Rumor de rebaixamento do Brasil impulsiona dólar a R$ 3,95

O adiamento do anúncio dos dados de arrecadação em agosto, da manhã para a tarde de hoje, também criou ruídos no mercado e contribuiu para a tensão

São Paulo – O mercado financeiro operou nesta sexta-feira, 18, sob forte estresse, em especial durante a tarde, em meio a rumores de que o Brasil está próximo de ter novamente sua nota de crédito cortada por agências de risco.

O adiamento do anúncio dos dados de arrecadação em agosto, da manhã para a tarde de hoje, também criou ruídos no mercado e contribuiu para a tensão. E com a proximidade do fim de semana, os investidores optaram pela cautela e foram em busca de proteção.

Isso se traduziu na forte alta do dólar ante o real durante todo o dia. A moeda americana de balcão fechou em alta de 2,28%, aos R$ 3,9500.

Este é o maior valor de fechamento para o dólar desde 10 de outubro de 2002, quando a moeda foi cotada a R$ 3,9900. Na mínima de hoje, às 9h57, marcou R$ 3,8690 (+0,18%) e, na máxima, às 16h29, marcou R$ 3,9520 (+2,33%).

No mercado futuro, que encerra apenas às 18 horas, o dólar para outubro subia no fim da tarde 1,33%, aos R$ 3,9705.

Pela manhã, investidores já corriam em busca de dólares no Brasil citando a percepção ruim sobre a economia e a política. Era um pouco do que se viu nos últimos meses. Só que as cotações aceleraram depois que a Receita gerou um ruído no mercado.

Ao adiar a divulgação dos dados de arrecadação, de 10h30 para 15h30, o órgão fez o mercado especular que a mudança ocorria porque os dados seriam muito ruins. Oficialmente, a Receita alegou “problemas na elaboração do material” para adiar o anúncio.

À tarde, uma nova onda de busca por dólares surgiu após a divulgação de uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch (Bofa).

O levantamento, feito com gestores internacionais que aplicam em países emergentes, mostrou que 90% deles acreditam que o Brasil perderá o grau de investimento de pelo menos duas agências de classificação de risco.

Como já perdeu o selo de bom pagador da Standard & Poor’s (S&P), falta a Moody’s ou a Fitch. Durante a tarde, investidores intensificaram a especulação nesse sentido, com rumores de rebaixamento permeando várias mesas.

Profissional ouvido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, disse que investidores estrangeiros conduziram as ações no mercado futuro de dólar – o mais líquido -, intensificando a compra de moedas na reta final do balcão.

A proximidade do fim de semana realimentou a busca por dólares, com investidores avaliando que é melhor se manter posicionado na moeda americana.

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