Comissão pede a Londres explicações sobre situação do Brexit

Juncker afirmou que proibiu todos os comissários europeus de "discutir com os representantes britânicos" e qualquer "negociação secreta"

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, pediu nesta terça-feira ao governo britânico que “esclareça o mais rapidamente possível” a situação após o Brexit, ao afirmar que a UE não pode passar por “uma incerteza prolongada”.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, “é um amigo apesar da votação”, completou, antes de afirmar que se reunirá com o premier antes do encontro de cúpula de chefes de Estado e de Governo nesta terça-feira em Bruxelas para pedir que “esclareça a situação”.

“Lamento o voto dos britânicos”, completou, antes de insistir que o Reino Unido “esclareça sua decisão”.

“Não hoje, nem amanhã, mas não deve existir uma situação de incerteza prolongada”, repetiu no Parlamento Europeu, reunido em sessão extraordinária, que aprovou uma resolução não vinculante para pedir a Londres o a apresentação “o mais rápido possível” do artigo 50 dos tratados europeus, que trata do processo de ruptura.

Um total de 395 deputados aprovaram a moção – que não é vinculante -, enquanto 200 se pronunciaram contra e 71 se abstiveram após um acalorado debate no qual os discursos do antieuropeu britânico Nigel Farage e da eurocética francesa Marine Le Pen foram vaiados.

Juncker afirmou que proibiu todos os comissários europeus de “discutir com os representantes britânicos” e qualquer “negociação secreta”.

“Sou totalmente contra, não é possível começar negociações secretas informais”, afirmou.

“Sem notificação não há negociação”, destacou, em sintonia com a posição adotada na segunda-feira por Alemanha, França e Itália de começar as negociações com Londres apenas quando o governo britânico notificar formalmente sua decisão de sair da UE.

“Os que nos observam de longe estão inquietos. Perguntam sobre o caminho que a UE vai adotar. Devemos avançar para objetivos comuns”, disse, ao comentar a preocupação em todo o mundo com o processo de saída, desde o anúncio do resultado do referendo na quinta-feira passada.

“Não se deve mudar o essencial e o essencial é que a Europa continua sendo um projeto de paz e um projeto de futuro”, completou.

Juncker, de 61 anos, fervoroso defensor de uma União Europeia federal, destacou que não está cansado nem doente, como afirmam os jornais alemães.

“Continuo sendo o que sou: vou combater por uma Europa unida até o último suspiro”.

Durante o discurso, Juncker respondeu às ironias do líder antieuropeu britânico Nigel Farage.

“Eu estou realmente surpreso que você esteja aqui. Você está lutando pela saída. Por que você está aqui?”, questionou.

“É um prazer”, respondeu Farage.

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