Ibovespa fecha em queda com apreensão sobre cena fiscal

A Bovespa fechou em queda após novos sinais da dificuldade do governo federal em promover o ajuste das contas públicas

São Paulo – A Bovespa fechou em queda nesta segunda-feira, após novos sinais da dificuldade extrema do governo brasileiro em promover o ajuste das contas públicas, com o envio da proposta orçamentária ao Congresso Nacional prevendo déficit primário em 2016.

O viés negativo em Wall Street, diante de dúvidas renovadas sobre quando o Federal Reserve começará a elevar os juros, endossou as perdas no pregão local, embora o declínio tenha sido limitado pelos ganhos das ações da Petrobras na esteira da disparada dos preços do petróleo.

O Ibovespa caiu 1,12 por cento, a 46.625 pontos. Na mínima, recuou mais de 3 por cento. O giro financeiro totalizou 9,2 bilhões de reais.

Nesta segunda-feira, o governo encaminhou ao Congresso Nacional proposta do Orçamento da União de 2016 prevendo um déficit primário do governo federal de 30,5 bilhões de reais no próximo ano, ou equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que o setor público consolidado, que inclui Estados e municípios, registre déficit primário equivalente a 0,34 por cento do PIB em 2016.

“Isso confirma toda a dificuldade do governo em reduzir gastos e intensifica o risco de perda da avaliação grau de investimento do país”, disse o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management.

O economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, avaliou que indicar um déficit primário no Orçamento, em vez de superávit, “significa admitir que o país não consegue se decidir por um caminho que evite o pior”.

“E significa também que não há consenso para transformar um desequilíbrio no presente em equilíbrio futuro. O resultado será uma dívida crescente. E um risco Brasil maior. Nesse caso, as agências de classificação provavelmente reduziriam o grau de investimento do Brasil”, afirmou Goldfajn, em nota a clientes.

Em agosto, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou perda de 8,33 por cento, pior desempenho mensal em 2015.

A pressão no mês de agosto veio de preocupações com o horizonte fiscal e a deterioração do panorama econômico local, combinadas a apreensões acerca da economia e dos mercados na China e dúvidas sobre a política monetária norte-americana.

Destaques

Itaú e Bradesco caíram 3,56 e 4,08 por cento, respectivamente, respondendo pelas maiores pressões negativas do Ibovespa, uma vez que o cenário de déficit fiscal corrobora apostas de agentes financeiros em rebaixamento do rating brasileiro e papéis de bancos estão entre os mais sensíveis a um eventual corte da nota de crédito brasileira.

Banco do Brasil perdeu 5,06 por cento e Santander cedeu 1,50 por cento.

Petrobras fechou com as ações ordinárias em alta de 3,31 por cento e com as preferenciais com avanço de 2,11 por cento, revertendo as perdas iniciais, conforme os preços do petróleo também passaram ao campo positivo. As cotações da commodity fecharam com fortes ganhos, após dados da produção de petróleo nos Estados Unidos mostrarem queda e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) dizer que conversaria com outros produtores sobre preços baixos.

Braskem encerrou em alta de 4,84 por cento, após cair quase 5 por cento na abertura, em dia que expirou o último aditivo no contrato de fornecimento de nafta pela Petrobras à petroquímica. Além disso, de acordo com reportagem do Valor Econômico publicada nesta segunda-feira, encerrou nesta sessão o prazo, nos Estados Unidos, para que acionistas declarem interesse em liderar a ação coletiva (“class action”) ajuizada contra a petroquímico em Nova York.

Vale fechou com as preferenciais de classe A em alta de 3,21 por cento, em meio à estabilização dos preços do minério de ferro na China, a despeito do corte no preço-alvo do recibo de ação negociado nos EUA (ADR) da mineradora pelo o JPMorgan de 7,50 para 5,50 dólares, enquanto a recomendação “neutra” foi mantida.

Localiza caiu 6,63 por cento, maior queda do Ibovespa. A companhia de gestão de frotas e aluguel de veículos realizou encontro com analistas e investidores nesta segunda-feira, no qual a diretoria indicou que seu principal objetivo é focar na rentabilidade do capital investido e que não deve elevar dividendos ou recomprar ações no curto prazo, entre outras sinalizações, segundo destacou a equipe da corretora Brasil Plural, em nota a clientes.

Texto atualizado às 18h10

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