Como pensa a possível primeira mulher presidente dos EUA

Depois vitórias importantes nas primárias, Hillary trilha um caminho sem volta para a nomeação oficial do Partido Democrata. E tudo conspira a seu favor

São Paulo – Hillary Clinton está fervendo: depois de consolidar a liderança nas primárias e desbancar Bernie Sanders, a pré-candidata reforça a sua posição rumo à nomeação como candidata oficial do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos Estados Unidos. O pleito final acontecerá em novembro. 

Hillary Diane Rodham nasceu em 1947 numa família de classe média nos subúrbios de Chicago. Em 1965 se tornou aluna da Universidade de Wellesley, onde mudanças importantes na sua vida aconteceriam. Lá, abandonou os ideais republicanos trazidos como herança familiar para se tornar uma democrata.

Em 1969, entrou na prestigiada Faculdade de Direito da Universidade de Yale. Foi onde conheceu seu futuro marido e ex-presidente dos EUA Bill Clinton e adotou o nome de casada. Alguns anos depois, enquanto ele se preparava para se tornar governador do estado de Arkansas, ela atuou como advogada.

Desde então, nunca mais deixou os holofotes da vida pública.

Aos 68 anos, Hillary reina absoluta no posto de mulher mais admirada pelos americanos, segundo uma pesquisa anual conduzida pelo Instituto Gallup. Foi ativista política, primeira dama entre 1993 e 2001 e ocupou o cargo de secretária de Estado de Barack Obama.

Mas ela quer mais: sua ambição é ser a primeira mulher a pisar na Casa Branca como presidente do país mais poderoso do mundo. E tudo conspira a seu favor.

Como pensa Hillary

Para Marcio Coimbra, coordenador de Relações Internacionais do Ibmec e diretor do Comitê de Política Acadêmica do Institute of World Politics (EUA), um governo Hillary adotaria uma postura mais intervencionista na economia que aquela vista no governo Clinton. Quer taxar mais os mais ricos, aumentar o salário mínimo e é a favor da reforma migratória para integrar imigrantes ilegais à economia.

Quanto ao relacionamento com o Congresso, ela poderá ter um perfil próximo de Obama, o que pode significar momentos de beligerância. Sua vantagem? Na opinião de Coimbra, quando se trata de negociações políticas, ela é mais habilidosa que o atual presidente.

Liberal, Hillary tem o discurso afiado quando o tema é liberdades civis e é firme em seu posicionamento de defesa dos direitos das mulheres. Ela é, por exemplo, favorável ao aborto, acredita na criação de cotas para a contratação de mulheres e minorias pelas empresas e apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Constam ainda em sua lista de propostas o apoio a reformas do sistema prisional do país para diminuir a população carcerária do país e também a uma maior regulação no comércio de armas, dificultando, assim, o acesso de crianças e adolescentes a armas de fogo. 

Corrida eleitoral

“Hillary venceu em todos os Estados mais importantes”, pontuou Coimbra, “e ninguém vai tirar dela a indicação do Partido Democrata”. Quando isso acontecer e considerando o empresário Donald Trump como candidato republicano e seu rival direto, o processo eleitoral promete ser mais fácil do que o imaginado.

“Trump irá polarizar essa eleição”, considerou o especialista, “e com isso, Hillary levará os votos dos sindicatos, das minorias e os votos centristas, já que dificilmente os republicanos moderados votarão em favor dele”, estimou.

Entre os latinos, por exemplo, Hillary parece ser a favorita. Uma pesquisa nacional recente conduzida pela Universidade Internacional da Flórida em parceria com a empresa Adsmovil com quase 10 mil latinos, mostrou que 8 em cada 10 votariam na ex-secretária de Estado. 

Curiosamente, ela se saiu melhor entre os mais velhos que entre os jovens. Ainda de acordo com essa pesquisa, a preferência do grupo de pessoas com idades entre 25 e 44 anos seria de Trump (71,4%), enquanto Hillary dominaria entre aqueles com mais de 45 anos de idade (87%).

Há, contudo, um obstáculo maior que o jogo político de seus rivais a ser ultrapassado. Hillary precisa, também, contornar o escândalo que ficou conhecido como “e-mailgate”, quando ela teria usado um servidor privado para enviar e-mails enquanto secretária. O ato, dizem seus críticos, pode ter colocado em risco a segurança nacional.

A investigação segue seu rumo e é conduzida pelo FBI. Entretanto, o possível indiciamento poderia ser fatal para as aspirações de Hillary e do partido, explicou Coimbra. Além, é claro, de deixar os democratas na mão, forçando-os a improvisar uma solução para ter um nome na disputa pela presidência nas eleições de 2016

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