Como falar sobre terrorismo com as crianças? Veja dicas

Regra número 1: Não entre em pânico

São Paulo – Desorientadas e impotentes, muitas famílias percebem que a ameaça terrorista está em suas vidas e se perguntam como explicar às crianças eventos trágicos como os atentados ocorridos em Paris.

Procurando responder algumas dessas perguntas, os jornais franceses Le Monde e Le Figaro conversaram com especialistas em psicicologia infantil. Veja a seguir as principais dicas. 

Regra número 1: Não entre em pânico

Os sentimentos são contagiantes e as crianças são altamente susceptíveis às angústias de seus familiares. Por isso, a melhor maneira para os pais abordarem o assunto é, antes de tudo, controlar suas próprias emoções, aconselha o psicólogo Jean-Luc Aubert, em entrevista ao Le Monde. “É preciso estar vigilante para a apresentação dos fatos, evitando o palco e a dramatização”, diz.

Evite a expor as crianças à imagens violentas

Quando tragédias de grande comoção ocorrem é comum que os noticiários repitam à exaustão imagens do evento em questão. Por este motivo, o ideal é que os adultos reduzam a exposição das crianças a esse “sofrimento sem fim”. “Não devemos deixar a televisão ligada, com estas imagens que passam em ‘loop’. Para os pequenos parisienses, a situação é ainda mais angustiante, porque eles sentem de perto o perigo. Mas, em tais situações extremas, as distâncias não têm nenhum significado para as crianças, porque o mundo está encolhendo”, explica ao Le Fígaro Genevieve Djenati, psicólogo e psicoterapeuta.

Terrorismo, fanatismo…Até onde ir na explicações

Estado Islâmico, terrorismo, fanatismo…A lista de palavras associadas ao atentado em Paris e seus desdobramentos pode confundir até mesmo um adulto, imagine então uma criança? Para resumir os principais fatos, o melhor segundo Jean-Luc Aubert é ficar nas palavras simples.: “Tem ocorrido ataques em Paris, com alguns mortos”, e ponto.

Antes da idade do primário, não há necessidade de dizer mais, defende o psicólogo em entrevista ao Le Monde. É possível que a criança ouça mais coisas fora de casa, aí, o especialista sugere que os pais reabram a discussão em casa, mas evitando tanto quanto possível antecipar as perguntas dos pequenos.

Pode-se, por exemplo, explicar que os ataques são obra de pessoas “muito, muito doentes”, que atacam os outros por razões que até mesmo os adultos nem sempre entendem. O psicólogo também sugere trabalhar na repetição com as crianças, a fim de destacar o caráter excepcional do evento. “Por exemplo, podemos dizer-lhes que se trata de ‘muito, muito poucas’ pessoas na sua cidade”, diz. 

Procure manter a rotina; vida que segue

Outra dica preciosa dos especialistas em psicicologia infantil é que os adultos mantenham, dentro do possível, a sua rotina.  “Embora nas cabeças dos pais tudo se torne perigoso, é importante não ficar bloqueado. Confinamento gera psicose e fobias. Em crianças, isso pode se traduzir em fobia escolar”, alerta Genevieve Djenati, em entrevista ao Le Fígaro. 

Ele defende que as famílias busquem viver o mais normalmente possível e que sejam cautelosas no uso das palavras. A dica também vale para outras entidades. “Em escolas, eu acho que seria bom organizar grupos de discussão para criar trocas e não hesitar, em alguns casos, em corrigir as palavras negativas pronunciadas pelos pais e repetidas pelas crianças”, defende.

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