Acordo para relançar o processo de paz na Síria é frágil

"O grupo humanitário se reunirá nesta sexta sob patrocínio da ONU", declarou Khawla Mattar, porta-voz do emissário das Nações Unidas para a Síria

O acordo sobre o cessar das hostilidades na Síria negociado pelas grandes potências se anuncia frágil, mas constitui uma etapa indispensável para tentar reativar o processo de paz em Genebra.

Os 17 países do Grupo internacional de Apoio à Síria (ISSG) se reúnem nesta sexta-feira, em Genebra, para aplicar o aspecto humanitário do acordo alcançado na noite de quinta-feira, em Munique, indicou a ONU.

“O grupo humanitário se reunirá nesta sexta sob patrocínio da ONU”, declarou Khawla Mattar, porta-voz do emissário das Nações Unidas para a Síria, Steffan de Mistura.

O secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, saudou o acordo e a decisão de permitir intensificar o envio de ajuda humanitária ás cidades sitiadas.

“Celebro as decisões do Grupo Internacional de Apoio à Síria para facilitar o envio de ajuda humanitária às regiões sob cerco e conseguir um cessar das hostilidades em caráter nacional”, declarou Ban durante uma coletiva de imprensa, em Montreal, onde está no âmbito de uma visita ao Canadá.

“Dezenas de milhares de pessoas têm desesperadamente a necessidade de ajuda humanitária e o país inteiro precisa urgentemente de paz”, acrescentou Ban após uma reunião na prefeitura de Montreal no âmbito de uma visita ao Canadá.

Mais cedo, a Turquia parabenizou o acordo entre Estados Unidos e Rússia para um cessar das hostilidades por uma semana, considerando que se trata de um “passo importante para a solução do conflito”.

“Essa declaração enfatiza as questões que bloqueiam o processo de Genebra, e oferece uma chance de superar o bloqueio que o processo político enfrenta”, afirmou o chanceler turco Mevlüt Cavusoglu.

Os principais atores envolvidos na crise na Síria chegaram a um acordo sobre uma “suspensão das hostilidades” nesse país durante uma semana e sobre um maior acesso da ajuda humanitária aos civis.

“Acertamos uma suspensão das hostilidades em todo o país no prazo de uma semana” e a ampliação da ajuda humanitária para uma série de cidades, declarou o secretário de Estado americano, John Kerry, ao final de uma reunião de mais de cinco horas em Munique, no sul da Alemanha.

Segundo o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, Estados Unidos e Rússia vão dirigir as “modalidades” da implantação desse cessar-fogo.

A suspensão das hostilidades afetará todas as partes em conflito, salvo os “grupos terroristas Daesh [acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico] e Al-Nosra [vinculada à rede Al-Qaeda]”, explicou Kerry.

“Também concordamos em acelerar e ampliar a entrega de ajuda humanitária a partir desse momento” a uma série de cidades sitiadas, acrescentou o secretário americano, que citou, entre outras, Deir Ezzor, no leste, onde o EI cerca as forças leais ao governo Al-Assad.

O grupo de trabalho dirigido pela ONU se reúne a partir desta sexta, em Genebra, para pôr em prática o avanço humanitário, que contará com “balanços semanais”, completou Kerry.

Suspensas no início de fevereiro por causa de uma ofensiva do governo apoiada pela Aviação russa contra os rebeldes, as negociações de paz entre as diferentes partes em conflito na Síria devem “ser retomadas o quanto antes”, insistiu o chefe da diplomacia americana.

Essas negociações devem acontecer “sem ultimatos, ou condições prévias”, afirmou Lavrov.

Em nota divulgada após o encontro, já na sexta-feira (horário local), a Grã-Bretanha considerou que o acordo poderá ser aplicado com sucesso apenas com “uma mudança de comportamento” de Damasco e da Rússia.

“Se for aplicado completamente e de maneira apropriada”, o acordo “será um passo importante para o fim dos massacres e do sofrimento na Síria”, declarou o chanceler britânico, Philip Hammond, em um comunicado.

Segundo ele, o acordo “terá sucesso apenas se houver uma mudança de comportamento por parte do regime sírio e de seus apoios”, em referência à Rússia.

Desde o final de setembro, Moscou dá suporte às tropas de Bashar Al-Assad com bombardeios aéreos.

A Rússia “afirma que bombardeia os grupos terroristas, mas bombardeia normalmente grupos não extremistas e civis”, denunciou Hammond, insistindo que, “para que este acordo funcione, esses bombardeios devem terminar”.

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