Agente que manipulou Libor é condenado a 14 anos de prisão

Ex-gente financeiro dos bancos UBS e Citigroup participou da manipulação das taxas de juros interbancário Libor entre 2006 e 2010

Londres – Um tribunal de Londres condenou a 14 anos de prisão nesta segunda-feira o britânico Tom Hayes, antigo agente financeiro dos bancos UBS e Citigroup, por participar da manipulação das taxas de juros interbancário Libor entre 2006 e 2010.

Hayes, a primeira pessoa condenada por causa do escândalo que explodiu em 2012, foi considerado culpado das oito acusações que enfrentava por ter “conspirado” a seu favor e alterar o índice pelo qual se guiam bancos de todo o mundo para determinar o preço final de seus produtos.

O britânico montou um complô para interferir no índice com o objetivo de aumentar seus lucros nas empresas para as quais trabalhava, concluiu o júri do Tribunal da Corona de Southwark.

Hayes, detido em 2012, colaborou em um primeiro momento com os investigadores e confessou a manipulação do índice, apesar de durante 2013, após mudar de equipe legal, ter se declarado “inocente” de todas as acusações, o que deu início ao processo concluído hoje.

“O senhor teve um papel essencial na manipulação do Libor. Exerceu pressão sobre outras pessoas, doutrinou os trabalhadores que estavam abaixo do senhor para realizar essa atividade e efetuou pagamentos a agentes para que o ajudassem”, afirmou o juiz na sentença.

Após a divulgação do escândalo do Libor, alguns dos maiores bancos do mundo tiveram que enfrentar fortes sanções.

Os reguladores britânico e americano impuseram ao Barclays uma multa de 290 milhões de libras (R$ 1,55 bilhão), enquanto o UBS foi multado em US$ 1,5 bilhão (R$ 5,16 bilhões).

A Comissão Européia (CE) impôs além disso multas milionárias ao Deutsche Bank, ao Societé Générale, ao Royal Bank of Scotland, ao JPMorgan e ao Citigroup.

Hayes, de 35 anos, graduado em engenharia e matemática, trabalhou no Royal Bank of Scotland e no Royal Bank of Canadá antes de entrar no UBS, em 2006, aonde foi agente financeiro em Tóquio, e depois no Citigroup em 2009.

Durante o julgamento, o tribunal escutou gravações de áudio que mostravam o antigo agente financeiro afirmar que manipular o Libor era “habitual” no setor e que ele era um “criminoso em série”.

O promotor Mukul Chawla argumentou que Hayes “enganou repetidamente às pessoas com as quais tinha embarcado em enormes transações financeiras”.

“O motivo para fazer isso era simples: a cobiça. Ele era a peça chave do mecanismo, dizia às pessoas ao seu redor o que deviam fazer e em diversos casos os premiava por sua colaboração desonesta”, descreveu Chawla. 

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