A maior vitória de Trump

Ao completar 105 dias no cargo de presidente dos Estados Unidos, Donald Trump obteve nesta quinta-feira o que pode ser considerada sua maior vitória interna até agora: a Câmara aprovou a lei de saúde proposta pelo presidente para substituir o Affordable Care Act — lei conhecida como Obamacare e aprovada em 2010 na gestão do ex-presidente Barack Obama.

Ainda não é uma vitória definitiva, já que o texto precisa ser aprovado no Senado — onde analistas esperam que novas mudanças devam ser feitas. A margem de vitória apertada (217 votos a 213) também mostra que nem todos os republicanos votaram a favor do texto. Mas a aprovação na Câmara já é um grande passo na política interna do governo Trump, que passou a campanha dizendo que seu principal objetivo era “revogar e substituir” o Obamacare.

Conhecido como Ryancare por ter sido elaborado pelo presidente da Câmara, Paul Ryan, a lei já havia sido indiretamente rejeitada em março, quando foi retirada da pauta de votação por não contar com votos suficientes — ainda que os republicanos tenham maioria tanto na Câmara quanto no Senado.

Mas o projeto que foi a plenário nesta quinta tem algumas pequenas mudanças que o tornam mais suave em relação ao anterior, como uma emenda de 8 bilhões de dólares para assistência a portadores de doenças pré-existentes. Um dos grandes feitos do Obamacare foi impedir que seguradoras recusassem clientes que já tenham graves problemas de saúde.

A partir de agora, os americanos não serão mais obrigados a contratarem um plano de saúde. O projeto de Trump ainda diminuiu o auxílio a americanos de baixa-renda e idosos, concedidos por meio de subsídios diretos e programas como o Medicaid e o Medicare, que tiveram seu orçamento ampliado pelo Obamacare.

O texto não é unanimidade nem mesmo entre republicanos: os mais conservadores afirmam que a lei tira subsídios de menos, enquanto os democratas e os republicanos temem que o fim do programa possa lhes custar votos. Mais de 40 milhões de pessoas ganharam cobertura com a criação do Obamacare e estima-se que, com a nova lei, 24 milhões de pessoas percam seu acesso à saúde.

Em comemoração à aprovação, Trump concedeu uma coletiva na Casa Branca e disse que o Obamacare está “essencialmente morto”. Logo em seguida, o presidente seguiu viagem para Nova York, onde se encontrará com o premiê australiano, Malcolm Turnbull. Manifestações em repúdio à lei já vêm sendo organizadas para esperar a chegada do presidente.

Muitos atribuem à aprovação do Obamacare em 2010 a culpa pelo fato de os democratas terem perdido a maioria no Congresso nas legislativas de 2012. Agora, perto das eleições de 2018, a história pode se repetir, mas ao contrário. Não à toa, após a aprovação do texto, a bancada democrata na Câmara entoou um grito de “hey hey hey, goodbye” para os colegas republicanos.

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