Atentados de Paris completam um mês

"A França está em guerra", decretou o presidente François Hollande, como George W. Bush que engajou seu país no Afeganistã

Dos cafés típicos, passando pelo estádio mais famoso do país, a uma casa de espetáculos tradicional… os jihadistas que atacaram esses símbolos em 13 novembro, há um mês, fizeram com que os parisienses olhassem diferente para o futuro.

Cento e trinta mortes, centenas de feridos: a segunda onda de ataques na França em dez meses visou a juventude. Em janeiro, a primeira, jornalistas (Charlie Hebdo), policiais e judeus (loja kosher) foram o alvo.

“Um 11 de Setembro à la francesa”, foi dito no início deste ano. A referência aos atentados de 2001 em Nova York voltou em novembro, mas em razão de suas consequências: estado de emergência, bombardeios na Síria contra o grupo Estado Islâmico que, como em janeiro, reivindicou este segundo ato terrorista.

“A França está em guerra”, decretou o presidente François Hollande, como George W. Bush que engajou seu país no Afeganistão.

Demorou dez anos para os Estados Unidos acabarem com Osama bin Laden, o chefe da Al-Qaeda e inimigo público número um do mundo. Levará tanto tempo para a França derrotar Abu Bakr al-Baghdadi, líder de um “exército terrorista” segundo o presidente francês?

Paris em alerta

Enquanto isso, a vida em Paris parece condenada a não ser mais a mesma, com seus habitantes tendo de lidar com uma ameaça cotidiana.

“Fugir, se esconder e estar alerta”, o governo lançou estas palavras de ordem aos parisienses em caso de novos ataques, inevitáveis segundo os especialistas.

No entanto, a vida “deve ser retomada”, reage David, de 45 anos, que prefere não revelar seu sobrenome. “Não devemos ceder ao medo, temos de lutar” e não “viver uma meia vida”, defende este vizinho de um dos cafés atacados ​​pelos jihadistas.

“Queremos mostrar que somos mais fortes do que eles”, resume Audrey Bily, gerente do restaurante A la Bonne Bière, um dos primeiros bares alvo dos atentados reaberto no início de dezembro.

Militares patrulham as ruas, guardas montam guarda na entrada de lojas, enquanto turistas se tornam suspeitos aos olhos dos outros.

“Eu presto mais atenção às pessoas que entram no metrô com as malas”, relata Pierre Breard, de 24 anos, um engenheiro em uma start-up na região de Paris e que enfrenta três horas no transporte público diariamente.

“Eu olho para a barriga das pessoas”, acrescenta Aurélie Martin, uma professora de 24 anos, que saiu do Stade de France em 13 de novembro com as mãos para o ar, a pedido da polícia, após as explosões de homens-bomba nos arredores.

Uma vez passado o choque, as atividades profissionais foram retomadas, lazer e vida cultural também. Mas a imprudência se foi e a atmosfera continua pesada.

Os jovens parecem marcados, os psicólogos são mais do que nunca procurados, enquanto os turistas estão deixam a ‘Cidade Luz’, até então privilegiada pelo clima de romance e beleza do seu patrimônio.

O estado de emergência, em vigor até ao final de fevereiro, poderá ser estendido. Ele permite que a polícia realize buscas e detenções sem mandato judicial.

‘Reparar os vivos’

A revolta de janeiro, ilustrada por uma marcha gigantesca pela liberdade, parece ter dado lugar à fatalidade.

A oposição de direita e de extrema-direita acusam o governo socialista de não ter feito nada desde janeiro.

Postos de trabalho no setor de construção, educação, inteligência foram abertos, além de uma atenção aos subúrbios difíceis, para melhor “viver juntos”. Mas a “revolução” não veio.

Os ataques de novembro parecem ter feito com que os franceses se rendessem.

Sem saída, eles elogiaram a resposta organizada pelo seu presidente impopular. Ao mesmo tempo que parecem impulsionar a extrema-direita, que navega no medo de desemprego, na insegurança sobre o futuro.

“Sem medo”, proclama um cartaz afixado na estátua da Praça da República, que se tornou, com suas velas e flores, uma estela em memória das vítimas dos ataques.

“Depois de enterrar nossos mortos, devemos reparar os vivos”, declarou recentemente François Hollande. “A vida continua e não estamos a salvo de qualquer coisa, o perigo pode estar em qualquer lugar”, resume Aurelie Martin.

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