.

“O BC viu uma oportunidade e aproveitou. Parece a decisão correta, o mercado de fato estava comprando demais a ideia de um dólar baixo”, disse o operador de um banco nacional que opera diretamente com a autoridade monetária.

A ausência havia levado muitos investidores a apostar que o BC sob a batuta de Ilan Goldfajn seria menos propenso a atuar no câmbio do que sob seu antecessor, Alexandre Tombini.

Nesta manhã, o indicador à diretoria de Política Monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, afirmou que intervenções pontuais que sirvam para corrigir fortes distorções são práticas saudáveis desde que não alterem a trajetória da moeda.

Nesse sentido, operadores afirmaram acreditar que o BC não tem como objetivo manter o câmbio em algum patamar específico, querendo apenas moderar o movimento.

Muitos operadores acreditavam que Tombini almejaria proteger as exportações brasileiras de um dólar mais fraco.

Texto atualizado às 10h48

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