Após atentado, G20 promete resposta dura contra o terrorismo

Menos de 48 horas após os atentados de Paris, os líderes do G20 reunidos em Antalya, na Turquia, prometem uma resposta "dura" ao terrorismo

Os líderes do G20 reunidos em Antalya, na Turquia, desejam transmitir uma mensagem “dura” contra o terrorismo, menos de 48 horas após os atentados de Paris, prometeu neste domingo o presidente turco, enquanto a França espera compromissos concretos.

“Acredito que nossa resposta ao terrorismo internacional vai se concretizar de maneira muito forte, muito dura, nesta cúpula do G20”, declarou o anfitrião da cúpula, pouco depois de uma reunião com o presidente americano Barack Obama.

Este, por sua vez, prometeu “redobrar” os esforços para eliminar a organização Estado Islâmico (EI), que reivindicou os ataques na capital francesa.

Os atentados na sexta-feira à noite em Paris, que fizeram pelo menos 129 mortos, se impôs como a principal questão a ser discutida pelos chefes de Estado e de Governo dos países mais poderosos do mundo, reunidos neste domingo e segunda-feira para uma reunião de cúpula no resort turco de Antalya.

De acordo com várias fontes, o G20 poderia publicar um comunicado especial sobre o terrorismo, além do tradicional comunicado final consagrado às questões econômicas internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu unidade na luta contra o terrorismo, enquanto os países ocidentais e a Rússia divergem sobre a estratégia a adotar para acabar com o conflito na Síria, onde o Estado Islâmico está fortemente estabelecido.

Moscou é de fato o único apoio aberto ao presidente sírio Bashar al-Assad entre os países membros do G20.

“Só podemos controlar a ameaça terrorista (…) se toda a comunidade internacional unir seus esforços”, declarou Putin, durante uma reunião dos líderes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), pouco antes do início do G20.

“Todos nós vimos o horror que aconteceu em Paris e nos solidarizamos com aqueles que sofreram”, afirmou, acrescentando que “nós continuamos a defender a união de nossos esforços contra a ameaça terrorista de forma eficaz”.

Ações concretas

Mas, além das declarações bem intencionadas, a França, representada pelo ministro das Relações Exteriores Laurent Fabius e das Finanças Michel Sapin, espera ações concretas na luta contra o terrorismo.

“Além da solidariedade e da comoção” após os atentados de Paris, a França “quer decisões concretas em matéria de luta contra o financiamento do terrorismo”, declarou à AFP Sapin.

As declarações de intenção escondem, de fato, as divergências sobre a guerra na Síria, onde mais de 250.000 pessoas já morreram.

No sábado, em Viena, os líderes diplomatas concordaram em estabelecer um “calendário concreto”, que prevê a formação de um governo de transição em seis meses e a organização de eleições em dezoito meses.

Mas, como lembrou o secretário de Estado americano John Kerry, “as divergências persistem” sobre o futuro de Assad.

Neste contexto, e duas semanas após sua vitória nas eleições legislativas, o homem forte da Turquia quer aproveitar a oportunidade para reafirmar seu papel na crise.

Para lembrar a urgência da ameaça terrorista, um membro do EI cometeu um ataque suicida sábado à noite durante uma ação da polícia na cidade turca de Gaziantep, localizada 500 km a leste de Antalaya.

E, a duas semanas da conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Paris, a COP21, o G20 deverá aproveitar a ocasião para acertar as arestas em vista de um acordo sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Sobre a COP21, o chefe da oposição de direita francesa, Nicolas Sarkozy, pedirá “o adiamento” de vários meses da reunião, que deve acontecer de 30 de novembro a 11 de dezembro, em razão da situação de segurança no país.

O G20 também deverá permitir a validação do plano de ação da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) contra a otimização fiscal, que permite às multinacionais escapar de impostos.

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