Ibovespa segue recuperação com ajuda externa apesar de Fitch

A debilidade nos preços de commodities e o permanente quadro político local conturbado também influenciavam a sessão

A Bovespa sustentava trajetórioa recuperação nesta quinta-feira, amparada no viés positivo de bolsas no exterior, mesmo após a Fitch Ratings cortar a nota do Brasil para “BBB-“, alertando que o país pode em breve perder a chancela de grau de investimento pela agência.

A debilidade nos preços de commodities e o permanente quadro político local conturbado também influenciavam a sessão, marcada ainda por noticiário corporativo volumoso.

Às 11:58, horário de Brasília, o Ibovespa subia 0,44 por cento, a 46.913,69 pontos. Na mínima, logo após a decisão da Fitch, caiu 0,2 por cento. O volume financeiro alcançava 2 bilhões de reais.

A Fitch cortou a nota de crédito do Brasil de “BBB” para “BBB-“, último degrau que garante o chamado grau de investimento, enquanto manteve a perspectiva negativa no novo rating.

“O rebaixamente já era esperado”, disse o gestor Joaquim Kokudai, da JPP Capital, explicando a reação quase indiferente da bolsa ao anúncio.

“Há o alívio de que o corte não foi em dois degraus, o que tiraria o grau de investimento, embora a perspectiva negativa adicione alguma pressão”, afirmou, lembrando, contudo, que a própria Fitch sinalizou que isso pode demorar até dois anos.

Em Wall Street, o S&P 500 avançava 0,6 por cento, com dados econômicos e balanços corporativos no radar, enquanto o europeu FTSEurofirst 300 ganhava 1,5 por cento.

De acordo com profissionais do mercado de renda variável, o noticiário econômico externo tem reforçado a percepção de que a alta dos juros norte-americanos pelo Federal Reserve deve ficar mesmo para 2016.

E isso, conforme destacou o analista Marco Aurélio Barbosa, da CM Capital Markets, em nota a clientes, eleva a disponibilidade de recursos para investimentos em mercados emergentes.

Segundo o operador de uma corretora em São Paulo, que pediu para não ter o nome citado, a considerar o fluxo de estrangeiros neste mês era para a Bovespa ter melhorado muito mais. “Mas a parte política está pesando demais”, notou.

Destaques 

Kroton Educacional saltava 9,4 por cento, após divulgar crescimento de 4 por cento na captação total de alunos de graduação no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2014, impulsionada pelo ensino à distância.

Na visão do Credit Suisse, a Kroton entregou dados sólidos de captação, apesar dos desafios enfrentados pelo setor.

Petrobras reverteu os ganhos da abertura e tinha queda de 2,6 por cento nos papéis ordinários e de 2,4 por cento nas preferenciais, na esteira do declínio dos preços do petróleo .

Também repecutiam entre analistas as decisões da estatal de autorizar busca de parceiro estratégico para BR Distribuidora e de interromper análise de oferta de debêntures de 3 bilhões de reais.

Embraer subia 3 por cento, mesmo após divulgar recuo de 3,5 por cento na sua carteira de pedidos firmes a entregar (backlog) ao fim do terceiro trimestre na comparação com junho.

A empresa afirmou ainda que entregou 50 por cento mais jatos no período que em igual intervalo de 2014. A aceleração na alta do dólar frente ao real reforçava os ganhos da empresa.

BB Seguridade ganhava 0,4 por cento, em meio ao anúncio de que o Conselho de Administração da companhia aprovou nesta quinta-feira programa de recompra de até 10 milhões de ações ordinárias.

Vale mostravas as preferenciais de classe A em queda de 0,5 por cento e as ações ordinárias em baixa de 0,16 por cento, após os preços à vista do minério de ferro na China voltarem a recuar nesta quinta-feira, atingindo o menor patamar desde o final de agosto.

Itaú Unibanco caía 1,2 por cento, revertendo a tentativa de recuperação, conforme papéis de bancos enfraqueceram após a decisão da Fitch sobre a nota de crédito do país.

Santander Brasil era exceção no Ibovespa com alta de 1,7 por cento. O papel está na lista de ações difíceis de encontrar para aluguel, o que pode levar a movimentos de cobertura de posições.

Souza Cruz cedia 0,2 por cento nesta sessão, quando acontece a oferta pública obrigatória de aquisição das ações ordinárias pela sua controladora British American Tobacco , para saída da empresa da bolsa. O leilão está previsto para as 15h.

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