Alemanha registra novos confrontos em centros de refugiados

A polícia indicou ter sido chamada em um primeiro centro de requerentes de asilo do grande porto alemão após o roubo de um telefone celular

Confrontos foram registrados nesta quarta-feira em dois centros de refugiados de Hamburgo (norte da Alemanha), especialmente entre afegãos e sírios, nova ilustração das tensões nos abrigos, sobrecarregados.

A polícia indicou ter sido chamada em um primeiro centro de requerentes de asilo do grande porto alemão após o roubo de um telefone celular de um jovem de 19 anos e que degenerou em discussão com o alegado ladrão, um jovem iraquiano de 23 anos.

“Alguns dos habitantes” do centro se solidarizaram e pegaram vassouras e ripas de madeira para brigar, de acordo com o comunicado da polícia.

Cerca de cinquenta policiais foram mobilizados para restabelecer a calma. Segundo a imprensa alemã, duzentos sírios e afegãos entraram em confronto.

Em um outro abrigo, a polícia precisou intervir em duas ocasiões, onde três pessoas começaram uma briga. Não está claro as razões da disputa.

Além disso, os bombeiros precisaram apagar um incêndio declarado em um contêiner de lixo neste centro. Três residentes, um afegão de 16 e os dois jovens sírios com idades entre 16 e 18 anos, bem como um funcionário de uma empresa de segurança receberam cuidados médicos por ferimentos leves. Várias pessoas foram brevemente detidas.

Diversas brigas foram registradas recentemente na Alemanha em centros de acolhida de refugiados, onde os migrantes enfrentam problemas de superlotação e estresse.

Na terça-feira, uma briga envolvendo sírios e paquistaneses fez dois feridos em Dresden (leste). Domingo, 14 pessoas ficaram feridas em um centro perto de Cassel (centro), onde 70 paquistaneses e 300 albaneses chegaram às vias de fato. Quatorze pessoas, incluindo três policiais, ficaram feridas.

A Alemanha tem tido dificuldades em acomodar centenas de milhares de migrantes que chegaram ao país desde o início do ano. Ela espera receber entre 800 mil e um milhão neste ano de 2015.

A situação é tal, que alguns estão alojados em tendas ou em ginásios onde não há qualquer privacidade.

Uma organização de defesa dos direitos dos refugiados ProAsyl, uma das mais ativas na Alemanha, denunciou a proposta do governo de reforçar as regras de asilo, o que pode aumentar as tensões nos centros de acolhimento.

“Espera-se que os conflitos aumentem” na medida que alguns refugiados vão precisar ficar mais tempo do que o esperado nos centros de acolhimento, como prevê o projeto de lei examinado a partir de quinta-feira pelos deputados, segundo Günter Burkhardt, em Berlim.

Ele também teme que a mobilização dos alemães para ajudar os refugiados diminua caso a violência aumente.

“As pessoas também vão dizer: ‘há conflitos na Alemanha’ nos centros de acolhimento e isso poderia prejudicar a boa vontade”, acrescentou, enquanto a crise migratória tem provocado uma grande mobilização na sociedade civil.

De acordo com o ministério do Interior da Baviera, principal ponto de entrada na Alemanha para os migrantes, entre 270.000 e 280.000 requerentes de asilo chegaram no país apenas no mês de setembro, mais que durante todo o ano de 2014.

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